O Predador: A evolução de um clássico

14/09/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Dirigido por Shane Black, de “Homem de Ferro 3” (2013), “O Predador” (2018) tenta trazer novos conceitos para a clássica saga da 20th Century Fox com objetivo de conquistar a próxima geração de fãs. Será que dessa vez eles conseguiram? Confira agora no nosso veredito.

Ação e piadas do início ao fim

Ao contrário do clássico de 1987, o quarto filme da série Predador já inicia colocando o espectador direto na ação. Após ter sua operação interrompida pela queda de uma nave Predadora, Quinn McKenna (Boyd Holbrook), atirador de elite do exército americano, rouba parte da armadura e o capacete do alienígena e os envia a um local seguro para ter uma prova do que o atacou. Mas ele acaba preso e é taxado como louco para que o caso seja abafado e seu filho (Jacob Tremblay) é quem descobre os artefatos do Predador, o que faz com que o garoto se torne alvo do alienígena. Quinn então se alia a um grupo de veteranos com stress pós-traumático para salvar sua família e matar o monstro.

Apesar de ser uma boa construção de enredo, após a introdução do filme, ele serve apenas para dar base a muita correria, tiroteio e sangue. Mas se você se lembrar dos outros filmes dessa saga, o novo filme não está fazendo nada de errado. Há cenas de ação fantásticas e muito bem coreografadas, principalmente na primeira metade do longa.

As piadas em sua grande maioria são utilizadas em bons momentos para quebrar a tensão e não parecem tão forçadas. Por outro lado, o filme tem sérios casos que forçam a nossa suspensão de descrença, por exemplo, qualquer pessoa na trama sabe utilizar uma arma, seja uma metralhadora ou uma granada, como se já tivesse bastante prática. Algo que não foi explicado em momento algum do filme.

Foto: Divulgação

O Novo Predador

Toda a ideia deste filme foi evoluir o conceito de Predador, e Black levou isso ao pé da letra. O vilão é maior, mais forte e inteligente que o original, o que já foi mostrado no próprio merchandising, com a versão “melhorada” do monstro arrancando a cabeça do original. No entanto, as novas características trazidas aqui acabam sendo um tiro no pé.

O que era ótimo no filme de 1987 era a complexidade do Predador. Sim, é um grande alienígena que está lá para matar os personagens principais, mas havia todo um contexto criado para o personagem. Havia a honra de caçador que o impedia de matar pessoas desarmadas e o fazia lutar de igual para igual ao encontrar um oponente respeitável. O longa original também mostrava que apesar de todo o seu poder, ele ainda podia ser ferido como qualquer ser mortal. E tudo isso o tornava mais real e poderoso como personagem. Essas características foram mantidas durante o início do filme com o Predador original até a chegada da versão “aprimorada” do alienígena.

Essa nova versão acaba falhando exatamente nesses pontos. Não há mais toda aquela estratégia de caça vinda dos dois lados. Essa nova versão é praticamente imune às armas e a partir do ponto em que ela aparece, o filme se torna mais um longa de ação de grandes produtoras, com um monte de gente atirando em um grande monstro esperando que eventualmente ele morra.

Foto: Divulgação

Os Humanos

Unidos através das grandes forças do acaso, nosso grande grupo é liderado por McKenna e a bióloga Casey Bracket (Olivia Munn). Com o resto da equipe formada por ex-militares com stress pós-traumático: Nebraska (Trevante Rhodes), Coyle (Keegan-Michael Key), Baxley (Thomas Jane), Lynch (Alfie Allen) e Nettles (Augusto Aguilera), que estão no filme praticamente como escape cômico.

O grande elenco funciona e as piadas criam alguns momentos divertidos, mas no final há a sensação de que faltou tempo para um desenvolvimento melhor dos personagens. Boyd Holbrook, Jacob Tremblay (revelação mirim de “O Quarto de Jack”) e Sterling K. Brown (vencedor do Emmy por “This is Us”) se destacam. Jacob está ótimo no papel de Rory Mckenna, filho autista e superdotado do protagonista. Sterling convence como o agente do governo Will Traeger, mas como boa parte dos personagens do filme, não há espaço para uma boa construção.

Foto: Divulgação

Veredito

Apesar de todas as falhas, “O Predador” apresenta um enredo bem construído que serve como base para ótimos momentos de ação – ponto forte do filme. Fãs do longa de 1987 terão o prazer de rever seu personagem favorito, mas podem ficar divididos com as mudanças que foram feitas nesta versão. Apesar de que essas mudanças tenham sido feitas para chamar a atenção de novos fãs, Black acabou fugindo bastante do conceito original do filme.

No final, este é mais um blockbuster de ação que mantém os vários clichês do gênero, divertido de assistir, mas apenas isso. Não há personagens memoráveis ou uma história surpreendente que vai ser debatida por um tempo após o término do filme. É o cinema de entretenimento raíz, com aquelas boas referências aos títulos originais que agradarão os fãs mais antigos e deixarão o terreno pronto para as próximas gerações.

Foto: Divulgação