OBSESSÃO: NÃO DÊ SEU TELEFONE A ESTRANHOS

13/06/2019 - POSTADO POR EM Filmes
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Para os fãs tramas de suspense mais dramáticas, “Obsessão” (2018) chegou aos cinemas do Brasil. Dirigido por Neil Jordan, de “Entrevista com Vampiro” (1994), o filme conta com grandes nomes no elenco, como a veterana Isabelle Huppert e a talentosa Chloë Grace Moretz. Conferimos o filme e vamos contar as nossas impressões, aproveita e não esquece de conferir nossa playlist.

Sinopse

Frances McCullen (Chloë Grace Moretz) é uma moça recém-chegada a Nova Iorque. Ela divide um apartamento com a melhor amiga, Erica (Maika Monroe), pois tem uma relação complicada com o pai, Chris McCullen (Colm Feore), devido a morte da mãe.

A garota trabalha como garçonete em um elegante restaurante de Manhattan, costumando fazer o caminho de ida e volta do trabalho de metrô. Após um de seus turnos, Frances acha no banco de um dos vagões uma bolsa e decide devolver ao dono. Ao vasculhar a bolsa, ela não encontra nada de suspeito, achando o endereço da dona do acessório.

Ao devolver à bolsa, ela conhece uma viúva solitária, Greta Hildeg (Isabelle Huppert), que desenvolve uma grande afeição pela jovem. As duas passam a se encontrar constantemente e Hildeg começa a exagerar nos cuidados com a jovem, passando a procurá-la de uma forma tóxica.

Construção dos personagens

Apesar de ter um trailer um tanto revelador, “Obsessão” (2018) tenta apresentar os personagens de uma forma que o espectador os julguem, mesmo quando já temos noção de quem é a “vilã” e a “mocinha”. O roteiro tenta nos deixar bem familiarizados com os hábitos de cada um e suas personalidades.

Greta aparenta ser uma mulher bem solitária, quase podemos defini-la como uma senhora indefesa. Apesar disso a todo momento procuramos algo que não está certo nela e nos sentimos um pouco culpados por desconfiar de alguém assim. A atuação de Huppert entrega exatamente o que o roteiro pede, garantindo bons momentos de suspense e reviravoltas.  

Já quanto a construção de Frances, vemos que ela realmente é alguém que não parece desconfiar dos perigos ou de outros. É impossível não notar na sua personalidade que mistura delicadeza e ingenuidade, o que revela seu pouco ou nenhum costume com a vida em uma grande cidade. A jovem atriz McCullen nos faz acreditar nas dúvidas e desejos da personagem, sem fazer a ingenuidade confundir com burrice. À medida que o filme avança, a personagem se distancia cada vez mais do estereótipo de vítima burra, que muitas vezes é abordado nos suspenses. A dupla formada por Hildeg e McCullen tem química e funcionou bastante nas telonas.

Foto: Divulgação

Veredito

“Obsessão” (2018) é um suspense leve e psicológico, com muitas reviravoltas. Por apresentar bem os personagens, o ritmo do filme pode soar cansativo nos primeiros minutos para alguns. É impossível não comparar com outras tramas do gênero, como “Garota Exemplar” (2014), apesar de claramente não ter obtido o mesmo êxito.

É inegável que tramas de perseguição, em especial de ‘stalker’ que seguem a cartilha desse tipo de personalidade, não chame atenção. Um dos melhores pontos do filme é ter a noção que você, espectador, não tem ideia nenhuma do que virá pela frente. Aqui, também está a grande armadilha, perder qualquer detalhe pode comprometer a experiência.

Sendo um filme de suspense beirando o thriller, a trama passa longe de ser um “jumpscare”, apesar de conseguir criar tensão e nos faz querer esconder o rosto com medo do que vem pela frente. Na verdade acaba utilizando recursos mais elegantes, prendendo nossa atenção pelo seu jogo de câmeras, planos e fotografia.

O roteiro é bom, mas apresenta pequenas falhas, não falarei muito sobre o assunto para não correr o risco de dar spoiler, mas em algumas ocasiões os personagens começam projetos e objetivos que são colocados como significantes, apenas para depois vermos o roteiro esquecer e ignorar esses eventos. Porém, a quebra de expectativa criada ao decorrer do filme, a boa construção dos personagens e o clima de suspense na medida certa nos fazem relevar facilmente os pequenos deslizes do roteiro.

Foto: Divulgação

PONTOS POSITIVOS:

  • Ótima fotografia;
  • Reviravoltas;
  • Atuações exemplares;
  • Personagens bem construídos;
  • Trilha sonora.

 

PONTOS NEGATIVOS:

  • Ritmo inicial lento;
  • Pequenas falhas no roteiro.

Nota: 8