The Cloverfield Paradox: A Chave para o Universo da Franquia

05/03/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Duas horas após ter seu trailer transmitido no Super Bowl 2018, “The Cloverfield Paradox” chegou, para a surpresa do público, ao catálogo da Netflix. Assim, o terceiro filme da franquia veio para amarrar e explicar o universo de Cloverfield, trazendo novos elementos e uma história espacial de suspense e ficção científica com a cara de seu produtor JJ Abrams. Atenção: O texto pode conter spoilers, por isso recomendamos ler após assistir ao filme.

A aventura espacial

Diante de uma crise energética no planeta Terra, uma tripulação, composta por especialistas de diversos países, embarca em uma nave espacial na tentativa de gerar uma fonte limpa e inacabável de energia. Eles pretendem alcançar esse objetivo por meio de um acelerador de partículas, onde o choque do que seria a “Partícula de Deus” irá criar uma força suficiente para cessar a necessidade de outras fontes de energia na Terra.

Contudo, o choque gera severas consequências ao espaço\tempo, e a história toma um rumo mais sombrio, tornando-se semelhante ao “Alien: O Oitavo Passageiro” (1979), onde a tripulação precisa lidar com estranhos acontecimentos dentro da nave e os efeitos deles do lado de fora.

O universo de Cloverfield

Ao contrário do primeiro filme, um clássico de monstro e destruição gravado em found footage, em “10 Cloverfield Lane” (2016), apesar do título, quase esquecemos de que se trata de uma sequência da franquia, pois nos apresenta um filme mais dramático e tenso, onde somos surpreendidos somente ao final com criaturas de outro planeta. Estas bastante diferentes do monstro de seu antecessor.

À essa altura, não é possível fazer grandes links entre as duas primeiras obras, pois ambas apresentam seres estranhos destruindo a Terra, mas, ao mesmo tempo, eles não se assemelham, nem parecem vir de um lugar comum. É, então, onde entra “The Cloverfield Paradox”, a obra que busca amarrar as pontas soltas e explicar o início de tudo. Essa última, como seu antecessor (“10 Cloverfield Lane”), também não tinha a pretensão inicial de pertencer ao universo expandido da franquia, mas, como projeto da mesma produtora, acabou recebendo algumas adaptações no roteiro para que se encaixasse de forma ideal à sequência.

Origem

Imagine que existem incontáveis realidades, que nem sempre seguem os mesmos padrões e podem apresentar infinitas possibilidades de vida, ecossistemas, interações, tempos, etc. No momento em que acontece o choque em “The Cloverfield Paradox”, algumas dessas realidades paralelas, multiversos, passam a interagir entre si, fato que se sobrepõe aos conceitos de espaço e tempo que conhecemos. Desse modo, a explosão em 2030 é capaz de alterar simultaneamente o passado, o presente e o futuro, e as diversas segmentações de espaço.

Ela representa o futuro, mas também a origem de tudo, pois, no momento em que as partículas do gerador se chocam, elas criam uma inconsistência, uma zona caótica entre os multiversos. Assim, o que acontece naquele momento, faz com que haja uma colisão entre realidades, o famoso paradoxo, onde na tentativa de expelir os corpos estranhos, os universos sofrem alterações e interações infinitas e inconstantes, gerando puro caos.

Portanto, o exato instante em que as partículas se chocam na nave espacial, é o mesmo instante onde o monstro do primeiro filme “Cloverfield” desperta, e é, também, o mesmo acontecimento que ocasiona o choque entre a Terra e o que parece ser uma raça alienígena avançada em “10 Cloverfield Lane”. Fica claro que nenhum dos três filmes da franquia funciona no mesmo ano, sequer, pertencem à mesma realidade. Isso explica, inclusive, a diferença gritante entre as criaturas presentes em cada um deles, e a diferença entre as tecnologias usadas em cada filme.

Outros fatos que evidenciam essa teoria são os acontecimentos de cada realidade, que destoam entre si, como, por exemplo, o monstro de 2008 (suposição baseada na data da câmera de vídeo usada no primeiro filme), que destrói a cidade, matando milhares de pessoas em um fato claramente marcante, mas que não é citado em momento algum dos outros filmes, que sucedem o primeiro temporalmente. Além disso, o segundo filme da franquia possui seres que claramente conquistaram a Terra e causaram diversos problemas, fato que, novamente, não é mencionado na sequência.

Expectativas e suposições

Depois de uma ótima campanha de promoção e de um universo estendido que vai além de sua própria filmografia, “Cloverfield” ganha cada vez mais espaço entre os fãs de ficção científica e conspirações, criando um universo interativo, fascinante e bastante original.

Além disso, com as descobertas do Paradox, as possibilidades parecem se estender ad infinitum, uma vez que, como foi constatado, nenhum dos filmes acontece no mesmo universo, podendo a trama se estender para infinitas realidades, com infinitos planetas Terra e diversas criaturas desconhecidas. E é com essa ponta solta que JJ Abrams, produtor da franquia, afirma que o quarto filme será “realmente muito louco”, com direito a nazitas, Segunda Guerra Mundial e zumbis. Resta ficar atento para o que vem aí!

Foto: Divulgação

O que é Tagruato?

Desde o lançamento do primeiro filme em 2008, o universo de “Cloverfield” passou a se estender também em outras mídias, com sites oficiais contendo informações extras e alguns easter eggs da franquia. Isso trouxe diversas discussões e teorias para explicar o surgimento do monstro e, consequentemente, atraiu ainda mais a atenção do público para os fóruns e futuras sequências.

Um dos grandes focos dos fãs foi a companhia japonesa Tagruato, que se faz presente em todas as obras da franquia, e é uma empresa que supostamente retira óleo do fundo mar (lugar, inclusive, de onde surge o monstro do primeiro filme) e que, também, possui outras sub empresas, que constam em seu site oficial. Algumas referências à ela são encontradas sutilmente durante a trilogia, como, por exemplo: ela é responsável por uma bebida chamada Slushu!, que estampa a camiseta usada pelo Jason em “Cloverfield” e aparece em um bonequinho no terceiro filme; é, também, dona da empresa Bold Futura, onde Howard de “10 Cloverfield Lane” trabalha e foi eleito funcionário do mês; e, principalmente, é a Tagruato quem desenvolve o projeto espacial para geração de energia em “The Cloverfield Paradox”, que conta com uma descrição na penúltima atualização do site:

“Tokyo – January 18 2018 Tagruato has begun development on a revolutionary new energy technology. In what Ceo Ganu Yoshida called a technological great leap foreward for our planet This renewable technology will take at least 4 years to complete along with another six years with International regulatory bodies to bring the powerful revolutionary energy source by april 18 2028″

Foto: Divulgação