Veredito da 3ª temporada de Stranger Things

16/07/2019 - POSTADO POR EM Séries

Lançada no dia da comemoração da independência americana, a terceira temporada de “Stranger Things” chegou para acabar com a ansiedade dos fãs, que depois da cena final do ano anterior estavam curiosos para saber como o Devorador de Mentes voltaria a perturbar a vida da não tão pacata cidade de Hawkins. Confira abaixo as nossas impressões sobre os novos episódios.

E se você ainda não começou a sua maratona e precisa relembrar as temporadas anterior primeiro, não deixe de conferir o nosso resumão de Stranger Things no novo episódio do Roteiro Cast, o podcast do Roteiro Nerd.

Verão de 85

Diferente das temporadas anteriores, o 3º ano de “Stranger Things” se passa durante as férias escolares, então vemos os personagens com mais tempo livre para se dedicarem às suas aventuras e também o desenvolvimento de novos cenários. Um dos principais certamente é o Starcourt Mall, o recém-inaugurado primeiro shopping da cidade, que vira instantaneamente uma febre entre os moradores de Hawkins, principalmente os mais jovens.

A partir disso se desenrola rapidamente o que virá a ser os núcleos dessa temporada: temos Mike, Eleven, Lucas, Max e Will vivendo seu conflitos de pré-adolescência, mas que logo se voltam para uma investigação sobre o possível retorno do Devorador de Mentes. Enquanto isso Dustin, Steve, Erica e a nova personagem Robin começam averiguar uma possível invasão russa na cidade. 

Hopper e Joyce se voltam para um mistério que envolve o antigo laboratório que manteve El presa, enquanto Jonathan e Nancy se jogam em um trabalho investigativo para o jornal local que envolve estranhos comportamentos vindos de ratos. Billy, o irmão mais velho de Max, também passa por uma experiência perturbadora que o coloca como o catalisador dos problemas dessa temporada.

Foto: Divulgação

Mudanças e crescimento

Assim como nos anos anteriores, “Stranger Things” segue sua fórmula padrão de núcleos que fazem investigações separadas, até que no final todos se juntam para resolver o grande problema. Porém aqui esse modelo é melhor apresentado do que na temporada passada, que trouxe basicamente uma divisão maior para Eleven, enquanto deixava as outras crianças lidando com algo que certamente daria errado. 

Dessa vez, vemos uma coesão maior entre os grupos, sendo o auge aquele formado por Dustin, Steve e as garotas. Erica, ainda que relutante, auxilia a apurar o caso dos russos e Robin é perspicaz o suficiente para solucionar todo o mistério praticamente sozinha. No núcleo com o restante das crianças o foco são as dores do crescimento – todos eles estão entrando na fase da adolescência e, enquanto a maioria se adapta com naturalidade, Will se recusa a abandonar as lembranças da infância. 

Ainda que pouco explorado, a série conseguiu trazer uma abordagem sensível para o tema e é impossível não se identificar com os temores dessa fase, afinal, quem nunca teve receio de abandonar a segurança e o conforto da juventude para encarar a dura vida adulta?

Foto: Divulgação

Guerra Fria e conflitos

No período em que a série se passa o mundo ainda estava mergulhado na Guerra Fria, conflito travado entre os Estados Unidos e a União Soviética dos anos 40 ao 90. Dessa maneira, desde a primeira temporada vemos menção aos russos de uma maneira negativa, porém apenas neste ano tivemos os soviéticos entrando de cabeça como vilões na história. 

Isso tudo acaba acontecendo de maneira bem caricata, com homens fardados e se semblante sério ameaçando a paz do american way of life (estilo de vida americano). Porém levando em consideração o momento histórico, faz sentido que os personagens tenham esse tipo de visão dos camaradas da Rússia. Mas ainda assim os episódios terminam deixando em aberto o questionamento sobre o envolvimento dos soviéticos em toda a trama do mundo invertido.

Foto: Divulgação

Veredito

Apesar de questionamentos que permanecem no final, essa temporada conseguiu ter uma trama fechada. Os conflitos de personagens foram resolvidos e a sensação que fica no final é de mudança. Com toda essa questão do crescimento e amadurecimento das crianças, é uma mensagem da própria série para o telespectador afirmando que está tudo evoluindo. Mesmo que eles sigam um padrão, os protagonistas não serão mais os mesmos e a trama em si fica cada vez mais densa. 

Um ponto importante deste 3º ano é que ele foi o mais sombrio de todos até agora. A violência foi mais acentuada e o monstro se mostrou bem mais perigoso, exibindo uma expansão de seu poderes que não conhecíamos antes. Isso só nos deixa mais apreensivos para ver o que os nossos protagonistas ainda terão que enfrentar. 

Lembramos que a Eleven é o único escudo deles, já que ela tem superpoderes, mas até quando ela conseguirá enfrentar tudo sozinha? Com todas essas mudanças, esse seria um bom momento para conhecermos as outras pessoas que também fizeram parte do laboratório de Hawkins – já vimos a nº 8, mas devem haver outras. Isso deve ser essencial para os confrontos que virão nas próximas temporadas, que já aguardamos ansiosamente.

Pontos positivos

  • Trama evoluindo e ficando mais densa
  • Direção bem trabalhada
  • Bom desenvolvimento de conflitos de personagens
  • Trilha sonora marcante, destaque para a cena musical entre Dustin e Suzie <3

Pontos negativos

  • Pouco aproveitamento de alguns personagens do grupo das crianças
  • Desenvolvimento confuso do Hopper, em alguns momentos eles voltou a ser o machão revoltado da primeira temporada

Nota: 9,5