Oscar 2020: Prováveis vencedores – Parte 1

05/02/2020 - POSTADO POR and EM Filmes

Mais do que um novo ano, 2020 marca o início de uma nova década para o mundo do cinema. Enquanto relembramos os grandes filmes lançados nos anos de 2010, chegamos a uma temporada de premiações marcada por grandes diretores como Tarantino e Scorsese, além de um forte concorrente do cinema estrangeiro com o sucesso sul-coreano “Parasita”.

Aqui no Roteiro Nerd, você confere as nossas tradicionais apostas para os vencedores da premiação, que este ano ocorre mais cedo que o usual, no dia 9 de fevereiro.

A lista será dividida em duas partes. Nesta primeira matéria vamos abordar as categorias mais técnicas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, incluindo som, figurino e fotografia. Os prêmios mais cobiçados serão abordados na Parte 2.

Melhor Canção Original

Foto: Divulgação

Rocketman” infelizmente foi esnobado em diversas categorias, mas tem aqui sua maior chance de não passar em branco nessa temporada.  Elton John assina a original “(I’m Gonna) Love Me Again” de sua biografia fantasiosa. Num filme que celebra a música e sua grande carreira, o compositor pode levar sua segunda estatueta após ter vencido em 1995 com sua contribuição para “O Rei Leão”.

A Disney entra no páreo com“I Can’t Let You Throw Yourself Away”, de Toy Story 4, uma indicação surpresa, e “Into the Unknown”, de Frozen II, que não chega perto do favoritismo de “Let it Go” de anos atrás. “Stand Up”, na voz de Cynthia Erivo, deve render uma bela performance na cerimônia, correndo por fora pelo prêmio.

  • “Into the Unknown” – Frozen II
  • “(I’m Gonna) Love Me Again” – Rocketman
  • “I Can’t Let You Throw Yourself Away” – Toy Story 4
  • “Stand Up” – Harriet
  •  “I’m Standing with You” – Breakthrough

Melhor Trilha Sonora Original

A categoria tem um “casos de família” com os primos Thomas Newman e Randy Newman competindo entre si por seus trabalhos em “1917” e “História de um Casamento”, respectivamente. Os já veteranos Alexandre Desplat e John Williams disputam novamente, o primeiro por “Adoráveis Mulheres” e o segundo pela conclusão morna da saga Star Wars.

Ninguém, entretanto, tem a força que Hildur Gudnadóttir vem acumulando nesta temporada. A violoncelista islandesa capturou os ouvidos da indústria com seu trabalho marcante em “Coringa”, usando as cordas de forma brilhante ao longo da montanha russa de emoções que perpassa Arthur Fleck (Joaquin Phoenix). O trabalho da compositora contribui para o desenvolvimento do personagem com maestria. 

  • Hildur Gudnadóttir – “Coringa”
  • Thomas Newman – “1917”
  • Alexandre Desplat – “Adoráveis Mulheres”
  • Randy Newman – “História de um Casamento”
  • John Williams – “Star Wars: A Ascensão Skywalker”

Melhores Efeitos Visuais

Foto: Divulgação

Esta categoria é uma grande batalha. Literalmente, já que, dos cinco indicados, três têm como momentos-ápice o desfecho em uma luta de grandes dimensões, como “Star Wars”, “Ultimato” e “1917”.  “O Rei Leão” chamou mais atenção do público por seus efeitos hiper-realistas do que pelo filme de fato, perdendo força apesar da qualidade no trabalho com os animais. 

O “patinho feio” aqui é “O Irlandês”, que merece reconhecimento por seu rejuvenescimento e envelhecimento digital dos protagonistas, mas não deve pintar como vencedor. A conclusão épica do primeiro ciclo do MCU é quem tem suas maiores chances aqui, premiando o titã Thanos e todo o universo da Marvel por seus mais de 10 anos com excelentes trabalhos técnicos. 

  • Dan Deleeuw, Dan Sudick – “Vingadores: Ultimato”
  • Greg Butler, Guillaume Rocheron, Dominic Tuohy – “1917’’
  • Leandro Estebecorena, Stephane Grabli, Pablo Helman – “O Irlandês”
  • Andrew R. Jones, Robert Legato, Elliot Newman, Adam Valdez – “O Rei Leão”
  • Roger Guyett, Paul Kavanagh, Neal Scanlan, Dominic Tuohy – “Star Wars: A Ascensão Skywalker”

Melhor Fotografia

Em aspectos estritamente estilísticos, a fotografia mais singular deste ano é do filme de Robert Eggers “O Farol”. A proporção de tela estreita além do processamento em preto e branco das imagens confere uma visão artística que faz parecer que o filme pertence de fato à outra era – ou outro mundo, acrescentando à claustrofobia e loucura que acometem os protagonistas.

Mas o prêmio deste ano deve ir para as mãos do grande Roger Deakins, que consagrando uma carreira fantástica foi reconhecido por seu trabalho em “Blade Runner 2049” (2017) e agora deve levar uma segunda estatueta pelos longos e árduos planos-sequência de “1917”.

  • Roger Deakins – “1917”
  • Rodrigo Prieto – “O Irlandês”
  • Lawrence Sher – “Coringa”
  •  Jarin Blaschke – “O Farol”
  • Robert Richardson – “Era uma vez em… Hollywood”

Melhor Documentário

Foto: Divulgação

Temos um brasileiro no páreo! “Democracia em vertigem”, de Petra Costa, é uma produção original da Netflix sobre o cenário político do Brasil após o golpe de 2016 até chegarmos à eleição de Jair Bolsonaro como presidente. Será que a obra tem a força política necessária para subir ao palco?

Apesar do grande trabalho de Petra, a glória fica entre “Honeyland”, da Macedônia, mostrando a vida da última apicultora do país, e “For Sama”, um pesado mas necessário registro em 1ª pessoa da jornalista Waad al-Kateab sobre a Guerra da Síria. Vencedor da categoria no BAFTA e pelo impacto sociopolítico que carrega em um cenário recente de quase guerra entre Irã x EUA,  “For Sama” merece a honra máxima neste domingo. 

  • “Honeyland”
  • “For Sama”
  • “Indústria Americana”
  • “The Cave”
  • “Democracia em Vertigem”

Melhor Documentário em Curta-metragem

O discurso de empoderamento desde cedo com meninas afegãs sobe “Learning to Skateboard in a War Zone” para o topo da lista entre os favoritos, com o drama pessoal e político do rapper negro e ativista em “St. Louis Superman” pintando como possível surpresa. Embora mostre a polêmica que levou à renúncia da presidente da Coreia do Sul, “In the absence” perdeu força por explorar pouco lado mais íntimo das vítimas do naufrágio de uma embarcação, operação em foco durante o lento documentário. 

  • “In the Absence”
  • “Walk, Run, Cha-Cha”
  • “Life Overtakes Me”
  • “St. Louis Superman”
  • “Learning to Skateboard in a War Zone”

Melhor Direção de Arte

Foto: Divulgação

Nesta categoria, é levado em consideração como os elementos são organizados em cena, como objetos, ambientações, paleta de cores, etc. Tudo aquilo que cria a atmosfera de um longa. Normalmente, filmes de época levam a frente na disputa, pela recriação do período e pela quantidade de componentes envolvidos.

“1917” figura entre os favoritos pela reconstrução do cenário da Grande Guerra com o desafio de organizar todos os ambientes para uma completa imersão durante as longas cenas sem cortes. “Parasita” merece destaque pela complexa casa em que se passa o filme, estrutura que foi construída do zero para a produção. Resgatando uma efervescente Hollywood no fim dos anos 60, o longa de Tarantino também se mantém firme, enquanto “O Irlandês” perde força. O prêmio deve acabar com “1917”. 

  • Barbara Ling, Nancy Haigh – “Era uma vez em… Hollywood”
  • Dennis Gassner, Lee Sandales – “1917”
  • Ra Vincent e Nora Sopková – “Jojo Rabbit”
  • Bob Shaw, Regina Graves – “O Irlandês”
  • Lee Ha Jun – “Parasita”

Melhor Curta em Animação

Curiosamente (e felizmente), a Disney não tem um candidato dominando a categoria neste ano. O envolvimento do estúdio tangencia o curta “Kitbull”, que conta a relação de amizade entre um gato e um cachorro. O projeto faz parte de uma iniciativa louvável da Pixar, intitulada SparkShorts, que incentiva artistas a realizarem suas visões mais singulares. 

“Hair Love”, distribuído pela Sony, tem feito grande sucesso na internet ao envolver temas de aceitação, padrões de beleza e paternidade. Mais uma vez a política de filho único da China pode ser pauta na noite do Oscar com o curta “Sister”, cujo protagonista imagina como seria sua vida sem sua irmã mais nova. A complicada técnica de pintura no esquizofrênico “Memorable” também o alavanca, mas o discurso sensível de “Hair Love” deve ganhar o Oscar por sua simples mas tocante história. 

  • “Dcera (Daughter)”
  • “Hair Love”
  • “Kitbull”
  • “Sister”
  • “Memorable”

Melhor Figurino

Foto: Divulgação

Assim como em Direção de Arte, filmes de época costumam dominar essa categoria.  É o caso deste ano, e Jacqueline Durran é o nome a ser vencido. Vencedora do Oscar por “Anna Karenina” (2012), a figurinista faz um grande trabalho com as roupas de “Adoráveis Mulheres”, onde cada vestimenta diz algo sobre uma das irmãs March.

    Mayes C. Rubeo, mexicana, recebe sua primeira indicação pelos figurinos marcantes da Alemanha nazista em “Jojo Rabbit”, correndo por fora. Pelo menos se a vitória for para Mark Bridges, de “Coringa”, não precisamos nos preocupar com a música cortando seu discurso: o americano venceu o Oscar por “Trama Fantasma” (2017) e, pelo seu discurso de 30 segundos (o menor da noite), ganhou um jet ski e uma viagem, como havia sido prometido pelo anfitrião da cerimônia Jimmy Kimmel.

  • Arianne Phillips – “Era uma vez em… Hollywood”
  • Sandy Powell, Christopher Peterson – “O Irlandês”
  • Jacqueline Durran – “Adoráveis Mulheres”
  • Mayes C. Rubeo – “Jojo Rabbit”
  • Mark Bridges – “Coringa”

Melhor Curta-metragem

Se em “Brotherhood” vemos uma trama tensa entre uma famíla da Tunísia que termina com “gostinho de quero mais” e em “Neighbor’s Window” o velho ditado sobre “a grama do vizinho sempre é mais verde” é subvertido, em “Nefta Football Club” temos uma mistura perfeita de apreensão e humor entre dois irmãos que encontram quilos de cocaína a caminho de sua vila. Apesar da história mais fechada, a história dos dois jovens não deve bater o favorito tunisiano. 

  • A Sister 
  • Nefta Football Club
  • Brotherhood
  • The neighbor’s window
  • Saria

Melhor Maquiagem e Cabelo

Foto: Divulgação

Nenhuma maquiagem este ano falou mais alto do que o icônico Coringa. O sucesso do estilo clássico do palhaço, que ao longo do filme fica cada vez mais sombrio, era uma indicação certa e com chances de faturar a estatueta.. Contudo produções que transformam atores geralmente levam a melhor nesta categoria, e temos dois exemplos femininos marcantes em “O Escândalo” e “Judy” que deixaram Charlize Theron e Renée Zellweger, respectivamente, irreconhecíveis em seus papéis baseados em personalidades reais.

  • Kay Georgiou, Nicki Ledermann – “Coringa”
  • Paul Gooch, Arjen Tuiten and David White – “Malévola: Dona do Mal”
  • Vivian Baker, Kazu Hiro, Anne Morgan – “O Escândalo”
  • Jeremy Woodhead – “Judy”
  • Naomi Donne, Tristan Versluis and Rebecca Cole – “1917”

Melhor Edição de Som

Antes de tudo, devemos diferenciar esta e a próxima categoria, sempre muito confundidas. A edição de som se refere à captação de sons durante um filme. O que vai ser gravado ou criado (sons ambientes, diálogos), como será gravado (microfone de lapela, convencional) e porque deve entrar na produção. Por sua vez, a mixagem de som é feita na pós-produção do filme, quando um editor vai justamente encaixar esse material que foi gravado e organizar com outros sons, como músicas ou efeitos sonoros.

Filmes de guerra costumam levar a dianteira nessa categorias pelos diversos elementos de som que os compõem. Naturalmente, “1917” é franco favorito, mas observa pela seu retrovisor os velozes carros da Ford e da Ferrari explodindo seus motores na busca pela vitória. A briga é dura, mas o longa de corrida deve levar a melhor nessa. 

  • Wylie Stateman – ”Era uma vez em… Hollywood”
  • David Acord e Matthew Wood – “Star Wars: A ascensão Skywalker”
  • Donald Sylvester – “Ford vs Ferrari”
  • Oliver Tarney e Rachael Tate – “1917”
  • Alan Robert Murray – “Coringa”

Melhor Mixagem de Som

Foto: Divulgação

Aqueles da categoria anterior costumam aparecer nesta pelo conjunto da obra na questão de som, portanto a repetição dos nomes é natural. Novamente, “1917” e “Ford vs Ferrari” estão frente à frente na competição, digladiando quanto quem melhor uniu suas trilhas às frenéticas cenas de guerra e de corridas. A dúvida é enorme, mas nossa aposta vai para o longa de Sam Mendes dessa vez. 

  • Gary Rydstrom, Tom Johnson e Mark Ulano – “Ad Astra”
  • Michael Minkler, Christian P. Minkler e Mark Ulano – ”Era uma vez em… Hollywood”
  • Mark Taylor and Stuart Wilson  – “1917”
  • David Giammarco e Steven A. Morrow – “Ford vs Ferrari”
  • Tom Ozanich, Dean Zupancic e Tod Maitland – “Coringa”

Melhor Montagem

O prêmio de Montagem, que condecora a edição do filme, costuma ser um importante guia para o grande vencedor da noite. Ano passado, a edição pavorosa de “Bohemian Rhapsody” levou a estatueta – mas o Melhor Filme da noite,  “Green Book: O Guia” havia sido indicado na categoria. “Parasite” tem força aqui por transitar tão bem entre gêneros distintos.

A colaboradora de longa data de Scorsese, Thelma Schoonmaker, é a única mulher na categoria e um nome respeitado no ramo, condensando nesta temporada a longa história contada em “O Irlandês”.  Quem pode ser reconhecido aqui mesmo sem muitas chances na categoria principal é “Ford v Ferrari”, com sua edição enérgica do mundo da velocidade.

  • Andrew Buckland, Michael McCusker – “Ford v Ferrari”
  • Thelma Schoonmaker  – “O Irlandês”
  • Yang Jinmo – “Parasite”
  • Tom Eagles- “Jojo Rabbit”
  • Jeff Groth – “Coringa”