O Rei Leão: um documentário sobre a selva africana

22/07/2019 - POSTADO POR EM Filmes

A Disney vem relançando suas animações em formato live-action desde 2010, quando “Alice no País das Maravilhas” (2010) estreou nos cinemas. Agora, chegou a vez de “O Rei Leão”, considerada por muitos como a melhor animação do estúdio. Porém o filme de 2019, dirigido por Jon Favreau, já conta com duras críticas e notas bem abaixo da animação de 1994, muitos críticos atentam para o fato do realismo do filme impossibilitar recursos fantásticos que a Disney adora usar em suas animações, enquanto outros defendem que a nova adaptação faz jus à história e entrega um ótimo filme. 

Então qual será melhor? A Animação ou o Live-Action? Vamos conferir!

Inclusive queremos agradecer o Via Sul Shopping pela parceria, que nos proporcionou um convite para assistir esse filmão logo na estreia!

Personagens 

No início do filme somos apresentados a Mufasa. O grande leão tem um ar real, solene, sábio e imponente. Ele é retratado como uma entidade reverenciada por todos os outros leões e animais da selva, e temido pela hienas, suas inimigas. Mufasa consegue ser severo e caloroso ao mesmo tempo, e vemos isso quando dá bronca em seu filho. 

Simba é o filho de Mufasa e é retratado como um filhote enérgico, cheio de entusiasmo e curiosidade. Simba admira o pai e tem o desejo de um dia ser tão valente como ele. Enquanto na fase jovem o pequeno felino é impulsivo, ingênuo e irresponsável, quando adulto nos deparamos com um leão que abraçou sua nova filosofia de vida e vive despreocupadamente, mas com o ar de quem carrega uma bagagem emocional muito grande. Ao ser confrontado pelo seu passado o vemos ficar um pouco mais parecido com o pai, também herdando a coragem que tanto almejava.

Scar é um vilão clássico da Disney, aquele tipo de personagem que sabemos que é mal intencionado apenas de olhar para seu rosto, mas mesmo assim consegue ter uma aura misteriosa que nos faz ficar curiosos. O leão é irmão de Mufasa, mas não se parece nem um pouco com o rei. Ele prefere as sombras e tem um ar irônico e debochado, o que faz com que seus interesses passem despercebidos para os que estão ao seu redor.

Nala é a amiga inseparável do jovem Simba, uma leoa curiosa e destemida, que ganha um pouco mais de importância nesse filme em comparação com a animação original. Ela é responsável por arriscar sua vida para buscar ajuda para sua família e mostrar a Simba todo o mal que sua ausência causou no reino.

Zazu, Timão e Pumba são os alívios cômicos do filme. Zazu é um pássaro azul, conselheiro do rei, e desempenha um papel de babá do pequeno Simba no início do filme. Ele é muito correto e preocupado em seguir as ordens e protocolos reais. Timão e Pumba são uma dupla de suricate e javali que encontram Simba e o ensinam a viver uma vida sem se preocupar com o passado. Timão é a parte mais inteligente da dupla, e é uma espécie de guia para Pumba, que por sua vez é um pouco lento no raciocínio, mas tem um coração gentil. 

Por último, temos as hienas lideradas por Shenzi, que competem com os leões no topo da cadeia alimentar. As hienas são um pouco atrapalhadas e funcionam também como um alívio cômico, porém possuem personalidades mais traiçoeiras e agressivas. 

Foto: Divulgação

Aspectos Técnicos

“O Rei Leão” vem com um fardo pesado, pois sua medida de comparação é a aclamada animação de 1994, e o filme busca fazer jus ao seu antecessor. Pode-se argumentar que a produção não é exatamente um live-action, pois não existe nenhum humano contracenando, apenas animais feitos com computação gráfica, o que justificaria o fato de algumas pessoas classificarem a película como uma animação hiper realista. O fato é que parece que estamos assistindo um belíssimo documentário sobre o reino animal, dado o seu realismo e perfeição nos efeitos visuais. Esse realismo é sem dúvida o ponto mais forte do filme. 

Porém, o maior êxito do filme acaba criando também seu maior ponto negativo, a falta de criatividade e emoção. Está ausente a magia que nos faz diferenciar uma animação da Disney de qualquer outro filme. Não temos animais com expressões humanas, fazendo cara de espanto, ou elaborados números musicais onde eles dançam e formam imensas pirâmides. Muitas vezes sentimos um desconforto ao ver um leão altamente realista conversando com outro. Parece que o simples feito de matar a nossa curiosidade de como seriam os personagens de “O Rei Leão” na vida real teve mais importância do que captar a magia do clássico e acabamos nos deparando com uma produção que tem dificuldade em emocionar da mesma forma que seu antecessor.

As piadas com humor sutil do original são trocadas por humor físico. Zazu, por exemplo, perde um pouco do brilho da sua solenidade e expressões faciais para ganhar os movimentos de cabeça inquietos, que são característicos de uma ave de verdade. Essa falta de expressão dos personagens deixa um fardo pesado para os atores que os estão dublando. Sentimos uma certa estranheza e a impressão de que as vozes e suas emoções não se encaixam muito bem tanto na versão legendada quanta na dublada. 

O Elenco conta com Donald Glover (Simba), Beyoncé (Nala), Alfre Woodard (Sarabi), James Earl Jones (Mufasa), Chiwetel Ejiofor (Scar), John Oliver (Zazu), Billy Eichner (Timão), Seth Rogen (Pumba), Florence Kasumba (Shenzi), John Kani (Rafiki).

A trilha sonora é impecável, assim como no original, e Hans Zimmer faz um ótimo trabalho como sempre. O filme conta com uma nova ótima canção, “Spirit” da Beyoncé, porém ela sofre pela falta de emoção na área visual, assim como todas as outras músicas do longa, por mais incríveis que sejam. Além disso as canções de Elton John e Tim Rice presentes no primeiro filme estão de volta: “Circle of Life”, “I Just Can’t Wait to Be King”, “Be Prepared”, “Hakuna Matata” e “Can You Feel the Love Tonight”.

Foto: Divulgação

Veredito

O enredo é o mesmo da animação, mas com algumas novas cenas que são bem-vindas. Nesse filme é dado uma importância maior para Nala, e vemos ela como uma agente de mudança, fazendo de tudo para livrar sua família da situação em que se encontram. Várias piadas são adaptadas, algumas vezes retiradas, como o número musical em que Timão e Pumba estão tentando atrair as hienas e o suricate usa saia e colar havaiano e oferece Pumba em uma bandeja às hienas. Porém isso não faz a dupla apagar, sendo um dos destaques da produção, nos convencendo e fezendo rir como deveria.

A película, ao não tentar inovar ou fazer alguma mudança significativa na história, se limita a no máximo ser tão bom quanto a sua animação foi, mas falha nisso. O fã de “O Rei Leão” que for assistir o live-action pode sair um pouco decepcionado por conta da alta expectativa, mas de jeito nenhum é um filme ruim, porém não nos faz chorar e querer abraçar nossos pais como o seu antecessor. 

Se você for assistir “O Rei Leão” sem toda essa cobrança, você pode sim se divertir bastante e ver uma produção realmente linda.

PONTOS POSITIVOS:

  • Roteiro
  • Efeitos Visuais
  • Trilha Sonora
  • Timão e Pumba

PONTOS NEGATIVOS:

  • Pouca carga dramática, causada pelo CGI
  • Números musicais com visual tímido

Nota: 7,5