Veredito: O Homem Invisível

02/03/2020 - POSTADO POR EM Filmes

A nova adaptação do clássico de H. G. Wells de 1897, “O Homem Invisível” (2020), traz às telonas uma nova forma de contar uma história de terror, usando metáforas sociais em seu enredo. Dirigido por Leigh Whannell, responsável por “Jogos Mortais” (2004), e produzido pela Blumhouse – a mesma que produziu “Corra!” (2017) e “Nós” (2019) – o filme é estrelado por Elizabeth Moss de “O Conto da Aia”.

Segure os sustos que vamos contar nossas impressões.

ATENÇÃO, ESSE TEXTO PODE CONTER ALGUM GATILHO.

Enredo

Cecilia (Elizabeth Moss) é casada com um renomado cientista, Adrian (Oliver Jackson-Cohen), que a abusa de diferentes formas. Cansada do relacionamento, ela decide fugir com a ajuda de sua irmã, Emily (Hariet Dyer), e passa a  viver com o amigo James (Aldis Hodge) e sua filha.

Algumas semanas após a fuga, Ce descobre que Adrian cometeu suicídio, deixando-a com uma grande quantia em dinheiro. Após o acontecimento, eventos estranhos passam a acontecer com ela, o que a faz desconfiar que está sendo caçada pelo seu ex-marido. Cecilia começa a buscar provas de que Adrian pode estar impedindo-a de reconstruir a sua vida.

Foto: Divulgação

Metáforas Sociais

Que o cinema é uma forma de mostrar os problemas vividos na sociedade atual não é mais segredo pra ninguém, mas contá-lo de forma a atrair o público não é nada fácil. Em “O Homem Invisível”, é interessante ver como foi mostrada a questão do relacionamento abusivo. Muitas vezes, é fácil acreditar que só quem está suscetível a esse tipo de abuso são mulheres fracas e que permitem que isso aconteça, entretanto Elizabeth Moss trouxe para a personagem uma fortaleza que faz o espectador rever o estereótipo.

A forma como o enredo é conduzido deixa que o espectador se envolva com a história, algo semelhante ao que acontece em “Corra!” (2017), também conhecido por usar o terror psicológico para tratar de um assunto tão recorrente na atualidade, o racismo sofrido pelo protagonista.  

Ainda que haja relutância em aceitar esses temas dentro do cinema retratado em um gênero nitidamente conhecido por sustos, é preciso ver que o terror psicológico coloca o público em uma posição mais empática com os personagens.

Foto: Divulgação

Veredito

É importante ter em mente que o texto de H. G. Wells já foi adaptado inúmeras vezes para o cinema e TV, sendo a primeira vez em 1933. No caso da nova versão, não se trata apenas de uma adaptação, mas de uma releitura, trazendo para atualidade um clássico tão ‘batido’ .  

A escolha do elenco com certeza não foi à toa, principalmente a de Elizabeth Moss, já que em “O Conto da Aia” ela mostra como interpretar bem um papel difícil. Ainda assim, a atriz não leva os ‘vícios’ de sua personagem na série, June, para Cecilia, o que seria bem compreensivo.

Quanto aos aspectos técnicos, a fotografia e direção de arte ajudam a criar um ambiente “sombrio” e claustrofóbico. Além disso os efeitos dão a entonação e ajudam o espectador a se manter imerso na trama e criar um clima de suspense construindo o momento de susto ‘ideal’.

Pontos positivos

  • Ótima escalação do elenco;
  • Efeitos sonoros compatíveis com a trama;
  • Boa fotografia;
  • Enredo interessante;
  • Plot twist bem feito.

Pontos negativos

  • Algumas poucas cenas apresentam saídas muito simples, não combinando com o resto da trama. 

NOTA: 9