Venom: Veredito de um suposto vilão

05/10/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Dirigido por Ruben Fleischer, “Venom” é o primeiro título da Sony em seu próprio Universo Marvel, tendo como finalidade introduzir o personagem Eddie Brock (Tom Hardy), um repórter investigativo que ao se mutar com um simbionte, desenvolve poderes que o transformam em um dos antagonistas mais icônicos dos quadrinhos.

O filme, que estreou essa semana e procura dar um background ao personagem, possui altos e baixos enquanto aposta em uma narrativa mais cômica e, às vezes, não muito fiel às HQs.

Adaptação de um clássico

A responsabilidade de uma transposição desta proporção para as telonas é enorme, não há dúvidas, e o desafio de apresentar a releitura de um personagem já muito conhecido e respeitado da cultura pop é um trabalho complicado. O longa parece se perder no meio dessas possibilidades, apresentando um filme que peca em vários pontos com uma representação fraca do vilão.

Tom Hardy, ator indicado ao Oscar pela atuação em “O Regresso” (2015), interpreta Eddie Brock de forma carismática e com humor bastante particular. O ritmo do ator mantém o espectador empolgado quanto à trama, mas o roteiro atropelado e às vezes cansativo, impede-o de um desenvolvimento mais aprofundado.

O filme é escasso de momentos memoráveis. As cenas de ação empolgam pouco e fazem a audiência lamentar pelo vilão incompleto e incoerente, que não se equipara sequer à sua aparição como coadjuvante do terceiro filme da franquia original do Homem-Aranha. Dirigido por Sam Raimi, o filme de 2007 apresentou Topher Grace (de “That ’70s Show”) como o icônico antagonista.

Imagem: Divulgação

É vilão mesmo?

Desta vez, o já conhecido sanguinário das histórias em quadrinhos da Marvel torna-se — de forma bagunçada e sem uma explicação convincente — um herói com senso de humanidade e empatia, representando a transformação de um personagem conhecido por seu comportamento violento e caótico em um monstro de estimação de Eddie. O que é, para muitos, um balde de água fria. 

Assim, a obra do herói mais sombrio da Sony, com cenas violentas e inúmeros palavrões, se perde em uma relação desordenada entre Eddie e o simbionte. Entretanto, há quem considere que essa relação, da forma louca que é construída na tela, representa um abraço do lado galhofa das coisas e pode divertir a audiência. 

O enredo também traz Riz Ahmed (de “The Night Of”) como Carlton Drake, líder de uma empresa de manipulação biológica que Eddie investiga a fim de conseguir seu grande furo jornalístico. A relação do protagonista com sua noiva, Anne Weyin (interpretada por Michelle Williams), é colocada em cheque pelo trabalho e, ao perder a mocinha e o emprego, Brock acaba jogando tudo para o alto. No entanto, até mesmo a resolução do problema com o “homem mau” da história parece muito rápida e sem grandes dificuldades.

Imagem: Divulgação

Veredito

É lamentável que o adorado vilão, entregue pelo grande Tom Hardy, tenha seu potencial desperdiçado numa adaptação pouco consistente em uma releitura passável dos quadrinhos pela Sony, que mantém seus tropeços e realiza mais um fraco investimento. Há que se dar o crédito pela atuação de Hardy, que faz até as falas da “criatura”. Se você gostou da interpretação do britânico em “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012), provavelmente vai curtir essa também. Como Bane e agora na pele de Venom, é indiscutível o que o ator pode fazer não só com sua expressão do rosto e do corpo, mas sobretudo com a voz. A escolha de outros dois excelentes atores dramáticos (Ahmed e Williams), porém, acaba ficando meio injustificada, resultando em um inimigo sem muita ameaça e um par romântico sem tanto engajamento.

Os efeitos especiais, por outro lado, estão muito bons, e o visual do monstro agrada a quem acompanha os quadrinhos, mas não passa muito disso. Finalmente, “Venom” chega aos cinemas com muitas promessas, mas se confunde com o que a própria obra se dispõe a contar. É um filme de (um) Universo Marvel, capaz de divertir com um humor inusitado, mas que ao distanciar-se da ascendente qualidade das adaptações do selo, traz cenas desnecessárias e pode deixar o público (e especialmente os fãs) com o sentimento de que a obra é um desserviço. Vale esperar pela (segunda) surpresa pós-créditos, porém, se você quer continuar ao lado do Homem-Aranha.