Veredito da 1ª temporada de I Am Not Okay with This

29/02/2020 - POSTADO POR EM Séries

Apostando em produções com um público teen e referências a décadas passada, a Netflix lança a série “I Am Not Okay with This”, que é estrelada por dois atores que participaram do remake recente de “It: A Coisa”: Sophia Lillis e Wyatt Oleff. Contando com 7 episódios que ficam na faixa dos 20 minutos, o seriado é aquele tipo de maratona fácil, que vai te deixar satisfeito no final.

Vamos contar aqui nossas impressões sobre esse Original do streaming, baseado em uma Hq americana homônima. 

“Querido diário… Vá se f*der”

É com essa frase que a nossa protagonista e narradora Sydney (Sophia Lillis) inicia sua participação na série. Além do tom revoltado, também podemos ver a garota correndo e coberta de sangue, então já ficamos ciente que algo muito ruim está para acontecer. Voltando um pouco para o início da história, conhecemos o dia a dia de Syd, ela mora com a mãe e o irmão em uma cidade pequena, ainda está sofrendo pela morte do pai, tem um vizinho adolescente meio estranho e uma única e melhor amiga.

O diário da frase em questão veio da conselheira da escola, que acredita que Syd pode se beneficiar em colocar seus sentimentos no papel. A príncipio, meio a contragosto, a garota começa a escrever. Com o passar do tempo ela se sente mais confortável em externar nele suas angústias adolescentes, que incluem uma queda pela melhor amiga, sentimentos confusos pelo vizinho esquisitão Stanley (Wyatt Oleff) e uma inexplicável aparição de poderes sobre- humanos.

Foto: Divulgação

Passado conturbado

A vida de Sydney é atormentada pelo fato de seu pai ter se suicidado há um ano e sua mãe se recusar a conversar sobre o assunto, dessa maneira a garota precisa reprimir seus sentimentos, o que a série nos leva a crer que é a razão da manifestação dos seus poderes. Como muitas personagens que possuem telecinese, as suas habilidades são bastante influenciadas pelo humor. O que se torna um ponto importante na série, Sydney não tem controle sobre o que ela faz, é o poder que a controla, o que mostra o quão frágil emocionalmente a garota é.

Sophia Lillis está bastante confortável no papel, ela consegue passar bem todas as emoções vivenciadas pela personagem: alegria, tristeza, medo, ira. Seu companheiro de tela, Wyatt, é igualmente bom interpretando o amigo atrapalhado que tem uma queda pela protagonista. Ele é o único que conhece o seu segredo e faz de tudo para ajudá-la no processo de descobrimento. O restante do elenco não brilha tanto, mas em geral estão todos bem.

Foto: Divulgação

Referências

A série é bem construída em torno de sua personagem principal, embora chame mais atenção por conta da imprevisibilidade do uso dos poderes, já que todo o drama adolescente já foi retratado um suficiente número de vezes para não aguardar muitas surpresas para os espectadores. A produção também bebe de fontes conhecidas, como “Clube dos Cinco”, “A Garota de Rosa-Shocking” e principalmente “Carrie, a Estranha”. É notável a influência deste último quando vemos a percepção dos poderes, a relação conturbada com a mãe e especialmente uma cena de baile que acaba de maneira trágica.

Até mesmo no final (sem spoilers) a série tem uma finalização misteriosa que parece revelar uma ligação com os X-Men, sem falar da semelhança dos poderes de Syd com os da Jean Grey. Bebendo de fontes assim fica mais fácil se relacionar com a produção, que oferece uma narrativa acertada, que agrada pela simplicidade.

Infelizmente o seriado não sai muito disso, ele ainda não oferece algo de excepcional que vá criar uma legião de fãs, mas com uma história com esse potencial, é de se esperar que a trama cresça e tenha novidades para oferecer em seu segundo ano.

Foto: Divulgação

Veredito

A grande vantagem de “I Am Not Okay With This” é sua curta duração e narrativa fluida. Com uma média de 20 minutos por episódio, a série não deixa espaço para barrigas e tramas desnecessárias, ela consegue ir direto ao ponto sem entediar o público, então tem a dose certa para ser assistida toda de uma vez.

Os personagens carismáticos também conseguem deixar a produção mais atrativa, é muito fácil se importar com a protagonista confusa, seu irmão mais novo inocente e o melhor amigo esquisito. Infelizmente ela perde mais a força quando se concentra no drama adolescente, o ponto mais interessante é a exploração da sexualidade de Syd, que acontece de maneira natural, porém os conflitos com a amiga e o namorado babaca dela em nada rendem de novo.

De toda maneira a produção nos oferece o seu quê de especial ao tratar do lado sobrenatural da protagonista. Com a reviravolta que tivemos no final, espera-se que a Netflix renove a produção e que tenhamos Syd descobrindo mais sobre suas habilidades e uma maneira segura de usá-las. 

Pontos negativos

  • Falta de algo a mais que possa prender o público
  • Drama adolescente já batido

Pontos positivos

  • Boas atuações
  • Narrativa fluida e sem enrolação
  • Trilha sonora envolvente

NOTA: 8