Veredito da 3ª temporada de The Crown

27/11/2019 - POSTADO POR EM Séries

Depois de quase dois anos de espera, finalmente temos a continuação da história da família real britânica. A segunda temporada conquistou mais ainda os fãs, que ficaram divididos ao saberem da mudança no elenco, já que haveria um salto de tempo e seria necessário uma boa fidelidade ao enredo.

Nas duas primeiras temporadas de “The Crown” a rainha Elizabeth II foi interpretada por Claire Foy, que, apesar de pouco conhecida, conquistou o público e ganhou vários prêmios com a personagem. Já na nova fase, o papel mais importante passou para Olivia Colman, conhecida por atuar na série “Fleabag” e no longa “A Favorita”, pelo qual levou o Oscar de Melhor Atriz deste ano.  

Contexto

A terceira temporada começa por volta de 1964, quando um funcionário da Coroa é acusado de ser um espião soviético infiltrado. Além disso, mais a frente, em 66, aconteceu o Desastre de Aberfan, que provocou o soterramento de uma escola, o que resultou em 144 mortes, entre as quais eram 116 crianças e 28 adultos. Este foi um dos fatos que mais chocou o reinado de Elizabeth. 

Durante o final dos anos 1960 e início dos anos 1970, a política britânica passava por inúmeras crises, a imagem da Coroa já não era mais tão bem vista. A vida luxuosa da Família Real em contrapartida com as dificuldades financeiras que a população enfrentava contribuía para a popularidade da Monarquia cair.

Justamente para sanar os problemas financeiros, a princesa Margaret (Helena Bonham Carter) encontra-se com o presidente americano na Casa Branca. Sua espontaneidade ajuda a estreitar os laços comerciais entre Estados Unidos e o Reino Unido, que não estavam indo tão bem.  

É nessa fase também que o Príncipe Charles (Josh O’Connor) começa a ter mais holofotes, chegando a fazer um discurso em galês no País de Gales, que buscava a independência da Grã-Bretanha. Aqui a Rainha passa a dividir o protagonismo com o seu filho, já que a série começa a focar na vida pessoal e no seu romance com Camila Shand (Emerald Fennell). 

Foto: Divulgação

Ficção X Realidade

Apesar da grande fidelidade à realidade, é claro que houve um toque de ficção para construir e aumentar a dramaticidade do enredo. A equipe técnica de curadoria de figurino e elenco foi mais uma vez brilhante, a semelhança é surreal e em alguns momentos fica praticamente impossível de distinguir o que não é verdadeiro.

Alguns fatos não são tão verídicos quanto parecem. Um deles é a visita de Elizabeth à casa de Winston Churchill (John Lithgow), que estava em seu leito de morte, esse fato nunca aconteceu. Apesar do seu papel importantíssimo na vida da monarca, a cena foi montada pelos roteiristas para ilustrar a estreita relação que os dois tinham.

No caso da mãe do Príncipe Phillip (Tobias Menzies), Princesa Alice (Rosalind Cavaleiro), ela era sim uma figura muito excêntrica, tendo uma vida realmente difícil. Nasceu surda, foi diagnosticada com esquizofrenia, sendo uma das pacientes do famoso Freud e ainda foi freira. Isso tudo é sim verdade, porém a relação entre mãe e filho não funcionava bem como foi mostrada na série. Os dois eram próximos e o próprio convidou a mãe para morar junto dele na casa da Família Real e não Elizabeth e Anne.

Foto: Divulgação

Veredito

“The Crown” se consagrou como uma das séries mais famosas e premiadas da Netflix. É impossível ficar indiferente vendo toda a riqueza de detalhes. Também é perceptível que existe um grande estudo para a montagem dos roteiros, além de uma entrega dos atores. Ao assistir a um episódio da série, parece que estamos dentro palácio e convivendo com os personagens. 

Nessa temporada, o padrão de qualidade foi mantido, apesar da mudança de elenco. No site de crítica de IMDb, todos os episódios até o fechamento do texto estão com nota superior a 8.  

Pontos Positivos:

  • Escolha acertada do elenco;
  • Excelente direção;
  • Fotografia impecável;
  • Figurino coerente

Pontos Negativos:

  • Alguns episódios tem um teor grande política, sendo um pouco difícil de agradar quem não gosta do tema;
  • A relação de Charles e Camilla poderia ter sido mais explorada;

NOTA: 9