Toy Story 4: entenda a sua função, meu amigo

28/06/2019 - POSTADO POR EM Filmes
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A franquia Toy Story é um feito curioso do cinema. Como uma animação sobre brinquedos que ganham vida quando ninguém está olhando consegue ser tão sincera, divertida e emocionante é um mistério que só a Pixar é capaz de explicar. Após a conclusão da trilogia em 2010, parecia que a história havia alcançado seu fim natural, mas a chegada de “Toy Story 4” prova mais uma vez que o estúdio sabe entregar produções competentes e valiosas tanto para crianças quanto para adultos.

Adeus Andy, Olá Bonnie

Em “Toy Story 3” (2010), vimos Andy, o dono original dos brinquedos, crescer a ponto de não precisar mais de Woody, Buzz Lightyear e companhia. Ao ir para a faculdade, Andy passa seus brinquedos adiante para Bonnie, garota que alegremente herda a coleção, mas acaba deixando Woody de lado – o que é difícil para o cowboy, visto que ele era o brinquedo favorito de Andy.

Agora, acompanhamos o primeiro dia de aula da Bonnie, quando ela cria seu próprio brinquedo, o Garfinho, a partir de sucata. O talher, ao ganhar vida, insiste que é lixo, e faz questão de se jogar em uma lixeira a cada 5 minutos. Embarcando em uma viagem familiar, Woody então assume a missão de fazer com que o Garfinho perceba que agora ele é o brinquedo especial da Bonnie, e que ela precisa dele – tarefa que apresenta diversos percalços pelo caminho.

Foto: Divulgação

Evolução Visual

A primeira coisa que chama a atenção na produção é a qualidade praticamente impecável dos gráficos. O nível de detalhe da animação contempla desde as sombras da luz no rosto dos bonecos até os pingos de chuva que molham o asfalto, dando atenção a todos os pormenores que compõem o quadro com vivas cores.

A Pixar tem a melhor tecnologia do mercado a sua disposição e faz uso dela com maestria. Ao pensar que no primeiro “Toy Story”, lançado em 1995 (!), todos os rostos dos personagens humanos tinha praticamente as mesmas feições, é um tanto fascinante ver a evolução da animação através das décadas. No departamento de música, o compositor da trilogia, Randy Newman retorna com mais um trabalho sensível e lúdico, no espírito do longa.

Foto: Divulgação

Emoções

Mas a Pixar nunca foi só um estúdio técnico. A meticulosidade da produção é colocada a serviço de uma história que, mais uma vez, lida com temas de amadurecimento e individualidade de forma eficiente. Woody, como líder do grupo, possui uma sabedoria enorme, mas não consegue reconhecer que ainda não superou Andy. Muito mais do que a jornada de aceitação do Garfinho, o filme reflete as questões do que será de Woody agora que aquilo que era o centro de sua vida não está mais lá.

Além do cativante Garfinho, temos a introdução de novos personagens e também o retorno de antigos rostos, como Betty, pastora de ovelhas que funciona como um interesse romântico de Woody. A dinâmica entre os dois movimenta a história, e no caminho conhecemos Gabby Gabby, uma boneca de porcelana antiga que sonha em conquistar sua criança, e Duke Caboom, um boneco de acrobacias aposentado que precisa superar traumas do passado para cumprir seu objetivo.

Foto: Divulgação

Veredito

Parecia improvável, mas “Toy Story 4” continua tão bom quanto seus antecessores. Somado aos avanços tecnológicos, a produção se configura até como uma das melhores da franquia. Essencialmente um epílogo sobre o que Woody e seus comparsas esperam da vida como um brinquedo, o roteiro trata de questões como amadurecimento, recomeços e traz alegorias de temas como adoção e paternidade.

Para os fãs, é importante saber de antemão que dessa vez, Buzz Lightyear, Jessie e outros personagens familiares acabam ficando um pouco de lado por boa parte do filme. Mas para a história que o longa se propõe a contar, a decisão é adequada. “Toy Story 4” possui um coração enorme, e entre o riso e o choro, consegue ser tanto a conclusão ideal de uma franquia tão querida quanto um novo começo para os envolvidos. Entendendo que cada coisa tem seu papel, abraçamos o passado e seguimos em direção ao futuro.

Pontos positivos:

  • História e temas bem executados com emoção genuína
  • Novos brinquedos cativantes
  • Qualidade gráfica da animação

 

Pontos negativos:

  • Personagens queridos acabam ficando pra escanteio

 

Nota: 9