Operação Overlord – uma mistura atordoante de gêneros

10/11/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Chega aos cinemas essa semana “Operação Overlord”, filme produzido por J.J. Abrams que havia-se especulado fazer parte do Cloverfield Universe – mas acabou não fazendo. A direção ficou a cargo de Julius Avery, que comanda uma mistura de ação, suspense, guerra e ficção científica. Você confere aqui o veredito.

Caindo de paraquedas

A abertura do filme já havia sendo veiculada como uma prévia especial antes de alguns filmes no formato IMAX, e sem dúvida é uma das melhores sequências do longa. Com algumas cenas em primeira pessoa, o público testemunha um avião em queda e é literalmente jogado de paraquedas no meio da ação, com tiros e explosões da batalha por todos os lados. A história se passa no Dia D da II Guerra Mundial, quando os Aliados invadem a Europa Ocidental, que havia sido conquistada pelo exército nazista.

Acompanhamos um grupo de soldados americanos que se dirigem para a França, com o objetivo de derrubar uma torre de transmissão inimiga e liberar o caminho para que o resto da tropa possa alcançar o local. Após grande parte deles serem dizimados na chegada, os membros restantes do grupo tem poucas horas para concluir a missão, que vai se provar mais assustadora do que o imaginado.

Foto: Divulgação

De tudo um pouco

“Operação Overlord”, apesar do nome pouco conhecido, é a alcunha oficial para o Dia D da guerra. O filme, porém, toma centenas de “liberdades criativas”, que podem soar ofensivas para uma parte da audiência. O roteiro imagina que, na busca pela imortalidade, cientistas alemães que realizavam experimentos em humanos acabaram criando nada menos que zumbis.

Os momentos de alívio cômico estão presentes, e em sua maioria funcionam. A ação, após a adrenalina da sequência inicial, se resguarda em confrontos um-a-um e de menor escala, frustrando quem espere ver um exército de zumbis ou cenas de batalha num nível épico. A violência presente é destacada, recheada de sangue e gráfica, sendo angustiante ao beirar um torture porn perto do fim.

Foto: Divulgação

Execução

O elenco, em sua maioria desconhecido pelo grande público, faz o seu trabalho – ainda que não brilhe. Jacob Anderson, um rosto familiar para os fãs de “Game of Thrones” no papel de Grey Worm, surpreende ao encontrar seu fim logo nos primeiros minutos do longa. Enquanto a trilha sonora de Jed Kurzel é tensa e eficaz, o trabalho de mixagem de som chega ser um assalto aos ouvidos com o ruído da guerra sendo bombardeado em volume máximo.

O suspense é onipresente e um trunfo do filme, apesar de recorrer a jumpscares e trazer elementos previsíveis em cena. O conceito de “Arma de Chekhov”, em que um objeto aparece no quadro com o propósito de ser utilizado mais tarde, poderia ser estudado em “Operação Overlord”, que se utiliza bem do recurso em alguns momentos mas deixa a bola cair em outros.

Veredito

Operação Overlord” é uma anomalia cinematográfica numa indústria que não costuma investir tão alto em uma produção tão incomum. Apesar de não necessariamente trazer algo inédito, o filme mistura elementos de difícil digestão em um pacote bastante rock and roll, que consegue ser sua própria coisa.

A direção consistente do longa e a produção de primeira garantem que todas as bizarrices propostas pelos roteiristas sejam executadas com estilo. A premissa do filme, por sua vez, acaba não cumprindo todo o seu potencial e apresenta um final contido, que empalidece em comparação ao impressionante começo. Apesar de não ser memorável, “Operação Overlord” consegue a façanha de mesclar múltiplos gêneros inusitados e oferecer um entretenimento brutalmente empolgante.

Foto: Divulgação