Precisamos falar sobre Sex Education

19/01/2019 - POSTADO POR EM Séries
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Ainda hoje, falar sobre sexo é um tabu para muitas pessoas – principalmente quando o assunto é sexo na adolescência. No entanto, cada vez mais filmes e séries estão sendo utilizados para tratar de assuntos delicados e que não são falados tão abertamente na sociedade. Provavelmente, foi pensando em tocar em mais uma dessas questões difíceis que a Netflix lançou “Sex Education”, uma série que acerta o tom ao falar com seriedade e bom humor sobre assuntos que envolvem a sexualidade e sensualidade dos jovens como gravidez, aborto, bullying, inseguranças, amizade, etc. Tudo de uma forma bem direta e simples, como já demonstra o título da produção.

Não é só um besteirol americano

A primeira vista, você pode até pensar que “Sex Education” é só mais uma série no estilo americano, sobre adolescentes, escola e sexo (uma espécie de “American Pie”). Se foi isso que você pensou sobre essa série, informo que está redondamente enganado e que deve dar uma segunda olhada para ver que “Sex Education” é simplesmente uma das melhores apostas da Netflix para o ano de 2019.

O enredo da série gira em torno de Otis (Asa Butterfield, de “O Lar das Crianças Peculiares”, 2016), um jovem de 16 anos, reprimido sexualmente e que tem problemas com a mãe (Gillian Anderson, de “Arquivo X”), uma terapeuta sexual divorciada e que tenta controlar a vida do filho constantemente.

A rotina de Otis no colégio de uma cidadezinha da Inglaterra e as interações entre ele, seu melhor amigo (para não dizer único) Eric (Ncuti Gatwa) e os demais colegas, são a força motriz para os problemas que impulsionam a trama da série. Trama essa que se inicia quando Otis auxilia, meio que sem querer, o valentão Adam Groff (Connor Swindells) com um problema sexual. É aí que Maeve (Emma Mackey), uma outra colega, que presencia esse fato, tem a ideia de receberem dinheiro dos alunos para que Otis realize uma espécie de terapia sexual.

Foto: Divulgação

Cada um com seus problemas

Falar sobre problemas sexuais, sejam eles quais forem, não é somente falar sobre sexo, mas sim, falar sobre o indivíduo e suas relações interpessoais, seus desejos, seus sentimentos e os acontecimentos que o levaram a ter aquele problema. E é justamente nisso, que esta série aposta.

Apesar de personagens comuns como o garoto tímido, o garoto gay, o “valentão”, a “vadia”, o atleta, as patricinhas e etc. (todos figurinhas carimbadas nesse tipo de produção), “Sex Education” surpreende por se aprofundar mais no desenvolvimento de cada personagem, mostrando ao espectador que nem sempre as coisas são o que parecem e que os estereótipos não devem jamais definir um indivíduo.

Assim, podemos ver que cada personagem tem seu papel fundamental dentro da trama e que cada um, a sua maneira, tem seus motivos para agir desta ou daquela forma.

Foto: Divulgação

Veredito

“Sex Education” encanta pela forma leve e bem-humorada com que alguns assuntos sérios são mostrados – um destaque são as cenas da clínica de aborto. E isso não ocorre de uma forma escrachada e nem como um tabu, mas com a naturalidade com que esse tipo de assunto deve ser tratado, levando o espectador a refletir a respeito.

A trilha sonora é acertada, as atuações (não só a dos atores conhecidos, mas a dos novatos também) são maravilhosas e o enredo tem a capacidade de se utilizar de ingredientes mais do que repetidos para, mesmo assim, fazer uma receita totalmente nova e mais do que saborosa. A única desvantagem é o fato de só ter oito episódios na primeira temporada.

Esta é uma série repleta de lições e que dá uma aula não só de educação sexual, mas sim uma aula de vida. Uma ótima indicação para quem quer maratonar uma série rápida, divertida e ao mesmo tempo muito intensa. Se tivesse que defini-la em apenas uma frase, diria que “’Sex Education’ é tão boa quanto sexo”.

Foto: Divulgação