The Umbrella Academy: Ser super-herói em família não é fácil

03/03/2019 - POSTADO POR EM Séries
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Depois da enxurrada de cancelamentos das séries da Marvel, a Netflix logo apareceu com uma nova produção para não deixar seus assinantes órfãos de aventuras com super-heróis por muito tempo. Mesmo contando com um elenco em grande parte desconhecido (sendo a mais popular a atriz Ellen Page), a produção teve êxito ao desenvolver uma trama focada mais em problemas familiares do que em feitos heroicos.

Uma super família

A série é baseada nas HQ’s americanas de mesmo nome da editora Dark Horse Comics. Lançadas em 2007, até agora contam com três volumes intitulados “A Suíte do Apocalipse”, “Dallas” e “Hotel Oblivion”. A produção da Netflix mistura componentes das duas primeiras edições e acrescenta elementos inéditos.

O enredo da série se inicia já com um grande mistério: em 1º de outubro de 1989 houveram 43 nascimentos ao redor do mundo, vindos de mulheres que não tinham o menor sinal de gravidez no início daquele dia. O excêntrico empresário Sir. Reginald Hargreeves (Colm Feore) acolheu sete dessas crianças, que eram dotadas de poderes especiais, e passou a treiná-las no que chamou de Umbrella Academy.

Conforme vão crescendo as crianças tomam seus próprios rumos e deixam o treinamento de super-herói para trás. Mas quando surge a notícia do falecimento de seu pai adotivo, elas voltam a se encontrar na mansão da família, nesse momento são surpreendidas por informações inacreditáveis vindas de um dos irmãos que havia há muito desaparecido.

Foto: Divulgação

Todo mundo tem problemas

Uma coisa que fica muito clara logo no início da produção é o quão disfuncional é essa família. Ao mesmo tempo todos os irmãos são profundamente ligados devido ao tempo que compartilharam juntos na Academia, além das lembranças pavorosas da severidade do pai. Portanto brigas é o que não faltam, mas também há uma conexão forte que vem à tona em forma de apoio sempre que um deles demonstra seu lado mais frágil.

A pressão de crescer treinando para ser um super-herói também vem como tema recorrente na produção. Nos é mostrado como todos os irmãos foram afetados negativamente (alguns mais do que outros) pela criação severa e emocionalmente distante de Reginald, se tornando um dos principais fatores para sua separação.

Foto: Divulgação

Um fim do mundo com boa música

A trama da série é permeada por mistérios que vão sendo esclarecidos aos poucos, é muito fácil se pegar imaginando teorias com cada nova informação revelada. As principais incógnitas ficam em torno da volta do irmão Número 5 e de suas notícias sobre um possível apocalipse iminente. O certo é que você deve prestar atenção nos detalhes para encaixar todas as peças do quebra-cabeça e aproveitar ao máximo a experiência que a série quer te oferecer.

Toda a produção tem uma qualidade inegável. Os movimentos de câmera acompanham as ações dos personagens para apresentar ângulos diferentes e nos oferecer novas perspectivas sobre o que está sendo mostrado.

A música com certeza é algo que vai te impressionar, ela é bastante presente na série, como se houvesse uma pessoa andando com um aparelho de som seguindo os protagonistas e o colocasse para tocar em momentos cruciais ou descontraídos da trama. Destaque para a excessivamente alegre Sunshine, Lollipops and Rainbow usada para dar o tom de uma violenta cena de briga e o clássico do Queen Don’t Stop Me Now colocado como fundo de uma turbulenta perseguição.

Foto: Divulgação

Veredito

Todo o enredo da série consegue ser bastante consistente, apesar de ter momentos em que o ritmo se torna mais lento, com problemáticas que poderiam ser resolvidas mais rapidamente. O que claramente se sobressai é a direção, com suas filmagens de ângulos ousados, e o claro impacto que a música consegue ter na produção e no espectador.

Também vale destacar as atuações, cada personagem é segmentado para ser de um tipo: tem o líder, a retraída, o rebelde, o palhaço e por aí vai. Porém o que vemos em comum neles é que são todos repletos de defeitos, desde excessiva timidez, arrogância, leviandade ou autoritarismo, assim se torna muito fácil sentir raiva das suas atitudes.

Os protagonistas são tratados menos como heróis e mais como seres humanos problemáticos. Algumas produções já haviam abordado essa visão, mas aqui isso é bem mais intenso, são apenas pessoas tentando lidar com uma enxurrada de problemas e traumas emocionais e que por acaso possuem um poder extraordinário. E isso é um dos maiores méritos da série.

Foto: Divulgação