Três filmes sobre drama familiar para ver e se emocionar

24/03/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Quem nunca ficou emocionado ao ver um filme que mostra uma família passando por dificuldades? Cada filmes pode ser o retrato da realidade de muita gente e, mesmo quem não passou por isso, o fato de ter uma família, torna-o totalmente suscetível. O drama familiar é algo inevitável, seja por motivos simples ou complexos.

O cinema explora bem esse assunto e constantemente vemos obras que abordam as relações familiares, principalmente no gênero drama. Por isso, separamos aqui três recomendações de filmes que contêm drama em família em diferentes abordagens. Vamos conferir?

Mommy (2014)

O longa-metragem do jovem diretor canadense, Xavier Dolan, é impactante, surpreendente e bonito. “Mommy” retrata a relação difícil entre os personagens Diane e Steve, mãe e filho respectivamente. O jovem problemático e violento acabara de ser expulso da escola interna por atear fogo numa cafeteira, causando queimaduras em um colega.

Diante dessa situação, a responsabilidade de cuidar do garoto em tempo integral passa para Diane, viúva que vive da renda de um emprego nada estável. No filme, todas as conversas são de imprevisível resultado, assim como as ações de Steve, deixando a impressão de que a qualquer momento tudo vai explodir em uma agressão física ou verbal.

Tecnicamente falando, um ponto de destaque é que Xavier Dolan consegue passar toda a sensação de sufoco de Die em relação ao comportamento do filho. O formato da tela, na maior parte do filme, é quadrado vertical (1:1), expandindo-se em raros momentos de alívio durante a trama, o que pode afastar algumas pessoas.

A narrativa ganha muita força após a aparição da vizinha Kyla, que surge como uma ajudadora após um surto esquizofrênico de Steve. A inserção de outro drama pessoal, que se mistura ao da família, dá uma comoção maior ao filme e os problemas passam a ser vividos a três, deixando a obra de Dolan ainda mais densa e interessante.

Elena (2013)

Um documentário nacional de 1h 22min, um sentimento que é difícil de ser descrito. Elena é um filme incômodo, causa desconforto e traz uma história sensível ao mesmo tempo que profunda. A diretora e roteirista do filme, Petra Cotes, traz à tela sua própria história de vida e mostra a sua relação com Elena, uma irmã mais velha que viaja para Nova Iorque com o sonho de ser atriz e viver da arte, após superar vida clandestina que levava no Brasil na época da ditadura militar.

É muito difícil falar de “Elena”, tanto o filme quanto a mulher. Desde seu trailer o filme é poesia narrada, numa construção com imagens que beiram o impressionismo e mostram a fluidez das memórias de Petra Cotes à respeito de sua irmã. Desde suas primeiras retratações, a mulher se demonstra um vendaval de emoções e desconstruções, resultando em profunda frustração.

Neste documentário, o conteúdo e a forma são impressionantes, e a história melancólica encontra na imagem uma forma de ser notada. Tristeza, dor e confusão, “Elena” traz esses sentimentos desde seus primeiros minutos e remonta o sofrimento e a subjetividade de Petra Cotes, que revisita suas lembranças dolorosas para dar fim ao sofrimento de lembrar.

A maior reflexão deste drama familiar é sobre como uma influencia a vida da outra de forma definitiva, ou parcialmente eterna, por mais paradoxo que isso pareça.

Capitão Fantástico (2016)

Provavelmente este é o filme mais leve das recomendações. “Capitão Fantástico” traz, por intermédio de um drama familiar, uma discussão sobre a sociedade ideal, baseado nos pensamentos de Noam Chomsky. O pai de família, Ben (Viggo Mortensen), decide que criar os filhos numa floresta, com treinamentos de sobrevivência e longe das futilidades do mundo capitalista é a melhor opção para a família. Os 6 filhos recebem então um choque de realidade, causando até um certo humor no espectador, quando sua mãe morre e eles precisam ir à cidade grande pela primeira vez, para o enterro.

O drama familiar fica por conta dos vários questionamentos que surgem na cabeça dos jovens/crianças da família Cash e da relação difícil entre Ben e seu sogro, um tradicional norte-americano. O conflito entre o que foi aprendido pelos filhos, marxismo, taoísmo e outras ideologias anticonsumistas, e o que a realidade os EUA apresentam, é algo que deixa um sentimento dúbio em quem assiste. Não se sabe ao certo em que estilo de vida deve-se depositar sua confiança.

“Capitão Fantástico” é mais um filme indie, estilo que tem ganhado ainda mais força dentro do cinema, mas seus exageros intelectuais e a forma como mostra os pecados metodológicos de Ben Cash, dão originalidade à narrativa que tinha tudo para ser recheada de clichês.

É um filme que vale a pena ver e que gera uma reflexão por intermédio do drama entre os membros da família.