O Destino de uma Nação: o homem por trás de Churchill

09/01/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Com estreia marcada para esta quinta-feira (11/01), “O Destino de uma Nação” apresenta o Governo Britânico, durante a Segunda Guerra, liderado por um dos maiores personagens políticos da história: Winston Churchill. Recém escolhido como Primeiro-ministro, o homem dos discursos, interpretado por Gary Oldman, tem como missão comandar a Grã-Bretanha no confronto. Mas o maior desafio é outro: ganhar a confiança da classe política e de seu povo.

A Inglaterra em guerra

A Segunda Guerra Mundial é uma fonte inesgotável de histórias para livros, séries e filmes. E com “O Destino de uma Nação” (“Darkest Hour”), não é diferente. Dirigido por Joe Wright (“Orgulho e Preconceito”; “Anna Karenina”), o longa retrata o começo da Segunda Guerra, em 1939, em uma Inglaterra em plena mudança de liderança política.  O então Primeiro-Ministro, Neville Chamberlain, se vê forçado a renunciar por pressão da Câmara após oito meses de Guerra. A primeira opção do Parlamento, Lorde Halifax, recusa o cargo, e o nome de Winston Churchill (Gary Oldman) surge, por ser uma alternativa que teria aceitação da Oposição.

A Casa, a princípio, é cética a respeito de Churchill depois do que ocorreu em Galípoli. Durante a Primeira Guerra, Churchill era Primeiro Lorde do Almirantado britânico e organizou um ataque ao Império Otomano, em 1915, conhecido como a Campanha de Galípoli (Batalha dos Dardanelos). A operação foi um fracasso, causando mais de 160 mil mortos, o que levou à renúncia de Churchill. Esse fato, inclusive, é utilizado como ponto de pressão sobre Churchill durante o filme.

Foto: Divulgação

O show de Oldman

A partir do momento que Gary Oldman entra em cena, a responsabilidade de interpretar uma das maiores figuras políticas da história cai sobre seus ombros, e ele suporta. A BBC, em 2002, elegeu Churchill como o maior britânico de todos os tempos, após pesquisa popular. A capacidade de adaptação e de entrega de Oldman é impressionante, sendo uma de suas marcas. O ator inclusive, sofreu envenenamento por nicotina, devido aos tão amados charutos do então Primeiro-Ministro. Foram mais de 400 charutos usados durante as filmagens, custando mais de US$ 20 mil à produção.

O começo do longa é enérgico com as apresentações da personalidade de Churchill, mostrando seus vícios e teimosias. O conflito inicial é contra a Câmara britânica, onde Churchill deve buscar apoio para enfrentar a Guerra e a iminente ascensão de Adolf Hitler. Porém, os principais embates são contra as pessoas mais próximas de Churchill. Uma vez que seu novo cargo afeta sua vida pessoal, vemos a faceta humana do Primeiro-Ministro, o que dá leveza ao filme em meio ao caos político e social vigente.

Dos coadjuvantes apresentados, os que recebem mais destaque são Elizabeth Layton (Lily James), como a nova secretária de Churchill que precisa se adaptar às suas manias; Clementine Churchill (Kristin Thomas), como a esposa e a voz da razão de Winston; e o Rei Jorge VI (Ben Mendelsohn), o rei gago da Inglaterra que foi foco de outro longa, “O Discurso do Rei” (2010). É com ele que se constrói um dos melhores arcos do filme, com a evolução de sua relação com Churchill.

Foto: Divulgação

“Sangue, sofrimento, lágrimas e suor”

Com o decorrer da Guerra, as tropas nazistas avançam sobre a Europa, derrotando seus adversários e com eles as esperanças da Inglaterra. A derrocada britânica também afeta o ritmo do longa, que perde força durante a metade. Há, contudo, uma oportunidade de virada naquela que seria conhecida como Operação Dínamo (alô, Dunkirk), na qual mais de 300 mil soldados foram resgatados da praia de Dunquerque, e das proximidades, na França.

Apesar do Oscar bait, “O Destino de uma Nação” traz uma trama conhecida de forma bem executada, sem digressões, e com um forte candidato para prêmio de Melhor Ator. Gary Oldman tem seus momentos de sobressalto com os discursos de Churchill, sempre inspiradores e impactantes. O longa foi feito para ele, e por ele foi sustentado. Destaque também para o trabalho de maquiagem com o personagem.

Simples, porém sólido, “O Destino de uma Nação” ajuda o espectador a compreender como a figura de Churchill se tornou um dos maiores ícones da história, mostrando não só seu lado como estadista, mas como humano.

Foto: Divulgação