Saintia Shô: Primeiras impressões do novo anime dos Cavaleiros do Zodíaco

30/01/2019 - POSTADO POR EM Animes / Mangás E Conteúdo
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Depois dos animes “The Lost Canvas” (2008-2011), “Ômega” (2012-2014) e “Alma de Ouro” (2015), estreou em dezembro de 2018 mais um spin-off do clássico “Saint Seiya” (Cavaleiros do Zodíaco), sucesso desde os anos 1980. Baseado no mangá homônimo que começou a ser produzido em 2013 e já tem 11 volumes lançados, “Saintia Shô” é a versão girl power da franquia, ou seja, as protagonistas dessa saga são mulheres!

Assistimos aos primeiros episódios e trazemos aqui algumas referências e paralelos com outras obras já produzidas do universo desse icônico anime, que já tem mais de 30 anos e continua com o seu cosmo elevado ao sétimo sentido.

Como assim, uma Pégaso mulher?

Calma, calma! Apesar da semelhança, a protagonista não veste a armadura de Pégaso. A proposta do mangá/anime não é recriar uma versão da história que conhecemos com o gênero dos personagens principais trocados. Similar a “Alma de Ouro”, que foca nos Cavaleiros de Ouro durante a Saga de Hades, os eventos de “Saintia Shô” se passam no mesmo período da Saga do Santuário, com foco em heroínas inéditas.

A história se inicia no período que antecede o arco da Guerra Galática, quando os Cavaleiros de Bronze da série clássica, ainda estavam em treinamento, espalhados por várias partes do planeta. Ou seja, para a felicidade dos fãs, já é possível encontrar vários rostos familiares.

Desta vez, somos apresentados a classe de guerreiras defensoras de Saori Kido, a reencarnação de Athena, conhecida como Saintias. Assim, temos: Shoko de Cavalo Menor, Mii de Golfinho, Xiaoling de Ursa Menor, Katya de Coroa Boreal e Erda de Cassiopeia.

Particularmente, me deu uma grande satisfação em ver as heroínas vestindo armaduras de verdade, que realmente protegem seus corpos. Ainda criança, assistindo à série clássica, me perguntava porque Marin de Águia e Shina de Cobra não usavam armaduras de verdade. Muitos anos depois, ao acompanhar “The Lost Canvas”, fiquei muito incomodado com a (falta de) armadura da Yuzuriha de Grou.

Foto: Divulgação

Vilão da vez

Na trama das Saintias, a ameaça principal é a deusa da discórdia, Éris, e tudo segue naquele mote já conhecido: a busca por reencarnar em um corpo humano, destruir Athena, dominar o planeta etc. Enquanto Saori e seus Cavaleiros de Bronze seguem em direção ao Santuário para enfrentar o Mestre do Santuário, as Saintias ficam com o desafio de derrotar Éris e seu exército de Fantasmas, que são Cavaleiros que já morreram e decidiram servi-la, sendo então ressuscitados.

A vilã já apareceu anteriormente (ou seria, posteriormente? 😛 ) enfrentando Seiya de Pégaso e seus companheiros. Essa batalha, que não seguia a linha cronológica do anime original, foi contada no primeiro longa da franquia, produzido em 1987 e intitulado “Saint Seiya: O Santo Guerreiro”.

Foto: Divulgação

E as máscaras, vão cair?

De acordo a história principal dos Cavaleiros de Athena, originalmente, apenas homens poderiam fazer parte do exército da deusa. Com o tempo, mulheres passaram a ser aceitas como Amazonas, devendo abandonar sua feminilidade e escondendo o rosto com máscaras. Caso algum homem visse uma guerreira sem máscara, ela deveria amá-lo ou matá-lo (sentiu saudades de shippar o Seiya e Shina, né?)

Com isso, muita gente deve ter se perguntado: Por que elas também não estão usando máscaras? Apesar de não ter sido explicado (ainda) no anime, no mangá fala-se que uma Santia não é uma Amazona, mas uma aia, que cuida das necessidades de Athena, inclusive sua segurança. Para isso, abriu-se uma exceção para que mulheres pudessem usar uma armadura sem precisar abdicar do lado feminino.

Apesar de toda essa fundamentação para as Santias e a maioria das Amazonas respeitarem a lei das máscaras, algumas delas já questionaram e contrariam tal ordem. Com uma explicação bem preguiçosa, em “Ômega”, a única protagonista Amazona da série, Yuna de Águia, demonstrava não gostar da regra, decidiu deixar seu rosto descoberto quando sua máscara foi quebrada e ficou por isso mesmo.

Foto: Divulgação

Selo Kurumada de aprovação

Chimaki Kuori é a responsável tanto pela história e quadrinização do mangá, bem como pela sua adaptação para anime e é aprovadíssima pelo criador da série original, Masami Kurumada. A mangaká (como são chamados os quadrinistas de mangás) é bastante elogiada por ter o traço muito próximo de Kuramada e ficou conhecida pela adaptação do mangá “Gudam Wing” em anime. Com isso, podemos esperar que haja alguns furos em relação ao universo oficial, mas nada que force a barra como em algumas outras adaptações.

De imediato, apontamos a diferença no comportamento de Saori Kido. Na narrativa clássica, conforme as batalhas iam sendo vencidas é que, aos poucos, ia compreendendo mais seu papel no mundo. Agora, somos apresentados a uma Saori que já tem um pouco mais de maturidade e conhecimento sobre seu dever como reencarnação de uma deusa, o que reflete claramente nas suas atitudes.

Deste modo, a série demonstra a intenção de manter-se o mais fiel possível, se misturando naturalmente à obra como um todo e respeitando a legião de fãs pelo mundo. A trama não é excepcional, mas funciona muito bem e chega para abarcar ainda mais o público feminino, pois traz consigo uma representatividade de forma bastante satisfatória. Já estava na hora de contar uma história sobre o verdadeiro poder do cosmo dessas heroínas que lutam em nome da deusa Athena.

“Saintia Shô” está disponível pela Crunchyroll e os episódios saem às segundas-feiras. Se você já está acompanhando, contra pra gente o que está achando! Caso não tenha visto ainda, não perde mais tempo e corre lá pra sentir o cosmo também!

Foto: Divulgação