Três dias de revolta em Orange Is the New Black

19/06/2017 - POSTADO POR EM Séries
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“Orange Is the New Black” é uma série que, apesar da lógica mercadológica por trás da Netflix, foi feita para incomodar. Começando pelas personagens principais, que são mulheres negras, latinas, pobres, criminosas, com baixa escolaridade e fora do padrão de beleza, cada episódio mostra um questionamento válido para todos. A quinta temporada nos atingiu como uma bomba e nós vamos falar dela nesse texto. Tem também uma playlist pra você ouvir enquanto traça planos para se rebelar contra o sistema, ou só pra se divertir, você decide.

Se você não assistiu à quarta temporada e não tem interesse em ver spoilers sobre a quinta, é importante parar de ler por aqui.

Retrospectiva atrás das grades

Desde a primeira temporada vemos mulheres que, apesar de tudo, tentam sobreviver em Litchfield. No entanto, essa sobrevivência se tornou um desafio cada vez maior depois que a prisão foi comprada por uma empresa privada. Por visar apenas o lucro, as detentas deveriam trabalhar enquanto cumpriam pena e, vendo uma oportunidade, Piper (Taylor Schilling) começou seu próprio negócio – que acabou não dando muito certo.

Amontoadas em beliches, vendo uma colega ser assassinada sem motivos, dividindo banheiros em condições péssimas e comendo o que elas chamam de “lavagem”, as “moradoras” da prisão feminina pareciam acumular cada vez mais frustrações. Isso nos levou à quinta temporada, 13 episódios que se passam em apenas três dias, que mostra o que aconteceu no motim e como todas sobreviveram a isso (se é que sobreviveram).

Foto: Divulgação

Um nome para a revolução

O maior baque da série foi a morte da personagem Poussey (Samira Wiley). Presa por consequência de um ato homofóbico contra ela, a garota negra e lésbica tentava, apenas, cumprir sua pena. Seu romance com Soso (Kimiko Glenn) era simples e nos acostumamos a torcer pelo casal, até que sua morte, aparentemente sem razões para o plot da quarta temporada, fez tudo desabar.

No entanto, o fim da vida da personagem foi o que deu força à grande parte das detentas para começar a rebelião. Seu corpo não teve um funeral adequado, seu nome não foi homenageado e sua morte não foi honrada até o motim se estabelecer. Poussey se fez líder sem nem precisar aparecer em outro lugar além das memórias das pessoas que amava.

Foto: Divulgação

Ode aos guardas

Guardas novos, incapacitados e sem nenhuma habilidade social lidando com mulheres enraivecidas = violência. Na quinta temporada nós vamos lavar nossas almas vendo os guardas sendo humilhados e entendendo a realidade da prisão – exatamente porque eles vão viver isso na carne.

Uma personagem vai escorregar e deixar um deles escapar, e isso talvez resulte em sérias consequências para todos, mas você só vai saber disso quando terminar os episódios. O que posso adiantar é que, em alguns pontos, a justiça será feita e você vai vibrar com a desgraça dos guardas – isso é horrível, eu sei, mas é inevitável.

Foto: Divulgação

Romance

Nossos casais favoritos não poderiam ficar de fora, né? Alex (Laura Prepon) e Piper parecem ter feito um trato e estão bem, mas não o tempo todo. No entanto, para o desgosto de algumas pessoas, elas não serão o centro dessa temporada e vamos explorar outras possibilidades e personagens.

Mesmo depois de casada, Lorna (Yael Stone) não consegue ficar longe de Nicky (Natasha Lyonne), por mais que diga o contrário. Apesar disso, as cenas que envolvem as duas podem deixar o seu coração triste e ressentido, mas vai ficar tudo bem (isso também depende do que você considera ser uma coisa boa).

Foto: Divulgação

Expectativa x Realidade

Quando se organizam dentro do motim e percebem que, por terem reféns em seu poder, as detentas podem fazer uma lista de exigências, uma votação é iniciada.Os itens vencedores seriam mostrados ao “mundo lá fora” e isso incluía a imprensa e o governo. Depois de pronta,  a lista exigia a prisão do guarda que matou Poussey, a inclusão de Cheetos na lojinha, melhores condições de higiene, guardas treinados, entre outros.

Mesmo organizadas e unidas, a população do presídio, mesmo com reféns, está em desvantagem. Para onde nos levará essa temporada sofrida e cheia de ação?

Foto: Divulgação