The Old Guard: a nova franquia de ação da Netflix?

16/07/2020 - POSTADO POR EM Filmes

Poucos meses após a estreia de Resgate, a Netflix lança outro longa de ação: The Old Guard, adaptação da HQ de mesmo nome criada por Greg Rucka e por Leandro Fernandez, chegou ao catálogo do serviço de streaming na última semana. Estrelado por Charlize Theron e por KiKi Layne, o filme vem ganhando o público, que já pede por um sequência. Mas será que vale a pena investir nesse projeto?

Imortalidade: dádiva ou maldição?

“Who wants to live forever? 🎶”. A canção do Queen e tema de Highlander se encaixaria bem nessa história. Aliás, não ficaria tão ruim comparado às músicas pop inseridas, por vezes, fora de contexto, no longa, que acabam dando um tom mais de clipe musical do que de filme, algo desnecessário.

Na trama, Andy (Theron), Booker (Matthias Schoenaerts), Joe (Marwan Kenzari) e Nicky (Luca Marinelli) são imortais que fazem serviços secretos para ajudar causas justas, como salvar crianças de cativeiro. Os séculos de experiência em combate fazem deles guerreiros perfeitos também por causa de sua habilidade.

No Afeganistão, uma nova imortal surge depois de mais de 200 anos. A fuzileira Nile (Layne) morre em uma operação e assusta seus companheiros ao renascer em poucas horas. Ao sentir a presença da jovem, Andy vai à sua procura para trazê-la ao seu pequeno exército enquanto os outros 3 buscam um cientista que deseja captura-los para desenvolver medicamentos com base em seus genes inumanos à sociedade. Uma mescla de fantasia à lá X-Men Origens: Wolverine com ação estilo Jason Bourne

Foto: Divulgação

Um novo Resgate?

Assim como The Old Guard, outro longa de ação produzido pela Netflix em 2020 também ganhou muito destaque: Resgate, estrelado por Chris Hemsworth. As comparações entre ambos crescem desde o lançamento do mais recente, mas as propostas divergem em certo ponto.

Se analisarmos a caixa “Filmes de ação feitos pela Netflix”, The Old Guard brilha mais que Resgate, por exemplo. Apesar das cenas de ação do primeiro não chegarem aos pés daquelas do segundo, o elenco de apoio é bem superior em qualidade e em desenvolvimento, além de ter uma história melhor trabalhada – o que não é lá grande elogio, visto que o roteiro do longa de Hargrave se sustenta apenas pelos duelos físicos, enquanto que no de Prince-Bythewood o criador da HQ, Greg Rucka, foi responsável pela adaptação.

Enquanto Resgate não se leva “tão a sério”, focando apenas na cenas de combate, The Old Guard aposta em uma construção de universo, embora de forma rasa, dando mais camadas à narrativa.

Foto: Divulgação

Veredito

A experiência em ação de Theron com Mad Max: Estrada da Fúria, Velozes e Furiosos 8 e Atômica fazem dela a líder perfeita para este filme. O peso de tantos anos de combate é visível na personagem de Andy: segura, sempre atenta e com imposição física para comandar a equipe de imortais. 

A indecisão quanto às prioridades estilísticas de The Old Guard, porém, decepcionam na tentativa de ser tanto um longa de ação quanto de fantasia. Ao fim, carece de qualidade nos dois lados. Contudo, entrega um bom entretenimento farofa e que desperta curiosidades ao público que não leu a HQ para uma possível sequência.

Foto: Divulgação

Veredito (com SPOILERS)

Mesmo com o star power de Theron, o potencial da atriz é explorado superficialmente na trama do presente, com maior drama nos flashbacks de sua relação com Quynh, antiga companheira de luta. Talvez na eventual continuação, Theron receba mais material para trabalhar, uma vez que a amiga de Andy retorna, sem explicações de como, na cena final.

As motivações de Nile são pouco justificadas ao longo das 2h de duração. A coadjuvante de Theron apenas aceita que agora faz parte da equipe após levar uma surra da imortal sênior. O restante do grupo de guerreiros tem boa química, principalmente entre o casal homossexual Joe e Nicky, com referências às suas aventuras e deboches que são divertidos vez sim, vez não.

Pontos negativos

  • Trilha sonora mal encaixada
  • Cenas de luta decepcionantes

Pontos positivos

  • Presença forte de Charlize Theron para segurar a ação e o drama
  • Cliffhanger positivo na cena final 

NOTA: 6,5