UNDERTALE: uma aventura de escolhas inesquecíveis

19/10/2017 - POSTADO POR EM Jogos
Post thumbnail

Já imaginou um RPG onde você pode escolher se mata ou não seu inimigo? É disso que se trata “Undertale”. Esse delicioso joguinho de gráficos simplificados e trilha sonora maravilhosa é uma experiência importantíssima para todo mundo, e aqui vem um belo resumão de como vale a pena. Ele está disponível na Steam para Windows, Mac e Linux, e agora também para Playstation 4 e Vita.

Era uma vez…

“Undertale” é um RPG indie criado em 2015 pelo desenvolvedor e compositor Toby Fox. Nele, o jogador controla uma criança humana que caiu no subterrâneo, uma grande região isolada abaixo da superfície do planeta, que é separada por uma barreira mágica. Esse protagonista encontra vários monstros durante uma missão para retornar à Terra, e pode optar por pacificar ou subjugar monstros para poupá-los ao invés de assassiná-los. As escolhas afetam os diálogos, personagens, e a história em si com base nesses resultados.

Essa criança (sem nome) encontra Flowey, uma flor simpática que lhe ensina a mecânica do jogo e lhe encoraja a aumentar seu LV – que ela traduz como Love, ou Amor – ao matar monstros. Quando a flor tenta matar a criança para roubar sua alma, é detida por Toriel, uma senhora monstro semelhante a uma cabra, que ensina a humana a sobreviver aos conflitos no subterrâneo sem violência. Ela pretende adotá-la a fim de protegê-la do rei dos monstros, Asgore, que exige que todo humano que cai seja sacrificado para abrir a barreira.

Foto: Divulgação

Um novo conceito de batalha

O sistema consiste em um bullet hell – subgênero do tipo atirador que mostra o personagem em um assalto solitário, onde se dispara contra um grande número de inimigos enquanto se desvia de ataques. Só que no caso de “Undertale”, você só desvia, já que além da opção de luta você tem a opção de “agir” (ACT, na nomenclatura do game). Nisso, você pode interagir com monstros. Normalmente, eles possuem algum problema, e você pode resolver, e ao simpatizarem com seu personagem, o herói pode poupar a vida deles.

Cada tipo de monstro possui um passado e problemas distintos, então até eles têm um certo arco histórico bem trabalhado. Isso destoa muito de outros vilões de RPG, que normalmente possuem gráficos genéricos e clonados, e zero interações pessoais. O sistema de luta também conta com pequenas variações únicas de cada mini-boss, e tudo isso contribui para impedir que o jogo fique monótono, já que não precisa ficar gastando horas para subir o nível do personagem.

Foto: Divulgação

Pacifista x Genocida

A primeira vez que eu (#Jessica) joguei “Undertale” não foi muito divertida, e na época nem entendi o porquê. Eu matei gente importante por pura preguiça de procurar outro caminho, fora inúmeros personagens “irrelevantes”, pois é o que você automaticamente faz durante um RPG, certo? Você vê um inimigo e o elimina. Mas o jogo logo fez com que eu sentisse o peso de cada personagem que matei, e isso me levou a rever cada ação. Já fui mais preparada para a segunda tentativa, decidindo fazer o que “Undertale” desafia o jogador a executar. Foi aí que descobri que o motivo pelo qual eu não me diverti tanto antes era o fato de que estava seguindo pelo caminho errado. Não é legal quando você mata gente. É triste, e todo o peso na consciência corta qualquer diversão. Quando eu joguei mantendo amigos foi a melhor experiência da minha vida. É realmente um jeito único de interagir com os personagens e nos leva a ter os momentos mais felizes.

Existem duas rotas especiais para a história. A primeira é o modo Pacifista, que é ativado se todos os personagens forem poupados – desde o menor dos monstrinhos até quem parece ser impossível de batalhar sem matar. Ele libera um estágio extra onde você aprende muito sobre o passado de alguns personagens, principalmente sobre como a famosa “determinação” funciona. Definitivamente recomendo essa rota, pois é muito emocionante quando todo mundo que está vivo aparece pra dar um apoio moral na luta final; é a coisa mais linda.

Para iniciar o modo Genocida, você precisa matar todo mundo na primeira fase – todo mundo MESMO. Você precisa seguir até que o jogo lhe avise que “ninguém mais vai aparecer”. Esse é o caminho mais rápido, mas também o mais sombrio. A rota só custa para ser ativada, já que demora um pedaço até encontrar todos os monstros nas ruínas, e não tem como fazer isso sem querer. Você realmente sabe o que está fazendo, e o jogo fortifica esses sentimentos dizendo como você é malvado desde o começo. Não sobra tempo para qualquer diversão das rotas anteriores, pois você tem um único objetivo: assassinar todo mundo.

Você quer sentir o peso completo de “Undertale”? Jogue todas as rotas, incluindo uma neutra. Não é como outros do gênero, que um final anula outro como se cada um fosse universo alternativo. Todas as histórias são igualmente importantes e completam uma trama bem maior. O que é mais fascinante nessas inúmeras possibilidades de jogar é que suas ações em rotas anteriores continuam lá para experiências futuras. Se quiser realmente fazer tudo do zero, só reinstalando o jogo. Isso mostra que suas ações permanecem, mesmo que você pense que pode recomeçar e ninguém vai lembrar de nada, bem como na vida real.

Foto: Divulgação

Personagens

Graças às várias possibilidades de finais, você pode ser amigo de um personagem e conhecer seus gostos, sonhos… E no outro, podem ser inimigos, descobrindo como agem ao serem pressionados até o limite e mostrando suas forças e fraquezas em seus pequenos arcos de história. Se tiver disposição, você pode até interagir com todos os NPCs e conhecer mais sobre a vida deles e suas funções. Por consequência, aprende-se mais sobre a vida no submundo. 

Além de Toriel e seu senso maternal, ou Asgore e sua mágoa constante em relação aos humanos, outros personagens possuem igual ou maior importância no enredo: Papyrus e Sans são dois irmãos esqueletos que gostam de piadas e quebra-cabeças, e também os personagens favoritos de quase todo mundo; Undyne é uma mulher-peixe da guarda real de Asgore, mestra de Papyrus e de personalidade extremamente forte; Alphys é uma pequena menina dinossauro que representa a nossa juventude, sempre na internet e fissurada em animes. Ela também é uma grande cientista com papel importante na história geral, e criadora do robô Mettaton – o melhor apresentador de televisão desde Silvio Santos na juventude; também temos o fantasma com uma crise de autoestima bem forte, Napstablook, que escuta vaporwave bem tristinho no chão da sala, entre muitos outros a serem conhecidos durante o trajeto.

Foto: Reddit

Uma nova visão de RPG

“Undertale” faz um bom trabalho em contrastar momentos engraçados e dramáticos, te fazer ficar apegado aos personagens e apresenta vários dilemas morais ao te fazer decidir quem vive e quem morre. Boa parte dos jogos pode fazer você passar o tempo, mas quando um faz você parar e pensar sobre algo tão intenso e enriquece sua vida, esse é um jogo que vale a pena jogar. E é isso que “Undertale” faz. Ele não me fez avaliar como só RPGs funcionam, mas também como a maioria dos games funciona. É um jogo que faz cada ação ter um peso e nos força a refletir sobre o que se está fazendo antes de não ter mais volta.