Operação Red Sparrow: A violência por trás da sedução

27/02/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Nesta quinta-feira, 01, chega aos cinemas “Operação Red Sparrow”, nova parceria do diretor Francis Lawrence com Jennifer Lawrence depois do sucesso da dupla na franquia de “Jogos Vorazes” (2014). Dessa vez, entretanto, trata-se de uma trama ainda mais sóbria e madura, cheia de espionagem, violência e sedução.

Enredo

Dominika Egorova (Jennifer Lawrence) é uma jovem bailarina bem sucedida do Bolshoi, que vê sua carreira chegar ao fim depois de um acidente que machuca gravemente sua perna. Diante da incapacidade de prosseguir com sua carreira, ela precisa encontrar um meio de manter-se, mas, principalmente, um meio de dar assistência médica para sua mãe, que sofre de uma grave condição clínica.  

Incapaz de voltar aos palcos, e sem saída para sua atual situação, Dominika é convencida a tornar-se uma Sparrow, um tipo de agente da inteligência russa que usa de métodos de sedução e dominação para alcançar os objetivos do governo.

Prisioneira da pátria

Ser uma Sparrow, como é reforçado inúmeras vezes no filme, é abdicar do seu corpo e da sua existência para ser uma arma humana de uso da pátria. Na escola desses agentes, por onde Dominika tem de passar, há um processo de despersonificação daqueles “estudantes”, onde o fim comum é encontrar jovens, bonitos e sedutores, para serem usados como forma de manipular e eliminar os inimigos da nação.

O paralelo com diversos grupos marginalizados da sociedade é visível, uma vez que a personagem, para o governo, é apenas um instrumento descartável e substituível para se chegar à um suposto bem comum. Assim, a protagonista de Jennifer Lawrence, que aqui traz uma atuação forte e inabalável, busca, de alguma forma, fugir desse domínio ao qual foi obrigada a se submeter.

Temos, então, uma mulher inconformada e de caráter bastante forte, buscando sua liberdade e sobrevivência, por meio dos artifícios que lhe são dados, mas, principalmente, por meio de sua inteligência e astúcia.

Foto: Divulgação

De que lado você está?

Um dos artifícios mais conhecidos nos filmes de espionagem é, com certeza, a incerteza que ronda os personagens da trama. Não é fácil prever de que lado eles estão, nem mesmo medir se suas atitudes são totalmente boas ou ruins.

Em “Operação Red Sparrow” isso é muito bem trabalhado, pois a produção nos entrega um sentimento de dúvida durante toda sua história, onde somos surpreendidos a cada nova situação em que os personagens se encontram. É difícil dizer quem é o inimigo e o mocinho naquele momento, uma vez que o próprio filme parece nos enganar diversas vezes, quando nem mesmos somos capazes de ler a protagonista e suas motivações. Isso é imprescindível para prender atenção do telespectador até o final da obra, onde encontra-se um desfecho original e inesperado.

Foto: Divulgação

Veredito

Apesar de toda a ação eletrizante, sangue e tortura presentes na tela, “Operação Red Sparrow” não se trata somente da violência física, mas sim da violência por trás das atitudes e desejos do ser humano. É sobre atingir o outro em seu âmbito mais interno, saber suas necessidades e suas carências, para, então dominá-lo.

Dominika tenta ser a representação disso, pois, na trama, ela tem seu corpo dominado e usado pelo Estado, mas se mostra capaz de dominar os outros por meio da sedução e da manipulação. Entretanto, ela parece se perder na superficialidade de uma personagem sexy e calculista, que não tem um desenvolvimento profundo de suas motivações. O que, na verdade, se estende para todos os outros personagens do filme, que não se sobrepõe ao olhar do público, por uma carência de personalidades bem trabalhadas e de backgrounds convincentes. O romance e as relações estabelecidas entre eles em tela não convencem, o que enfraquece o roteiro e deixa uma sensação de impessoalidade.

“Procure o que falta na pessoa; Seja o que falta nela e, então, você dominará essa pessoa.”

Por fim, “Operação Red Sparrow” é um thriller empolgante, que por trás de ótimas cenas de ação e suspense, possui uma história de vingança, redenção e liberdade, que, apesar de seu potencial, não alcança todo seu poder, pois mantém-se superficial diante de questões e personagens interessantes, que, no enredo, são pouco desenvolvidos. Assim, apesar de boas ideias, o filme não se destaca quanto ao roteiro e as reflexões que poderia trabalhar, mas é composto de cenas de ação muito bem executadas, bons plot twists e um desfecho realmente surpreendente, o que fazem a ida ao cinema valer a pena.

Foto: Divulgação