Veredito de A Freira

12/09/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Acaba de chegar ao cinemas o mais novo integrante do “Conjuring Universe”, saga iniciada pelo filme “Invocação do Mal” (2013). Vendido como o capítulo mais sombrio da série, “A Freira” se passa em um convento romeno e retrata o primeiro encontro com a criatura demoníaca que deu as caras em “Invocação do Mal 2” (2016). Será que a produção merece o título? Confira agora o nosso veredito.

Conexões de uma história

Quando uma freira em um convento remoto da Romênia comete suicídio, o Vaticano recruta o Padre Burke (Demián Bichir) para investigar o caso e envia junto dele a noviça Irene (Taissa Farmiga), jovem prestes a se tornar uma freira. Lá, o passado de cada um se torna crucial à medida que os segredos da instituição são descobertos e uma presença maligna os assombra.

Passando-se em 1952, os eventos de “A Freira” ocorrem meros cinco anos antes dos apresentados em “Annabelle 2: A Criação do Mal” (2017). Por isso, alguns easter-eggs estão presentes. Mas a conexão maior é de fato com “Invocação do Mal 2”. Tanto o início quanto a conclusão do filme se conectam diretamente com as visões da freira que atormentam Lorraine Warren.

Foto: Divulgação

Artifícios

Dos filmes da série, este é o que menos tem um embasamento em acontecimentos reais, sendo sua história largamente ficcional. Talvez por isso, a produção esteja repleta de recursos habituais – e previsíveis – do gênero de terror. Se você viu a pegadinha do Silvio Santos baseada no longa, já está pronto para encarar a obra sem muitas surpresas, visto que vários dos sustos são construídos de forma similar.

É curioso observar os ares de B-Movie do longa, que poderia muito bem ter sido feito nos anos 1990. Em alguns momentos, Padre Burke com seu chapéu lembra até um Van Helsing enfrentando criaturas mortas-vivas: “A Freira” se passa na Transilvânia, afinal. O riso provocado algumas vezes é de nervoso, mas no geral é intencional visto que a trama se utiliza de um alívio cômico na figura de Frenchie (Jonas Bloquet). O elenco está em boa forma e Taissa Farmiga captura a atenção com seu olhar.

O plot não avança por toda a parte inicial do filme, sendo uma sequência de “o que está acontecendo aqui? Vamos descobrir e encontrar jumpscares pelo caminho”. As motivações das personagens são básicas e suas histórias passadas não são tão interessantes quanto poderiam ser. Somente no ato final as coisas realmente acontecem e a produção se entrega de vez ao tom profano – com algumas sequências efetivamente obscuras e instigantes.

Foto: Divulgação

Veredito

O ponto alto de “A Freira”, mais até do que a personagem-título, é a atmosfera obscura do local onde se desenrolam os acontecimentos. Com um design de set eficiente e uma fotografia elegante, a locação real do filme (filmado na Romênia) salta aos olhos e apresenta um ambiente tenebroso, repleto de cruzes e fumaças que subvertem a iconografia sacra em algo sinistro.

Se os superiores “Invocação do Mal” conseguem transcender os clichês do gênero, “A Freira” infelizmente acaba caindo em muitos deles. É uma pena que uma ambientação sombria e um dos antagonistas mais promissores da franquia tenham sido colocados a serviço de um roteiro tão básico.

Se você é fã da saga e acompanhou os filmes anteriores, o filme vale pelas suas conexões com o resto da franquia. Se você procura se divertir com um terror despretensioso, também vale conferir. Mas se você espera um grande filme em que a freira vá lhe deixar apavorado, (re)assista “Invocação do Mal 2”.

Foto: Divulgação