NO.6: A luta contra o sistema

01/10/2017 - POSTADO POR EM Animes / Mangás
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Baseado nas light novels de Atsuko Asano, “NO.6” (2011) é um anime com 11 episódios produzido pelo estúdio Bones. No mesmo ano de seu lançamento, ele também ganhou uma adaptação para mangá desenhado por Hinoki Kino.

A autora tem um estilo bem intimista e particular, o que deixa a obra ainda mais incrível. Ela declarou que não pensa muito nos leitores ao escrever, e sim no que ela quer contar, e por isso não vê limites ao descrever cenas mais polêmicas.

Lembrando que o texto tem spoilers, então se você não assistiu ou leu, recomendo parar por aqui.

Utopia

Em tempos de guerra, uma determinada raça perdeu mais da metade de suas terras firmes. Com a declaração do Tratado de Babylon, que proibia o uso de armamentos pesados, foi criada uma cidade-estado para governar as seis áreas restantes. NO.6 é uma delas, e é onde se passa a história. Lá, todos seus moradores têm ótima qualidade de vida. Shion, um dos protagonistas, mora com sua mãe na parte mais rica da cidade. Suas notas são excelentes e ele já ganhou diversos prêmios.

Quando completa 12 anos, Shion se depara com um fugitivo em seu quarto. Ao contrário do que a maioria das pessoas faria, não o denuncia, mas sim cuida do garoto, que se apresenta como Nezumi. No dia seguinte, o jovem desconhecido vai embora e a polícia descobre que Shion o ajudou. Por causa disso, sua mãe e ele são mandados para o região mais pobre da cidade, conhecida como Lost Town.

Quatro anos se passam, e Shion acha o corpo de uma pessoa morta que tem aparência de algo como um zumbi. Momentos depois, seu amigo do trabalho morre do mesmo modo, e o rapaz começa a suspeitar de uma “conspiração”, o que acaba levando-lhe a ser preso injustamente pela polícia. No entanto, Nezumi o salva, e os dois escapam de NO.6. A partir de então, começa uma série de revelações.

Edição especial

Em 2012, Atsuko Asano lançou uma edição especial chamada “Beyond”, algo como uma espécie de expansão para a última light novel, o que deixou os fãs eufóricos. Vários novos plots foram abertos, deixando todos nós muito curiosos para saber mais sobre o que aconteceu com cada cidadão depois da partida de Nezumi.

Apesar do final do anime não ter o mesmo da light novel, o estúdio Bones já declarou que uma continuação seria inconcebível. Em 2015, a autora publicou uma carta aberta aos fãs, que só atiçou mais nossa curiosidade. Eu (#Isabelle), como fã dessa história maravilhosa, preciso dizer que espero ansiosamente por um final definitivo. Quero demais o reencontro do Nezumi com Shion!

A carta

“A todos aqueles que leram esta história, agradeço do fundo do meu coração. A história de ‘NO.6’ finalmente se aproximou do final. Assim sendo, tinha planejado inicialmente escrever sobre Nezumi e Shion em ‘Beyond’ para contar a vocês o que aconteceu aos dois depois dos eventos principais. Mas quando comecei a escrever, as suas jornadas apresentaram-se a mim trabalhosas e atormentadas com dificuldades. Eu estava lamentavelmente envolta por esse pressentimento.

Depois, eles iriam voltar a se encontrar? Poderia Nezumi, que prometeu voltar, cumprir a sua palavra? Eles não iriam se ver como inimigos? Nem eu própria consegui alcançar respostas. De respiração estável e força acumulada… Acho que quero ver e confirmar o destino desses dois. Espero que esta seja uma história que eu possa entregar a vocês brevemente.

Para quem acompanhou ‘NO.6’ e deu o seu suporte frequentemente, muitíssimo obrigada!” — Atsuko Asano

Divulgação

Uma história de amor?

Com toda a certeza do mundo, “NO.6” é um dos meus animes preferidos. Já me fez chorar, sorrir, e me envolveu de um jeito que desejei que os personagens fossem reais. Toda a trajetória do Shion e do Nezumi me fez refletir sobre várias coisas na vida, como o fato de que nunca saberemos quão forte somos até precisarmos ser. Eles lutaram pelos seus ideais, e mesmo assim o amor que sentiam um pelo outro prevaleceu.

Mas eles são um casal? Podemos dizer que sim. O primeiro beijo dos dois é tão significativo, tanto para eles que precisavam daquele gesto, como para o espectador, que está ali torcendo para que tudo dê certo. A relação deles é algo totalmente natural e muito linda (me lembra “Yuri!!! on ICE”) e isto é uma das coisas que eu mais amo na obra. A autora em nenhum momento precisa provar para que eles se importam um com o outro, pois o sentimento deles não é algo para ser visto. É para ser sentido.