Veredito de Minha Mãe é Uma Peça 3

27/12/2019 - POSTADO POR EM Filmes

Já é de praxe do cinema brasileiro que quando uma comédia traga retorno financeiro venha logo uma sequência e depois mais outra, esgotando o potencial da produção no formato de trilogia. “Minha Mãe é Uma Peça” claramente seguiria por esse rumo após levar milhões de espectadores ao cinemas, sendo o filme nacional mais assistido de 2013 e emplacando a sequência em 2016 na quarta posição do ranking de produções brasileiras mais assistidas da história. O terceiro (e, por hora, último) filme da saga chega ao cinemas nesse finalzinho de ano e você confere a seguir o nosso veredito.

Dona Hermínia

O sucesso de “Minha Mãe é Uma Peça” não é à toa. Com origem nos palcos, a obra de Paulo Gustavo imediatamente caiu nas graças do público ao retratar o arquétipo da mãe solteira brasileira, sendo super protetora, dedicada, histérica, sem papas na língua, e alguém que faria de tudo pelos seus filhos.

Nos cinema então, a obra tomou proporções gigantescas e se beneficia com o potencial do público de se ver refletido de alguma forma nas situações abordadas. Dona Hermínia (Paulo Gustavo) é mãe de Marcelina (Mariana Xavier) e Juliano (Rodrigo Pandolfo), que cresceram e já estão formando suas próprias famílias.

Na trama, Marcelina está esperando o primeiro filho e Juliano irá se casar com o namorado. A matriarca precisa então lutar contra um sentimento de abandono, entendendo que seus filhos agora são independentes, e buscar um equilíbrio em sua participação na vida deles.

Foto: Divulgação

Risada fácil

O roteiro de Paulo Gustavo segue uma estrutura sem muitas complexidades. Até o recurso de levar a personagem para o exterior e obter o riso a partir dos ruídos de comunicação está presente, algo que virou feijão com arroz de sequências do gênero. O drama de Marcelina acaba ocupando uma escala menor frente ao de Juliano, uma vez que seu casamento toma o último ato do filme.

O elenco à essa altura já está confortável na pele dos personagens – confortável até demais, talvez. Enquanto o núcleo protagonista maẽ-filhos entrega boas atuações, o elenco de apoio parece acomodado em uma zona de conforto. Algumas cenas em flashback, de quando os filhos ainda eram crianças, são feitas para mostrar o cuidado (exagerado, no caso de Marcelina) e a sensibilidade (defensora, no caso de Juliano) de Dona Hermínia com a sua prole. Enquanto elas acrescentam ao sentimentalismo, as cenas poderiam agregar mais significado à narrativa (e ter menos auto-tune na música cantada por Gustavo).

Foto: Divulgação

Veredito

Se o humor de Paulo Gustavo não funciona para você até aqui, não é “Minha Mãe é Uma Peça 3” que vai lhe convencer do contrário. Mas se a personagem de Dona Hermínia já te fez rir antes, é bem provável que ela o fará novamente – várias vezes – ao longo deste filme. A produção é um entretenimento leve e descontraído, capaz de trazer boas risadas ao público.

Pode ser um pouco desconfortável analisar até que ponto o comportamento um tanto agressivo de Dona Hermínia é válido como humor aceitável. Com sua taxa de polêmicas prévias (como um casamento gay sem beijo), a produção definitivamente tem uma polidez ao tentar não ofender certos públicos, mas as falas de Hermínia soam unicamente rudes com seus familiares em alguns momentos, mas é esperado que a audiência releve isso uma vez que é estabelecido que ela ama seus parentes.

No fim, o longa investe em um de seus aspectos mais interessantes: a verossimilhança de de Dona Hermínia com a mãe de Paulo Gustavo. Uma obra quase biográfica, esse último filme se apresenta como uma carta de amor do artista para sua família e para os fãs que acompanham os personagens desde o início, trazendo uma conclusão bastante sentimentalista.

Pontos Positivos:

  • Humor “clean” e efetivo
  • Conclusão da trilogia de forma emotiva
  • Homenagem às pessoas que inspiraram a obra

Pontos Negativos:

  • Roteiro fácil e desestruturado
  • Dualidade entre não ofender alguns ao quebrar tabus e ofender outros

Nota: 7,5