Veredito da 1ª temporada de Boca a Boca

26/07/2020 - POSTADO POR EM Séries

A mais nova série brasileira no catálogo da Netflix, Boca a Boca, traz uma trama extremamente condizente com a situação que vivemos com a pandemia. Com uma direção competente e cenas visualmente marcantes, saiba agora tudo que achamos sobre a produção.

Contaminação

A premissa da série é simples: em uma cidade fictícia do interior conhecida como Progresso uma estranha doença se espalha entre os adolescentes depois de uma festa regada a drogas e muitos beijos. Os pais superprotetores da cidade ficam alertas e vemos a praga tomar posse pouco a pouco dos jovens, um mal que afeta os seus sentidos, os deixando confusos, com visão turva, sem paladar ou tato.

Em paralelo a isso acompanhamos também alguns dramas internos. Chico (Michel Joelsas) acabou de se mudar para o interior e tem que conviver com o pai rígido, enquanto tenta explorar mais de sua sexualidade com um homem mais velho. 

Fran (Iza Moreira) ainda lida com a morte da irmã gêmea na infância, assim como com as fragilidades físicas da mãe. E Alex (Caio Horowicz) tenta se impor como vegano em uma família criadora de gado, ao mesmo tempo que mantém um relacionamento virtual com uma pessoa que ele não conhece de verdade.

Psicodelia

A cidade de Progresso mantém uma relação cheia de atritos com uma comunidade que eles chamam de “a Seita”, mas o jovens são atraídos para o local com as promessas de festas com consumo livre de drogas. O ambiente mostrado nessa espécie de rave é o visualmente mais marcante, a direção abusa de cores neon e luzes em movimento, os próprios personagens se vestem de maneira mais extravagante, combinando com o ambiente.  

Esse é certamente o ponto que faz a série se destacar, com uma trama que possui poucos aprofundamentos, o que prende o expectador é a maneira como as cenas são filmadas para destacar o que acontece. Mesmo fora das festas as cores são bem saturadas e chamam a atenção. A trilha também se encaixa nesse contexto, com músicas remixadas, dando um tom mais jovial e divertido à produção.

Jovem sendo jovem 

Outra questão que chama a atenção é a maneira como Boca a Boca mostra o contraste entre a cidade pacata interiorana e os adolescentes altamente conectados. Muitas cenas importantes são mostradas através das telas de seus celulares, por meio de aplicativos de mensagens ou de redes sociais.

A série também consegue mostrar o típico comportamento jovem nessas situações, que seria agir de maneira mais inconsequente, fazendo comentários mal pensados e saindo escondidos mesmo com uma doença se espalhando. Em momentos assim a produção espelha muito do que estamos vivendo neste momento com a pandemia, é fácil ver personagens tomando atitudes impensadas antes de perceber a gravidade da situação.

Infelizmente mesmo com uma trama tão relevante no momento, a série tropeça ao deixar passar furos de roteiro e certas inconsistências. Ela se perde um pouco ao não manter o foco na trama da doença e querer abordar diversas subtramas, mas sem nunca aprofundar totalmente.

Veredito 

Boca a Boca consegue ser marcante por seu visual ousado e trilha sonora forte, mas perde a força ao tentar abordar uma gama grande de assuntos em poucos episódios, embora os apenas seis capítulos ajudem a não esticar demais a trama principal da doença. Porém, ela se beneficiaria de um roteiro mais focado e sem tantas subtramas.

Os personagens conseguem ser bem aproveitados e é fácil se importar com eles e suas histórias, mas a impressão que fica é que precisamos saber mais para entender totalmente o que acontece na cidade. O final é deixado em aberto e com certos ganchos para uma provável segunda temporada, agora é aguardar para ver se a série fará sucesso e ganhará seu segundo ano. O potencial está lá, só é preciso explorá-lo de forma mais focada.

Pontos positivos

  • Visual psicodélico marcante
  • Boa trilha sonora
  • Personagens carismáticos

Ponto negativos

  • Furos de roteiro
  • Falta de foco na trama

NOTA: 8