Power: um X-Men mal feito

19/08/2020 - POSTADO POR EM Filmes

Se pudéssemos escolher uma habilidade do reino animal para possuir por 5 minutos, qual você gostaria? O novo longa de ação da Netflix traz uma vista desse horizonte em Power, estrelado por Jamie Foxx (Django), Joseph Gordon-Levitt (O Cavaleiro das Trevas, A Origem), Dominique Fishback (O Ódio que Você Semeia) e pelo brasileiro Rodrigo Santoro.

Dirigido por Henry Joost e por Ariel Schulman (Nerve, Atividade Paranormal 3 e 4) e escrito por Mattson Tomlin, roteirista do novo The Batman, o longa apresenta uma história de super-heróis à lá X-Men. Será que tiveram sucesso? Confira nosso veredito.

5 minutos de diversão

Nova Orleans, nos EUA, apresenta uma alta no índice de crimes sem explicação por tamanho estrago dos culpados. Uma nova droga é responsável pela zona de guerra, dando apenas 5 minutos de poderes variáveis ao seu usuário. Os efeitos colaterais são ainda desconhecidos, mas o lucro com ela é garantido. Buscando conseguir um dinheiro para ajudar sua mãe, a ousada Robin (Dominique Fishback) se arrisca nas ruas para vender a pílula sensação.

A polícia local não tem controle sobre os crescentes casos e um dos membros, Frank (Joseph Gordon-Levitt), apela para a droga, conhecida como Power, em seus serviços de investigação. Além de manter uma relação comercial com Robin, livrando-a de qualquer problema e garantindo sua dose do produto.

O descontrole aumenta quando o misterioso Major/Art (Jamie Foxx) chega à cidade à procura do fornecedor de Power para encontrar sua filha raptada pelos responsáveis desta criação. Quando os três se cruzam, a caça pela origem da droga inicia a constante sensação de clímax do longa de ação.

Imagem: Divulgação

Zero inovação

Esse mesmo estilo de história de “super-herói” já foi feito nos últimos anos de uma forma menos genérica. Sem Limites é um exemplo decente de filme que usa uma nova e poderosa droga para dar um tempo limitado de habilidades sobre-humanas. Power tenta explorar esse horizonte de forma semelhante a X-Men, mas derrapa em vários pontos.

Pela familiaridade do roteiro, as conclusões do longa são previsíveis e de pouca emoção. A câmera não se estabiliza em uma maneira de filmar a ação pobre, com a confusa montagem mudando de ângulos e velocidade constantemente, causando desconforto ao espectador na visão de certas cenas.

Imagem: Divulgação

Veredito

Os diálogos com críticas sociais ao “sistema” parecem inseridos no meio do longa apenas como uma tentativa de mostrar: “olha, temos protagonistas negros falando sobre racismo em uma cena…”. 

A única personagem com quem conseguimos minimamente nos conectar é Robin, e ainda é mal explorada. A habilidade no rap é interessante, mostrada em três cenas e com destaque no trailer, mas sem nenhum desenvolvimento ao fim do longa. 

Outro subaproveitado é Rodrigo Santoro, representando a já batida corporação vilã que visa militarizar o efeito da droga. O brasileiro tem pouco tempo de tela e contracena com os protagonistas somente uma vez. 

Alguns absurdos também ocorrem no clímax da fuga final onde – SPOILERS – o quarto no qual a filha do Major, fonte primordial dos poderes da droga, é mantida refém com apenas um segurança na entrada. No espaço, invadido facilmente por Robin, há uma saída no chão que, aparentemente, nunca foi vista pela outra garota, trancada há semanas no local. Detalhes que podem passar sem importância, mas que valem ser pontuados aqui.

Os filmes originais de ação da Netflix lançados em 2020 estão numa queda de qualidade, com The Old Guard já sendo inferior a Resgate. Power é facilmente o pior da lista.

Pontos positivos

  • Carisma de Jamie Foxx e de Dominique Fishback

Pontos negativos

  • Cenas de ação medíocres
  • Montagem confusa
  • Potencial pouco explorado de personagens/atores e atrizes
  • Roteiro fraco e com falhas claras

NOTA: 3,5