O Mistério do Relógio na Parede: Junte-se a uma família mágica

20/09/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Baseado no livro infanto-juvenil homônimo de 1973, do escritor norte americano John Bellairs, O Mistério do Relógio na Parede nos apresenta uma aventura leve e divertida usando como pano de fundo a magia. Como numa mistura de “Harry Potter” (2001-2011) e “A Invenção de Hugo Cabret” (2011), temos uma história que fala principalmente sobre família de maneira bastante delicada.

Uma mansão misteriosa

O filme introduz a trajetória de Lewis Barnavelt (Owen Vaccaro), um garoto de 10 anos que acaba de perder os pais em um acidente trágico. Após isso, ele se muda para a casa do irmão de sua mãe, o enigmático tio Jonathan (Jack Black), que mora em uma estranha e antiga mansão, cujas paredes estão cheias de relógios. Além dos dois, o lugar é frequentado pela simpática vizinha, Sra. Zimmerman (Cate Blanchett).

A partir dos comportamentos peculiares que Lewis percebe entre seu tio e a vizinha, ele acaba por descobrir que ambos são feiticeiros e que a casa em si também é encantada. O garoto passa a ter lições mágicas, também ajudando Jonathan e a Sra. Zimmerman a descobrir sobre o misterioso relógio enfeitiçado que foi colocado dentro das paredes da mansão pelo antigo dono e que guarda um propósito sombrio.

Imagem: Divulgação

Como ser indômito

A primeira coisa a se observar nesse filme é uma mudança na clássica jornada do herói. Na maioria das narrativas, quando o protagonista é chamado à aventura normalmente hesita em aceitar. Já nesse longa, o próprio Lewis deseja se tornar um feiticeiro e se propõe a ajudar o tio no enigma do relógio. Porém, o personagem não deixa de demonstrar ingenuidade em muitas ocasiões, justificada pela pouca idade. No geral, ele se mantém corajoso e focado em seus objetivos.

Seus mentores, Jonathan e Sra. Zimmerman, também conseguem ser carismáticos. Eles passam seus conhecimentos de bom grado ao garoto, tornando a aproximação dos três uma delicada construção familiar. Entretanto, as atuações parecem um pouco caricatas em certos momentos, principalmente a de Jack Black. Pode até ser intencional por conta do público-alvo ser mais jovem, mas não deixa de ser um ponto negativo.

Imagem: Divulgação

Magia na tela

Os efeitos da produção conseguem se sair bem, mas algumas sequências mais grandiosas, principalmente no final, acabam ficando mais falsas do que deveriam. Em especial certa cena envolvendo um bebê (não queremos dar spoilers), que faz a filha de computação gráfica de Bella e Edward em “Amanhecer” parecer uma modelo. O timing de certas piadas é outro aspecto que deixa a desejar.

O fim do longa em si é um pouco problemático. Tem cenas divertidas, porém a solução para o problema da trama é meio confusa e deixa a desejar. O vilão também não consegue ser ameaçador, apesar do visual macabro. Você consegue se deixar levar pelo jeito que a magia é abordada nesse universo. Ficamos com uma visão mais infantil e exploradora; os truques são usados tanto para se arrumar pela manhã quanto para se defender em uma luta do bem contra o mal.

Imagem: Divulgação

Veredito

“O Mistério do Relógio na Parede” irá conquistar o público pelo simples fato de ser um filme cujo objetivo é entreter. Sem claras ambições de ganhar uma continuação, seu final é fechado e passa uma sensação de história encerrada. A base familiar em que a história é construída e os personagens carismáticos criam empatia com os espectadores. Você torce para que eles fiquem bem e juntos.

A jornada de Lewis não é das mais surpreendentes, mas o garoto vai se mostrando cada vez mais corajoso conforme o filme avança e consegue se provar como todo bom herói clássico. Focando-se na leveza da história, no encanto dos protagonistas e ignorando os efeitos e vilão medianos, você conseguirá se divertir com a produção.