The Crown: uma série sobre poder e renúncia

18/02/2018 - POSTADO POR e EM Séries
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E se o “poder” fosse seu maior fardo ou, até mesmo, inimigo? Em “The Crown” (2015), série original da Netflix, descobrimos que é necessário abrir mão para manter um reino funcionando, tudo pela perspectiva da Rainha Elizabeth II (Claire Foy), a monarca com maior tempo de atuação na região britânica: 65 anos. No início de tudo, vemos uma jovem sem experiência e pouco estudo enfrentando inúmeros desafios, tanto políticos quanto pessoais, para priorizar a única coisa que importa em uma monarquia: a Coroa.

O momento chegou!

Durante uma viagem de ofício ao continente africano, a Princesa Elizabeth recebe a notícia que jamais queria ouvir na vida: seu pai, o Rei Jorge VI, está morto. Logo, sua ida à Inglaterra é inevitável. Agora, a jovem perde seu espaço “privado” e pessoal para dar vida à realeza. O preço é alto, mas não existe outra possibilidade, até porque seu tio renuncia ao título anos antes e causa uma série de problemas à monarquia.

O caminho já está traçado, e Elizabeth sobe ao trono, mostrando força e delicadeza, além de muita dor pela perda do pai, embora isso não seja demonstrado. É aí que sentimos a primeira pressão do poder, pois a britânica não teve nem tempo de se despedir do pai e já virou rainha. Como diria nosso amigo Peter Parker: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. (#Daniel)

Elizabeth vs Elizabeth II

Durante as duas temporadas da série, observamos a luta constante da Rainha para manter a tradição monárquica no poder. O que parece ser difícil fica pior ainda quando assuntos familiares viram pauta no governo britânico, como infidelidade e casamentos “ilegais”. É aí onde presenciamos os dois universos de Elizabeth entrar em conflito: “Se eu tomar essa decisão, minha irmã jamais me perdoará; porém, não posso permitir essa situação. Só mais um escândalo, e o império acaba”.

“Já vi grandes monarquias serem derrubadas por não saberem separar caprichos pessoais do dever. Não permita cometer erros semelhantes. A  Coroa sempre deve prevalecer.”

– Rainha Maria, avó de Elizabeth

O futuro de uma nação

Diante de guerras, escândalos políticos e problemas matrimoniais, Elizabeth acaba sendo sufocada pelas obrigações e deixando um pouco de lado sua relação com os dois filhos, Charles e Anna, até então os únicos que apareceram na série. No caso de Charles, a situação é ainda pior. Por mais que a Rainha goste do garoto, ela não demonstra esse sentimento, e acaba formando uma relação bastante fria, na qual o jovem se sente mais à vontade com os empregados do palácio do que com a própria mãe. É uma triste realidade que, provavelmente, será bastante abordada nas próximas temporadas da produção. (#Daniel)

Foto: Divulgação

Um visual poderoso

O figurino da série é bem fiel ao período retratado. Não foram poupados esforços para representar da melhor forma os trajes da Rainha Elizabeth. Já os acessórios utilizados também merecem uma atenção particular, em especial à coroa utilizada pela monarca no seriado.

A direção de arte também não deixou a desejar. Em um dos episódios da primeira temporada, acontece um problema meteorológico que deixa Londres com uma névoa diferente durantes dias. Ao assistir a essas cenas, o espectador pode se sentir angustiado, assim como a população da época, já que a iluminação e a edição fizeram um belíssimo trabalho. (#Rebeca)

Veredito

No meio de tantas produções, tive a sorte de encontrar “The Crown” no catálogo da Netflix. Pra mim, ela é a melhor série desenvolvida pelo serviço de streaming, apresentando tramas envolventes, personagens carismáticos e situações bastante humanas. (#Daniel) Afinal, descobrimos que tanto na realeza quanto na “pobreza” existem coisas que não mudam, como amor, vingança e família.

Apesar de existirem alguns fatos que o título não mostra ou pequenas alterações na trama, “The Crown” é uma ótima opção para quem quer saber mais sobre história. Além disso, as interpretações são maravilhosas, tanto que Claire Foy (Elizabeth) ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em 2017 e o SAG de Melhor Atriz de Série de Drama em 2018. (#Rebeca)

Foto: Divulgação