Veredito da 1ª temporada de Cursed – A Lenda do Lago

22/07/2020 - POSTADO POR EM Séries

Com a proposta de dar uma repaginada nas lendas arturianas, Cursed – A Lenda do Lago é a nova aposta de fantasia da Netflix. Com 10 episódios em sua primeira temporada, a série traz aspectos interessantes da história medieval, porém mal executados. Veja o nosso veredito sobre a produção.

Novo protagonismo

Baseado em um livro homônimo escrito por Thomas Wheeler e com ilustrações do quadrinista Frank Miller, a série tem personagens do ciclo arturiano, porém com novas personalidades e objetivos. Aqui o protagonista não é Arthur (Devon Terrell), embora ele esteja presente, mas sim Nimue (Katherine Langford), uma garota pertencente à raça mágica dos feéricos que possui uma estranha conexão com forças obscuras.

A famosa espada Excalibur (mas que não é nomeada na série) está em posse de uma sacerdotisa feérica, a mãe de Nimue, que a entrega para a filha e a incube da missão de entregá-la para Merlin, o Mago (Gustaf Skarsgård). A garota tem a ajuda do cavaleiro Arthur em sua missão, enquanto tem como obstáculo os Paladinos Vermelhos, grupo religioso que deseja eliminar todos os seres mágicos que existem.

Uma curiosidade sobre a produção é que a atriz Katherine Langford cantou uma música original para a trilha da série. A canção se chama I Can Be Your King e está o youtube oficial da Netflix, você pode conferir aqui.

Foto: Divulgação

Mesmos personagens, novas missões

Ao longo da jornada vamos nos deparando com nomes conhecidos como Nimue, Arthur, Merlin, Morgana (Shalom Brune-Franklin), Uther Pendragon (Sebastian Armesto) e Gawain, o Cavaleiro Verde (Matt Stokoe). Esses e mais alguns são personagens presentes nos ciclo arturiano que fazem parte das lendas clássicas, mas que ganham uma nova roupagem em Cursed.

Nimue é a Senhora do Lago, líder espiritual da ilha de Avalon, enquanto em Cursed ela se torna a rainha que toma posse da espada dos reis. Arthur, antes o soberano, agora é um cavaleiro de pouca honra; Morgana ainda é sua irmã, mas ela não possui poderes mágicos aqui. Merlin não tem relações com Arthur, sendo que nas lendas ele é seu conselheiro, na série ele também não parece ser tão sábio, sendo mostrado bêbado muitas vezes.

Mesmos diferentes de suas versões originais, os personagens parecem se encaixar de uma forma confortável na nova narrativa. O que pode gerar algum incômodo é o ar mais largado de Merlin, que não lembra em nada um homem sábio, e o romance que a produção insiste em travar entre Nimue e Arthur. A relação soa um pouco mais verdadeira no final da temporada, mas toda a historinha de amor à primeira vista é batida demais para ser agradável.

Foto: Divulgação

Caminhos e desenvolvimento

Apesar da maioria dos personagens principais se encontrarem em algum momento, eles passam bastante tempo participando de missões solo ou em duplas. Essa não parece ser a melhor maneira de aproveitar os protagonistas, já que a quantidade de histórias paralelas faz a trama principal perder um pouco do foco. Em determinado momento da temporada o conflito dos Paladinos Vermelhos com o rei e a Igreja parece mais interessante do que a dificuldade de Nimue para tomar uma decisão.

E aqui vamos para um outro problema. A nossa personagem principal é colocada em uma posição de liderança por conta da posse da espada, porém, mesmo que sua motivação seja genuína, seu papel de rainha não é. Nimue vaga muito para alcançar seus objetivos, mas tem pouco crescimento real, então quando ela se torna uma líder é difícil de acreditar que possa tomar esse poder para si.

Isso também acontece com alguns outros personagens, que tem suas jornadas pouco definidas e assim não conseguimos ver um crescimento real. Nimue seria melhor aproveitada ao explorar sua força mágica, ela não tem qualquer treinamento com a espada e quando a usa acaba soando desajeitado. Morgana também ganha um objetivo, mas que logo é deixado de lado por uma reviravolta sem explicação e Arthur parece muitas vezes estar lá apenas para seguir sua amada.

Foto: Divulgação

Veredito

Apesar da proposta interessante, Cursed – A Lenda do Lago sofre ao não dar objetivos claros e executáveis aos seus personagens, fazendo com que suas trajetórias oscilem em demasiado. O mesmo acontece com o roteiro da série, que é conduzido de maneira arrastada, com conveniências bobas para fazer seus personagens saírem de situações complicadas.

A computação gráfica é sofrível e a produção se beneficiaria do uso de mais efeitos práticos. Se nós estamos sendo inseridos em um mundo de fantasia, é preciso acreditar nele e algumas cenas tiram a nossa atenção por conta de elementos que soam falsos. Um ponto oposto a isso e que merece destaque é o uso de belíssimas ilustrações durante as transições de cena, o que faz crescer o visual da produção.

Cursed recupera seu fôlego nos episódios finais depois de um início fraco, mas talvez o espectador não queira passar por essa provação para aproveitar o pouco de bom que o fim da temporada traz. Mesmo com personagens carismáticos, temos atuações fracas e o roteiro sofre com altos e baixos. 

O primeiro ano da série finaliza com muito em aberto, então só nos resta aguardar por uma renovação da Netflix para descobrir sobre o futuro de Nimue e dos feéricos. E também esperar que o roteiro de uma nova temporada seja mais consistente e dê uma jornada digna à personagens que veem de lendas tão famosas. 

Pontos positivos

  • Personagens carismáticos
  • História interessante

Pontos negativos

  • Computação gráfica de baixa qualidade
  • Roteiro inconsistente com a jornada dos personagens 

NOTA: 6,5