Todo Dia: O amor nem sempre tem a mesma face

24/07/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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E se a pessoa que você ama se tornasse alguém diferente a cada 24 horas? Essa é a premissa de “Todo Dia”, filme adaptado do romance homônimo do escritor David Levithan. A produção conta a improvável história de amor de Rhiannon (Angourie Rice) e “A”, uma pessoa que acorda em um corpo diferente toda manhã. Isso até se ver no lugar de Justin (Justice Smith), o namorado da garota e acabar se apaixonando por ela. Agora os dois tem que lutar para se encontrarem novamente a cada novo dia. Analisamos aqui a adaptação e agora você confere nossas impressões.

Amando um novo rosto todo dia

Apesar da premissa bastante incomum o filme consegue passar o conceito da existência de “A” de uma forma bem didática, sem a necessidade de muitos diálogos expositivos. Isso também se deve ao fato do longa mostrar mais o lado de Rhiannon. Acompanhamos sua vida familiar e vemos a maneira como aos poucos ela vai descobrindo e aceitando a realidade dessa nova pessoa em sua vida, que é extraordinária em tantos sentidos.

É interessante ver a dinâmica que se estabelece entre o casal. “A” é trabalhado como se fosse uma série de personagens, porém, ao mesmo tempo, é mostrando que há uma constância entre todos os corpos que habita. O primeiro em que o vemos é o atual namorado de Rhiannon, Justin, fato que facilita a conexão inicial entre eles. Depois “A” tenta entrar em contato novamente com a garota por meio dos seguintes hospedeiros, seja ele menino ou menina, até tomar coragem de contar sua história real.

Foto: Divulgação

Conduzindo a história

O filme consegue abordar o relacionamento inusitado entre os protagonistas de maneira bastante sensível, enfatizando a maneira como eles tentam fazer a relação funcionar apesar do grande empecilho. O romance tem aquela beleza de primeiro amor – dramático por se tratar de dois adolescentes, com um toque de impossibilidade que o torna ainda mais tentador.

Por ser um longa de romance, o foco é o desenvolvimento de Rhiannon e “A”. Temos também uma gama de personagens secundários que são brevemente apresentados e estão lá apenas para cumprir um papel necessário em determinados momentos da trama. É interesse ver a dinâmica dos diversos atores que interpretam “A”. Certamente é difícil se habituar à ideia de que todos estão representando a mesma pessoa (alguns não conseguem transmitir muito bem a situação) mas a presença constante de Rhiannon serve para suavizar essa questão.

Foto: Divulgação

Visual, música e adaptação

Como adaptação o filme consegue obter êxito. A trama simples, sem grandes reviravoltas também ajuda. Existem algumas pequenas mudanças, a mais visível sendo a quantidade de momentos românticos que os dois protagonistas vivenciam. No livro temos muitas das conversas entre eles tratadas virtualmente, enquanto o longa consegue expandir o desenvolvimento de ambos com diálogos e passeios românticos na praia, biblioteca, campo de futebol e até um chalé na floresta.

A ambientação do filme é simples, passando por diversas paisagens e tendo bons elementos visuais. A exceção é um momento que nos mostra Rhiannon pensando em “A”, quando vemos todos os atores que interpretaram o personagem pela perspectiva da garota e com luzes coloridas a sua volta. É uma cena confusa e desnecessária, apenas para enfatizar o fato de que a pessoa por quem ela está apaixonada não tem uma única aparência – sendo que a ideia já estava clara o suficiente. A trilha de “Todo Dia” faz o seu papel ao ser envolvente o suficiente nos momentos de romance, mas sem grandes destaques.

Foto: Divulgação

Veredito

O que podemos perceber é que o objetivo do filme não é desenvolver uma história complexa sobre a condição misteriosa de “A”, seus desdobramentos e sua busca por respostas – embora por si só essa já fosse uma trama bem interessante. A proposta é falar sobre o relacionamento com Rhiannon, o primeiro de sua vida, e um passo importante para “A” perceber que mesmo sua existência sendo muitas vezes solitária, podem existir pessoas que irão se importar e que estarão dispostas a acompanhá-lo em sua enigmática jornada.

É tudo uma questão de trajetória. A relação é importante para os dois personagens, pois os tira de suas zonas de conforto. Rhiannon reavalia o seu namoro com Justin e sua relação com sua família, “A” conhece uma nova realidade que ele nunca ousou experimentar, ambos amadurecem e é uma evolução bonita de se assistir. Assim, “Todo Dia” é um romance adolescente que vale a pena dar uma chance, já que a trama diferente nos permite tirar uma lição positiva e pode surpreender os espectadores com a decisão final dos personagens.

Foto: Divulgação