Veredito de Magnatas do Crime

28/09/2020 - POSTADO POR EM Filmes

Filmes sobre máfia dão sempre muito o que falar, como é o caso do recente O Irlandês (2019) lançado pela Netflix. Agora, chegou ao Brasil o novo filme de Guy Ritchie, roteirista de Aladdin (2019) e diretor de Sherlock Holmes (2009), que nos presenteia com Magnatas do Crime (2019), uma dramédia sobre máfia.

O lançamento do filme foi bastante adiado, principalmente por causa da pandemia, e acabou passando um pouco despercebido. Nós conferimos e vamos contar as nossas principais impressões

Um roteiro de crime

O filme conta a história de um expatriado americano chamado Michael Pearson (Matthew McConaughey), que passa a morar em Londres e constrói um grande império de maconha. Ele decide colocá-lo à venda, o que faz surgirem conspirações, chantagens e subornos envolvendo as principais organizações criminosas da cidade.

Fletcher (Hugh Grant) é um inescrupuloso investigador particular, bastante estiloso e confiante. O homem funciona como uma espécie de narrador do longa, já que é revelado que escreveu um roteiro de cinema baseado nas desavenças de Mickey Pearson, as quais ele testemunhou e documentou. Assim, sua história é usada para nos guiar pelo próprio filme.

É  nesse contexto que conhecemos Ray (Charlie Hunman), braço direito de Pearson, que tem sua casa invadida por Fletcher e é chantageado. O investigador alega saber detalhadamente como funcionam as operações de seu chefe e que pode acabar com os planos dele, forçando Ray a lhe pagar a quantia de 20 milhões de libras.

Imagem: Divulgação

Histórias Paralelas

Enquanto Fletcher narra para Ray tudo que ele sabe sobre o império de maconha que Pearson quer vender para Matthew (Jeremy Strong), nós passamos a conhecer outras peças desse grande tabuleiro, que parecem não ter ligação alguma, até que de repente tem. 

Uma dessas peças é outro grande magnata do crime chamado “Dry Eye” (Henry Golding) que gosta de se utilizar de metáforas sobre a vida animal quando ameaça seus opositores, além de um pouco de ironia. Nos é apresentada também Rosalind (Michele Dockery), a esposa de Pearson, pela qual ele é perdidamente apaixonado. Outra grande criminosa, ela opera um negócio de revenda de peças de carro roubadas.

E a última peça dessa trama é o “Coach” (Colin Farrell), um treinador e professor de artes marciais de um grupo de jovens, que acabam se envolvendo na disputa entre os gangsters sem querer. Isso acontece quando seus alunos invadem uma das plantações de maconha e fazem um vídeo para viraliza no YouTube.

Imagem: Divulgação

Veredito

Uma pena que esse filme não tenha gerado tanto buzz, pois além do elenco maravilhoso, seu enredo é leve e prende o espectador. Diferente de outros longas de criminosos, aqui temos o uso de um humor inteligente, sem gargalhadas, mas com piadas interessantes e que são um verdadeiro alívio cômico diante de tantas cenas de ação.

A direção foi muito bem feita, é impossível não notar que cada detalhe foi minuciosamente pensado, principalmente quando entramos no assunto direção de arte, que brinca com a psicologia das cores nas cenas e na fotografia.

Outro aspecto técnico que chama muita atenção é a trilha sonora. Todas as músicas escolhidas para o filme fazem completo e total sentido com o momento em que foram inseridas, além disso é quase impossível não cantar junto em algumas cenas.

O roteiro é cheio de plot twists, o que deixa o filme longe de ser monótono. Porém, são tantas viradas que chega uma hora que pode cansar o espectador, por ser simplesmente desnecessário. Os diálogos são bem articulados e fluídos, mas não entregam o enredo de bandeja ou são exageradamente expositivos. Por isso, talvez esse seja o maior mérito da produção.

Pontos positivos

  • Narrativa fluída;
  • Diálogos interessantes;
  • Elenco muito bem escolhido;
  • Plot twists bem feitos;
  • Cenas de ação interessantes

Pontos negativos

  • O filme acaba se tornando muito corrido no último ato;
  • A quantidade excessiva de pontos de viradas pode se tornar cansativa

NOTA:  8,5