Minha História: a luta de Michelle Obama

05/06/2020 - POSTADO POR EM Filmes

Desde o início da campanha eleitoral, Barack reafirmava que, sem Michelle, ele não alcançaria seus maiores objetivos pessoais e políticos. A companheira do futuro presidente dos EUA não assumiu uma posição de sombra de seu marido, mas deixou a sua própria marca ao lado dele, tão grande quanto.

Em “Minha História”, conhecemos melhor a trajetória da ex-primeira-dama norte-americana e como se tornou expoente na luta pelas causas dos menos privilegiados. O documentário está disponível na Netflix e você confere nosso veredito abaixo!

Foco dos holofotes

Não vá imaginando que a produção dirigida por Nadia Hallgren entregue vários detalhes das estratégias políticas durante o mandato de Barack na presidência dos EUA, ou grandes desafios bélicos e econômicos que eles enfrentaram entre 2008 e 2016. O foco aqui, antes de tudo, é o lado humano. As paixões que movem a protagonista de sua própria história, Michelle Obama

Acompanhamos a ainda elétrica rotina da ex-primeira-dama após os 8 anos de Casa Branca, dessa vez prestes a lançar sua biografia, que levou o nome do doc. Através de constantes flashbacks, embora não em ordem cronológica, entendemos as várias motivações de Michelle, desde sua infância, em enfrentar as desigualdades sofridas pela população negra em seu país.

Nascida em Chicago, se formou em sociologia na Universidade de Princeton e fez pós na Escola de Direito da Universidade de Harvard. Enquanto advogada, conheceu Barack na firma onde trabalhava e casaram em 1992. Michelle revela que o jovem tinha uma forte aura e espírito de mudança que logo o projetaram na carreira política.

Foto: Divulgação

Lutas do passado, conquistas atuais

Embora não gostasse do ambiente político no começo, Michelle logo passou a também discursar diante dos eleitores antes da eleição. Uma atitude que mostrou seu potencial com as massas e que alavancou sua imagem como símbolo de representatividade, o diapasão das milhões de vozes, não só dos EUA.

O carisma da primeira dama segura bem a maior parte do doc, embora tenha sentido cansaço da constante dinâmica: narração em off – close up em entrevista – corte para outro encontro

A mecânica é simples e funcional, embora a falta de recursos técnicos para aumentar o impacto dos flashbacks e das palestras em ginásios lotados seja sentida.

Porém, é explícita a admiração e a figura de esperança que Michelle traz aos seus fãs. Alguém que não deixa o diálogo cara a cara de lado, sempre aberta a escutar e aprender de outros em realidades tão diferentes. 

Foto: Divulgação

Cenário político na Era Trump

O drama com a situação atual no governo Trump  é pouco explorado, embora seja compreensível pelo peso político. Uma informação mal posta aqui poderia comprometer a carreira dela e de Barack.

Barack mesmo não fala para as câmeras em nenhum momento. As filhas, somente uma vez. E não precisam. Michelle aqui não é uma mera personagem, é um símbolo já estabelecido de um EUA durante profunda mudança frente às causas defendidas pela população negra, LGBTQ+ e de origem latina. Uma evolução que ela preza a todo momento.

Foto: Divulgação

Veredito

“Minha História” não surpreende por questões técnicas ou recursos narrativos, pois não é sua proposta. Michelle exibe sem máscaras seu principal poder na política: a empatia, a capacidade de ouvir e de estar no lugar de dor do próximo. Uma atitude tão necessária mas que, no cenário atual, poucos políticos aparentam conseguir.

O protagonismo de Michelle Obama perdura após o fim do mandato de seu marido, e aqui vemos o motivo. Ao mesmo tempo que busca, através do diálogo, destrinchar e criticar a estrutura social de seu país, ela aprende pela troca com seus admiradores. 

Pontos fracos

  • Dinâmica repetitiva da estrutura do doc

Pontos fortes

  • Sem desvio de foco em sua intenção com a protagonista
  • Trabalho eficiente em reafirmar a importância de Michelle no cenário sociopolítico 

NOTA: 8