Veredito da 3ª temporada de Westworld

04/05/2020 - POSTADO POR EM Séries

“Westworld” encerrou sua terceira temporada fazendo uma grande mudança na estrutura e nos arcos da série. Enquanto os anos anteriores focaram bastante em linhas temporais, questionamentos filosóficos e desenvolvimento de personagens, os novos episódios trouxeram uma trama mais simples e rasa, que não deu um destino muito satisfatório aos seus protagonistas. Confira agora o que achamos da produção.

Mundo novo

Logo antes de a temporada iniciar havia uma grande expectativa sobre o que seria mostrado do mundo humano, até então só acompanhamos acontecimentos dentro dos parques da Delos. O fato de termos anfitriões soltos e livres também levantou questionamentos sobre suas ações, principalmentes as de Dolores (Evan Rachel Wood), que parecia querer liberar uma nova revolução, desta vez contra os seres humanos.

O que pudemos concluir é que os humanos estavam presos em loopings próprios assim como os anfitriões. Esses eram direcionados a eles por uma super máquina conhecida como Rehoboam, que tinha dados o suficientes para estabelecer previsões de como seriam as vidas das pessoas e garantir que elas não saíssem desses planos. Daí a principal e única discussão filosófica trazida pela temporada: o que realmente é o livre-arbítrio?

Infelizmente esse assunto, assim como vários outros acontecimentos, foi explorado de um jeito muito mais raso à que a série já tinha nos acostumado. Mesmo sendo uma discussão extremamente válida, ela foi superficial, não houve grandes diálogos debatendo suas nuances e por isso não pudemos chegar a conclusões satisfatórias sobre o assunto.

Foto: Divulgação

Trajetória confusa

Outro ponto a se observar é o que “Westworld” está fazendo com seus personagens. Ao sair dos parques a série corria muitos riscos, desde sair de um lugar conhecido e que ainda tinha muito a oferecer, até perder rostos conhecidos pelo público e ter de inserir pessoas novas para compensar. 

A segunda questão foi um problema um tanto mal resolvido, pois a produção optou por continuar dando destaque à trama de Dolores ao mesmo tempo em que não havia muitas narrativas paralelas em que se focar. Até tinha, porém elas não foram devidamente exploradas. É só pensar no que Maeve (Thandie Newton), Bernard (Jeffrey Wright) e William (Ed Harris) representaram para essa temporada, foi o retorno de rostos conhecidos, mas que pouco acrescentaram verdadeiramente à narrativa.

Há ainda outros anfitriões que fazem pequenas participações, mas parece mais algo que irá agradar o público e causar uma boa surpresa do que realmente uma necessidade da história. Entre as novas adições tivemos Caleb (Aaron Paul), que possui uma importância um tanto forçada, o ator é ótimo, porém falta essência ao seu personagem. Já com Serac (Vincent Cassel) temos alguém mais interessante, apenas poderia ter sido melhor desenvolvido.

Foto: Divulgação

Ação pela ação

Ao se comprometer em reformular a narrativa de “Westworld”, os produtores parecem ter se focado muito mais em apresentar ao visualmente empolgante, do que com real substância. Isso não parece ter sido um problema no passado, é só lembrar das cenas filmadas nos parques, como tudo era muito bonito e bem filmado, então não havia motivo para priorizar esse fator em detrimento de um roteiro mais bem amarrado.

Os novos episódios trouxeram maiores doses de ação, até mesmo em questão de combate corpo a corpo, que nunca foi um destaque, já que os personagem estavam em uma espécie de Velho Oeste e se valiam muito de armas de fogo ou brancas. As cenas foram todas muito bem dirigidas, nisso a série não perdeu em nada, porém pode parecer um tapa-buraco para evitar os diálogos bem trabalhados que tínhamos com mais frequência antes.

Foto: Divulgação

Veredito

É inevitável ver que “Westworld” teve uma queda de qualidade nesta temporada, não por valor de produção, direção ou fotografia, essas continuam sendo impecáveis. Porém, basta dar uma olhada em episódios anteriores que foram marcantes por suas abordagem diferentes, seus grandes questionamentos e diálogos inteligentes, por pontos como esse o ano atual poderá passar bastante batido na mente dos espectadores.

Uma nova temporada já foi confirmada e mesmo que a série tenha mudado todo o modo da sua narrativa, vamos esperar que ela recupere a sua qualidade de roteiro para os próximos episódios e possa ser novamente aquela produção que surpreendeu a todos em sua estreia.

Pontos positivos

  • Boa direção
  • Computação gráfica impecável e bem usada

Pontos negativos

  • Trama rasa
  • Mal aproveitamento de personagens secundários

NOTA: 6