Veredito da terceira temporada de The Good Place

08/03/2019 - POSTADO POR EM Séries
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Disponível na Netflix, “The Good Place” é considerada uma das séries de comédia mais queridas pelo público. O sucesso não é à toa, já que seu criador, Mike Schur, também foi responsável por sucessos como “The Office”, “Parks and Recreation” e “Brooklyn Nine-Nine”.

Na história, Eleanor Shellstrop (Kristen Bell) descobre que está na vida pós-morte e foi enviada por Michael (Ted Danson) ao Lugar Bom. Porém, tudo não passa de um engano e ela, sabendo que não deveria estar ali, vai fazer de tudo para não ser enviada para o Lugar Ruim. Com a ajuda de outros recém chegados, Chidi (William Jackson Harper), Tahani (Jameela Jamil) e Jason (Manny Jacinto), ela procura aprender a ser uma pessoa melhor. Ao final da primeira temporada nos deparamos com uma das maiores reviravoltas das séries televisivas (se não, a maior!).

Na segunda temporada, depois das várias reinicializações, o grupo segue mostrando a força de sua união, e juntamente com o apoio de Michael e Janet (D’Arcy Carden), prosseguem bolando vários planos com o objetivo de merecerem estar no Lugar Bom. Essa busca continua com força total na terceira temporada e, dessa vez, o mote central baseia-se na seguinte questão: “O que você faria de diferente se tivesse uma segunda chance na vida?”.

Chegamos ao fim desse capítulo e vamos contar agora o que achamos de tudo o que rolou durante esses 12 episódios.

O que podemos esperar?

A história se passa em grande parte na Terra e tem seu ponto de partida na oportunidade que Eleanor, Tahani, Chidi e Jason tem de voltarem para suas vidas e, claro, esquecerem as experiências que tiveram no além-vida. No plano mirabolante da vez, em mais uma reinicialização, Michael salva os quatro humanos da morte e junto com Janet monitoram as suas ações na Terra, para que consigam obter a pontuação suficiente para chegarem ao Bom Lugar. É, claro que nada é tão simples como parece e tudo começa a sair do controle.

Nos primeiros episódios, tudo parece meio arrastado e a série perde um pouco da sua empolgação. A narrativa vai entrando num marasmo e temos a sensação de que não está chegando a lugar nenhum. Também não consegue aprofundar o suficiente nos personagens principais por conta dessa mania de reinicializar a história e apagar a memória dos mesmos.

Já pela segunda metade, o enredo consegue ganhar o fôlego necessário e mostra o porquê de “The Good Place” ser tão divertida de assistir. E, os últimos episódios, então, fazem valer a pena termos confiado e jamais desistir dela. A trama retoma de vez a sua harmonia própria e já conhecida da mistura de bom humor com questões ético-filosóficas. Ainda são apresentados dilemas emocionais mais profundos dos quais ainda não tínhamos provado nessa série.

Foto: Divulgação

Mocinhos e vilões

As reinicializações não são de todo mal assim, pois os atores sempre conseguem mostrar uma faceta nova dentro da personalidade de suas personagens e todos, no geral, continuam com uma química apuradíssima. O elenco feminino está sempre dando um show à parte, seja a personagem protagonista ou não.

Destacamos o talento de D’Arcy Carden com uma performance que não se limita apenas às cômicas Janets, do bem e do mal, em um episódio no qual ela é quem comanda. Jameela Jamil foi responsável por momentos divertidos ao adentrarmos no cotidiano de Tahani, incluindo interações com famosos da vida real que tanto menciona (já podiam produzir um spin-off dela e em cada episódio teria a participação especial de alguma celebridade. Alô, Netflix!). E, finalmente, mesmo sendo apenas uma personagem recorrente, é sempre divertido quando a juíza (Maya Rudolph) com sua personalidade excêntrica aparece em cena.

O núcleo dos demônios tem um enorme potencial para ser explorado e nessa temporada, parecia que ia finalmente acontecer, mas continuaram sendo deixados de lado. Mindy St Claire (Maribeth Monroe), a moradora do Lugar Médio, também merecia um pouco mais de atenção. Seu comportamento extravagante e sem nenhum acanhamento já nos propiciou situações bastante cômicas.

Foto: Divulgação

Veredito

Apesar de falhar um pouco no começo da temporada, “The Good Place” continua sendo brilhante. Com um roteiro sutil e criativo, a série faz o espectador rir e, no minuto seguinte, se pegar refletindo e até ficando com os olhos levemente marejados. Fora que é capaz de entregar um humor que prova não precisar insultar ninguém para fazer graça e muito menos subestimar o espectador com elementos tão clichês (apesar de ter criado os próprios clichês).

Em dezembro de 2018, confirmou-se que o seriado foi renovado para uma quarta temporada e alguém pode até pensar que não há mais o que ser contado. Mas, para a alegria dos fãs, ao final da terceira temporada foi apresentado um gancho bastante interessante, pois promete explorar mais de algo que parecia ter sido deixado de lado e isso é ótimo.

Muito provavelmente seja uma escolha proposital mas, na minha opinião, os últimos episódios das temporadas sempre mostram mais do que deveriam. Em vez de ser mostrado apenas na temporada seguinte, o panorama do que vem a seguir já é montado, deixando a gente com a sensação de que ainda não terminou. Só nos resta então aguardar ansiosamente os próximos capítulos.

Foto: Divulgação