Resgate: um novo “John Wick”?

11/05/2020 - POSTADO POR EM Filmes

Há dias em que a preguiça prevalece e só queremos um filme para desligar nosso senso crítico, se permitir fluir na narrativa e aproveitar o momento, sem planos mirabolantes ou um alto grau de complexidade. “Resgate”, novo filme de ação da Netflix, se encaixa perfeitamente nesse exemplo.

Comparada à franquia John Wick nas últimas semanas, a produção logo ganhou o público por seu estilo urgente e pela frieza do personagem de Chris Hemsworth. A história escrita pelos irmãos Russo (“Vingadores: Ultimato”) e executada pelo diretor Sam Hargrave tem várias similaridades com a trilogia estrelada por Keanu Reeves. Resta saber se terá a mesma força para manter o ritmo daqui para frente.

Direto ao ponto

Como imaginado, a trama em “Resgate” não possui mistérios: Ovi Mahajan (Rudhraksh Jaiswal), filho de um chefão do crime de Mumbai, na Índia, é sequestrado por mercenários, que pedem uma recompensa. Para trazê-lo de volta, o sicário Tyler Rake (Chris Hemsworth) é contratado e tenta manter o garoto a salvo até chegarem num ponto seguro. Simples.

O diferencial aqui, assim como em “John Wick”, não está no peso da história, mas na atenção dada aos embates de Tyler ao longo do percurso. Logo no terço inicial do longa, um plano-sequência entre os prédios e as ruas de Mumbai mostra um domínio excelente de Hargrave durante as cenas de ação, coreografadas com muita segurança em seu ritmo e escala nas lutas.

Imagem: Divulgação

A influência da Marvel

Sam Hargrave foi dublê de Chris Evans durante “Os Vingadores” (2012) e “Capitão América: Soldado Invernal” (2014), além de coordenador de luta em “Capitão América: Guerra Civil” (2016) e coordenador de dublês nos dois últimos filmes dos Vingadores. Experiência em ação não falta ao diretor de “Resgate”, onde ela assume os holofotes principais.

Os poucos cortes durante os combates “mano a mano” e o controle da tensão são pontos positivos, fisgando o espectador pelo recurso que os fãs de ação mais prezam: uma porradaria digna, mais próxima do real possível.

Imagem: Divulgação

A pedra no sapato

A qualidade técnica é inegável em “Resgate”. Pena que não podemos dizer o mesmo de sua história e de seu elenco de apoio. Alguns afirmam que o roteiro do filme é “sem alma”, pois o contexto que nos é apresentado acerca das motivações de Tyler para continuar como assassino de aluguel são insuficientes.

O incômodo maior vem dos coadjuvantes. Somente o personagem de David Harbour (“Stranger Things”), ganha mais tempo de tela para explorar o outro lado de Tyler, além de se tornar um oponente à altura. O resto não acrescenta o drama necessário para o contexto de urgência da trama. 

Hemsworth faz o básico em seu papel de sicário cansado, fisicamente abatido e interessado, pelo menos de início, no valor de sua recompensa com o serviço.Essas questões, entretanto, porém ser relevadas, como citado nas primeiras linhas deste texto, se você só queira cerca de 2 horas para relaxar sem se atentar a detalhes.

Imagem: Divulgação

Veredito

A confiança que a Netflix deu a Hargrave – visto que este é seu 1º trabalho – é um bom sinal para quem sonha em produzir um filme de ação mais autoral. Claro, a influência de “John Wick” é visível, com o desafio do “homem solitário” de derrotar praticamente um exército. Porém, a franquia, que anda para seu 4º filme, tem uma estética mais desenvolvida e explora melhor o horizonte de coreografias de lutas durante as cenas.

Esse ponto pode ser trabalhado com mais liberdade na sequência de “Resgate”, já confirmada pela Netflix, com roteiro de Joe Russo e a direção de Hargrave. Ainda não se sabe qual será o foco dessa vez, ou mesmo se Chris Hemsworth volta para o papel. A plataforma, entretanto, não deve medir esforços para garantir o mesmo sucesso que o 1º conquistou, acumulando quase 90 milhões de visualizações em menos de um mês.

Pontos negativos

  • Pouco desenvolvimento da história
  • Coadjuvantes fracos e com atuações ruins

Pontos positivos

  • Senso de ritmo e de escala da ação bem executado
  • Coreografias de lutas de alto nível, com poucos cortes

Nota: 7