Oscar 2020: Prováveis vencedores – Parte 2

06/02/2020 - POSTADO POR and EM Filmes

Enfim, chegamos aos prêmios mais cobiçados do Oscar. Este ano trouxe muitas surpresas, a maioria positiva (diferente do ano passado), e nessa lista tentamos prever os grandes vencedores da noite. Será que Joaquin Phoenix vai mesmo garantir a estatueta de Melhor Ator pelo papel do Coringa e o sucesso de “Parasita” vai pela primeira vez premiar uma produção em língua estrangeira como Melhor Filme?

Lembrando que você acompanha nossa cobertura da cerimônia pelas redes sociais a partir das 21h deste domingo (9). Seu bolão já tá pronto?

Melhor Animação

Imagem: Divulgação

Uma das maiores surpresas da temporada foi a ausência de “Frozen II” nos indicados desta categoria, filme que desde então se tornou a maior bilheteria mundial de uma animação. A Disney, contudo, ainda tem outro concorrente no páreo com “Toy Story 4” e seus gráficos hiperrealistas que o tornam o franco-favorito pela estatueta. Outra sequência a dar as caras é “Como Treinar Seu Dragão 3”, franquia que já devia ter sido premiada anteriormente, mas chega agora com poucas chances de vitória.

Contudo o ano parece ser das animações de estilo mais experimental. A produção francesa “Perdi Meu Corpo” tem um visual impressionante, mas perde pontos aqui por ser voltada para um público mais adulto. O stop-motion da Laika “Link Perdido” ganhou momentum com a vitória no Globo de Ouro, mas quem vem angariando os prêmios dos sindicatos é a bela e tocante animação natalina da Netflix, “Klaus”.

  • “Klaus”
  • “Link Perdido”
  • “Toy Story 4”
  • “Como Treinar Seu Dragão 3”
  • “Perdi Meu Corpo”

Melhor Filme Estrangeiro

Possivelmente o prêmio mais óbvio do ano, “Parasita” sai muito à frente tendo vencido o Globo de Ouro e o Bafta, com grandes chances em outras categorias. A surpresa entre os indicados fica para a França, que optou por mandar “Les Miserables” em vez de “Retrato de uma Jovem em Chamas” para a disputa. 

O espanhol Pedro Almodóvar entrega uma obra muito biográfica em “Dor e Glória”, com o astro Antonio Banderas reconhecido pelo sensível trabalho. Um possível 2º lugar merecido ao mestre das cores. Destaque também para “Honeyland”, indicado por Melhor Documentário e aparecendo aqui novamente, se tornando o 1º documentário a atingir tal feito.

  • “Dor e Glória”
  • “Parasita”
  • “Honeyland”
  • “Os Miseráveis”
  • “Corpus Christi”

Melhor Roteiro Adaptado

Foto: Divulgação

Novamente um filme baseado em personagens de HQs chega à categoria. Porém, assim como “Logan” (2017), “Coringa” não tem grandes chances, mas com certeza sairá com algum(s) prêmio(s) no dia 9. Taika Waititi brilha com sua sátira do nazismo “Jojo Rabbit”, tendo vencido o Bafta.

Também digladiam entre si Steven Zaillian, que já venceu o Oscar por “A Lista de Schindler” (1993) e esse ano concorre por “O Irlandês”, e Greta Gerwig, que imprimiu sua marca em um clássico da literatura com sua adaptação de “Adoráveis Mulheres”. Vale lembrar que a ausência de Greta na categoria de direção (sem nenhuma diretora feminina) causou polêmica, o que pode aumentar as chances da artista ser reconhecida aqui.

  • Taika Waititi – “JoJo Rabbit”
  • Todd Phillips e Scott Silver – “Coringa”
  • Greta Gerwig – “Adoráveis Mulheres”
  • Anthony McCarten – “Dois Papas”
  • Steven Zaillian – “O Irlandês”

Melhor Roteiro Original

Um texto bem feito já é meio caminho para um filme ganhar destaque, facilitando tanto para o diretor quanto para os atores, como ocorre em “História de um Casamento”. O diretor e roteirista Noah Baumbach dá muito tempo de tela aos seus astros para explorar tocantes monólogos e aproveitar o talento de Adam Driver e de Scarlett Johansson juntos.

Apesar do tom e do ritmo certeiros na obra de Baumbach, ninguém conseguiu conversar o texto tão bem com a montagem e com seus atores do que Bong Joon-Ho. O coreano entrega uma trama cômica, crítica e tensa na mesma medida, trazendo uma experiência única para o cinema em 2019.

Tarantino sempre traz uma maneira singular de abordar suas extensas histórias às telas, e o reconhecimento pelo texto de Rian Johnson é justo, com um “Entre Facas e Segredos” cheio de plot twists, tão qual um livro de Agatha Christie. Porém, “Parasita” é o merecedor da honra de subir ao palco.

  • Noah Baumbach – “História de um Casamento”
  • Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns – “1917”
  • Rian Johnson- “Entre Facas e Segredos”
  • Quentin Tarantino -“Era Uma Vez Em… Hollywood” 
  • Bong Joon Ho e Han Jin Won- “Parasita”

Melhor Atriz Coadjuvante

Foto: Divulgação

Scarlett  Johansson recebeu sua 1ª indicação ao Oscar e de quebra uma 2ª no mesmo ano, porém com menos chances como coadjuvante. Quem vem fazendo “a rapa” nessa categoria é Laura Dern por seu papel como advogada da personagem de Scarlett em “História de um Casamento”, onde rouba a cena nas poucas em que aparece. Seu ótimo trabalho como mãe do quarteto em “Adoráveis Mulheres” também pesa na decisão da Academia.

Outra que se destacou em 2019 por dois papéis foi a jovem Florence Pugh, recebendo sua 1ª indicação pelo longa de Greta Gerwig, mas que chocou por sua forte atuação no terror de “Midsommar”. A atriz é uma promessa para competir novamente nos próximos anos. Mas, dessa vez, o careca dourado deve ir para Dern.

  • Scarlett Johansson – “JoJo Rabbit”
  • Florence Pugh – “Adoráveis Mulheres”
  • Margot Robbie – “O Escândalo”
  • Kathy Bathes – “O Caso Richard Jewell”
  • Laura Dern – “História de Um Casamento”

Melhor Ator Coadjuvante

O começo da temporada parecia bastante propício para o elenco de “O Irlandês”, formado por veteranos da indústria cinematográfica. Apesar de ter o protagonista Robert De Niro ignorado na categoria de ator, seus companheiros Al Pacino e Joe Pesci conquistaram indicações aqui, mas devem sair de mãos vazias. As coisas já estiveram melhores também para Tom Hanks, único representante de “Um Lindo Dia na Vizinhança”.

Se temos algumas certezas esse ano é em relação às categorias de atuação, que tem se fortalecido a cada premiação que passa com os mesmos vencedores. Brad Pitt encontrou reconhecimento por seu papel vigoroso no novo filme de Tarantino e caiu nas graças de seus comparsas com os discursos de agradecimento mais engraçados da temporada. O galã nunca venceu um Oscar de atuação, mas possui uma estatueta como produtor de “12 Anos de Escravidão” (2013).

  • Tom Hanks – “Um Lindo Dia na Vizinhança”
  • Anthony Hopkins – “Dois Papas”
  • Al Pacino – “O Irlandês”
  • Brad Pitt – “Era Uma Vez Em… Hollywood”
  • Joe Pesci – “O Irlandês”

Melhor Atriz

Foto: Divulgação

A polêmica por Lupita Nyong’o não aparecer entre as 5 indicadas por “Nós” deve continuar, mas seria difícil a atriz desbancar o trabalho biográfico de Renée Zellweger por “Judy: Muito Além do Arco-íris”. 

A estrela Judy Garland (“O Mágico de Oz”) é encarnada por Renée para expor sua conturbada trajetória no cinema, assim como a da profissional que a interpreta. A já premiada Zellweger passou a última década longe dos holofotes, voltando em um longa mediano, porém alavancado por uma complicada Judy cheia de trejeitos. A atriz – diferente de um dos premiados de 2019 – de fato canta as clássicas canções de Garland, aumentando ainda mais suas chances para uma 2ª estatueta.

Menção honrosa para Scarlett Johansson aqui por sua performance durante um casamento desmoronando no longa de Baumbach.

  • Charlize Theron – “O Escândalo”
  • Renée Zellweger – “Judy: Muito Além do Arco-Íris”
  • Scarlett Johansson – “História de um Casamento”
  • Saoirse Ronan – “Adoráveis Mulheres”
  • Cynthia Erivo – “Harriet”

Melhor Ator

Joaquin Phoenix está a um passo de fazer história como o primeiro homem a vencer a categoria de Melhor Ator por um filme baseado em HQs. O ator tem uma história de vida marcada por traumas e superação, tendo entregado atuações metódicas fantásticas ao longo da última década – fatores que reforçam ainda mais suas chances da vitória. Esperamos uma nova menção a Heath Ledger, que venceu de forma póstuma o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante também pelo personagem do Coringa.

Adam Driver teve um ano espetacular com “O Relatório”, “Star Wars: A Ascensão Skywalker” e “História de um Casamento”, que lhe rendeu uma indicação. Em um ano mais calmo, ele seria o favorito, mas sua vez ainda vai chegar. Destacamos ainda Antonio Banderas, ator de muita bagagem que recebe sua primeira (e mais do que justa) indicação aos 59 anos por um filme em língua espanhola.

  • Joaquin Phoenix – “Coringa”
  • Jonathan Price – “Dois Papas”
  • Antonio Banderas – “Dor e Glória”
  • Leonardo DiCaprio – “Era Uma Vez Em… Hollywood”
  • Adam Driver – “História de um Casamento”

Melhor Diretor

Foto: Divulgação

Se Tarantino e Scorsese fazem um filme, podem esperar pela indicação da Academia. Neste ano, porém, os dois nomes não devem ser coroados por entregarem mais do mesmo. Mais uma vez, ficam o questionamentos: Greta Gerwig não deveria estar aqui? O “Coringa” de Todd Phillips foi suficiente para desbancar a cineasta?

A discussão sobre diretoras esnobadas deve expandir para outros nomes, como o surpreendente trabalho de Céline Sciamma em “Retrato de uma Jovem em Chamas”, também esquecido. Ainda há muito a mudar entre os votantes da Academia para não serem vistas somente como um “nome representativo”, mas vê-las como competidoras que desenvolvem longas tão bons ou melhores que trabalhos já esperados de velhas figuras da indústria.

A presença de Bong Joon-Ho aqui já mostra uma evolução nesse sentido, reconhecendo, assim como Paweł Pawlikowski em 2019, a criação fora do eixo americano. Apesar do magnífico trabalho em “Parasita”, o Oscar aqui deve acabar com outro nome.

Os diversos desafios técnicos de gravar um filme de guerra, se propondo a fazê-lo inteiro como um plano sequência, destacaram “1917”. A imersão trazida ao público durante a simples trama de um trajeto quase impossível de ser completado por dois soldados eleva Sam Mendes a um outro patamar neste ano. Vencedor 20 anos atrás por “Beleza Americana”, a 2ª honraria dourada a Mendes pela gigantesca tarefa é justa.

  • Martin Scorsese – “O Irlandês”
  • Todd Phillips – “Coringa”
  • Sam Mendes – “1917”
  • Quentin Tarantino – “Era Uma Vez Em… Hollywood”
  • Bong Joon Ho – “Parasita”

Melhor Filme

É um ano interessante para o Oscar. Mesmo que a premiação seja referente ao ano anterior, a data mais cedo que o comum (no início de fevereiro) tem rendido reclamações de alguns votantes que dizem não ter tempo suficiente para assistir e comentar todos os concorrentes. Será que isso trará algum impacto sobre o principal prêmio da noite?

O Melhor Filme é eleito em uma mecânica diferente das outras categorias: ao invés de escolher apenas um vencedor, os votantes fazem um ranking entre os indicados e o filme que se sai vencedor é tirado a partir de uma média consensual entre cada ranking. Essa logística pode acabar beneficiando filmes que não sejam o favorito da maioria, mas que tenham ficado em boas colocações no todo. É o que acredita-se que tenha dado a vitória a “Green Book: O Guia” no ano passado.

Os concorrentes centrais esse ano são filmes bastante opostos mas de grande intensidade. O primeiro é “1917”, filme de guerra que mesmo entrando tarde na competição tem angariado diversos prêmios e pode ser o grande vencedor técnico da noite, abocanhando também Melhor Filme. O outro é “Parasita”, longa sul-coreano que explora a desigualdade social com maestria e que tem sido querido por diversos ramos da indústria.

Mas seriam os votantes capazes de finalmente reconhecer um filme estrangeiro como melhor que seus próprios esforços? Seria uma noite histórica pela qual torcemos. Isto, é claro, se o sistema de votação não acabar premiando “Jojo Rabbit” ou “Era Uma Vez Em… Hollywood”.

  • Coringa
  • Adoráveis Mulheres
  • História de um Casamento
  • Ford vs Ferrari
  • O Irlandês
  • Jojo Rabbit
  • 1917
  • Era Uma Vez Em… Hollywood
  • Parasita