Veredito de Pokémon: Detetive Pikachu

09/05/2019 - POSTADO POR EM Filmes
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Desde sua origem em 1996, como um videogame para Game Boy da Nintendo, o universo de Pokémon fascinou toda uma geração de jovens, crianças e adultos, se tornando ao longo dos anos a maior franquia multimídia da história. Com todo um arsenal de produtos, é curioso que somente agora se tenha um filme live action do selo. Assim, “Pokémon: Detetive Pikachu” chega com a tarefa de satisfazer os velhos fãs e de conquistar uma nova geração de crianças e adolescentes. Confira agora o nosso veredito.

Poketopia

Através dos jogos e animações da franquia, Pokémon já deu origem a diversos universos paralelos onde se passam as histórias dos títulos, configurando assim seu próprio “multiverso”. Baseado no jogo de Nintendo 3DS “Detetive Pikachu”, a trama do filme se passa em um mundo onde o Dr. Howard Clifford (Bill Nighy), um visionário cientista, fundou Ryme City, cidade onde humanos e Pokemóns convivem em colaboração harmônica, sem batalhas por esporte.

Por enquanto, nada de Ash e seus amigos. Aqui acompanhamos Tim Goodman (Justice Smith), um jovem que quando criança desejava ser um treinador Pokémon, mas desiludido se tornou um vendedor de seguros. Quando seu pai, o policial Harry Goodman é morto em um acidente durante um caso em Ryme City, Tim é chamado à cidade e se depara com o Detetive Pikachu, parceiro de trabalho de Harry que teve amnésia após o acidente.

Tim é o único humano que consegue entender o Pikachu, e dessa forma ambos formam uma aliança improvável para investigar o que realmente aconteceu com Harry. No processo, os dois conhecem Lucy Stevens (Kathryn Newton), uma estagiária em jornalismo que também se empenha em esclarecer o caso e é acompanhada por um Psyduck.

Foto: Divulgação

Cores e humanos

Um dos maiores acertos do filme é a pegada neo-noir que a produção assume nos primeiros atos. As cores acentuadas dos letreiros neon da Ryme City noturna conferem um tom eficiente de mistério, raro em produções voltadas para o público familiar. Créditos para o diretor de fotografia John Mathieson, indicado ao Oscar por seu trabalho em “Gladiador” (2001). A apresentação da cidade e sua construção de mundo ainda oferecem um vislumbre de um universo com bastante potencial.

Justice Smith já havia mostrado sua capacidade de sustentar um papel principal na série “The Get Down” (2016). Como protagonista de “Detetive Pikachu”, o jovem faz o melhor que pode com o personagem, e entrega momentos de genuína emoção. Ryan Reynolds faz a voz do Pikachu, em inglês, e temos participações especiais de artistas do mundo da música, como a cantora Rita Ora no papel da Dra. Ann Lauren e o produtor Diplo, que interpreta a si mesmo como DJ de uma arena Pokemón underground.

Foto: Divulgação

Veredito

Em dado momento da trama, os ares de mistério cessam e dão lugar a um conflito urbano carregado de CGI, algo típico de vários blockbusters lançados nos últimos anos. Não é algo necessariamente ruim, uma vez que os efeitos visuais são decentes e provém do mesmo time por trás da franquia “Animais Fantásticos”. O que pode parecer conflitante são os variados tons assumidos pela produção, mas que compensam em momentos como o encontro na floresta com o Mewtwo.

Por falar em Mewtwo, os Pokémons em si não são tão desenvolvidos pelo longa. Na cidade onde cada humano tem o seu próprio Pokémon, numa relação quase espiritual que lembra “A Bússola de Ouro” (2007), não existe um aprofundamento nas características de cada criatura. É perceptível, porém, que essa nem era a intenção da produção, que favorece o senso de descobrimento dos personagens e traz uma aventura juvenil digna de marcos no gênero como a franquia “Pequenos Espiões”.

Entre dar aos fãs o que eles queriam e cativar uma nova geração, “Pokémon: Detetive Pikachu” ficou mais com a segunda opção. Para aqueles que aguardam há anos épicas batalhas Pokémon no cinema, este ainda não é o seu filme. Mas para as crianças e jovens de hoje, o longa entrega um entretenimento de qualidade com humor, surpresas, aventura e uma chance de capturar o interesse de recém-chegados (e veteranos de coração aberto) ao universo Pokémon.

Foto: Divulgação