Maria e João: uma ode ao poder feminino

22/02/2020 - POSTADO POR EM Filmes

Duas crianças sozinhas na floresta em busca de alimentação e sobrevivência. Uma casa de doces e uma bruxa. O que mais poderia ser acrescentado à história que ouvimos desde a infância? Ora, exatamente o que poderia ser aderido a todos os contos de fadas: o desenvolvimento da personagem feminina.

Fui correndo para a estreia de “Maria e João: O Conto das Bruxas”, sem saber o que esperar, e aqui está o veredito do filme. Se você não curte spoilers, talvez essa não seja a melhor leitura.

O Background

O filme inicia nos mostrando uma outra lenda que, como João e Maria nos é familiar hoje, era contada para as pessoas da época: a menina do capuz cor de rosa. Nesse conto, uma menina linda nasceu em um vilarejo, mas era muito frágil e seu pai pediu a uma bruxa que a curasse. A bruxa curou e deu em troca um presente para a criança: poderes. 

Durante sua vida, a menina podia ver o futuro e acabou levando desgraça para sua terra natal. Por isso, sua mãe a abandonou na floresta, para que as forças das trevas que garantiram sua vida a tomassem de volta. No entanto, a menina do capuz rosa continuou viva e atraiu muitas outras crianças para a morte na floresta. Quando contava a história, Maria dizia como as pessoas não deveriam aceitar presentes sem dar algo em troca. Deviam sempre desconfiar da bondade e lembrar que o mundo é um lugar cruel. 

Morto por circunstâncias não reveladas, o pai de Maria e João deixou a família pobre e, assim como o vilarejo, sem esperanças. Maria procura trabalho e João a segue. Sem conseguir nada, volta para casa uma noite e é expulsa por sua própria mãe, que ameaça a vida dos dois. Assim eles começam sua jornada pelo mundo cruel, encontrando criaturas e criadores.

Foto: Divulgação

A Descoberta

Ao encontrar a casa da bruxa, Maria começa a entender que existe algo a mais na história que lhe foi contada. A bruxa lhe ensina como dominar a natureza, fazer poções e entender o mundo. Assim, a jovem parece se encontrar, enquanto João torna-se, cada vez mais, apenas uma pedra no caminho. 

O poder feminino é exaltado aos poucos, em pequenos detalhes, até que começa a saltar da tela do cinema. Nessa história, João é deixado de lado e Maria passa a ter escolha de seguir seu próprio destino, forjando-lo como aço e deixando marcas onde (ou em quem) ela quiser. 

Foto: Divulgação

Veredito

Por mais que a história continue a se passar em um tempo antigo, elementos contemporâneos foram inseridos nela, como os vários triângulos presentes no cenário. Também há uma cruz invertida, deixando uma dúvida no ar sobre quando aquilo tudo acontece. A sonoridade é moderna, mas flerta com filmes mais antigos como Frankenstein e outros clássicos do horror.

Não consigo chamar esse filme de reboot, porque ele não faz referência a nenhum outro e ao invés disso constrói um caminho original. A versão feminista da história infantil me agradou bastante e escrevo esse tópico em primeira pessoa para que entendam como eu, no lugar de mulher, tenho uma opinião singular sobre ele.

Pontos de destaque

Cenário: a história acontece inteiramente na floresta, mas suas diferentes nuances fazem parecer muitos outros lugares.

Atuação: Sophia Lilis é incrível.

Novo enredo: aplaudindo as bruxas, agrada com o teor feminista e nos dá esperanças de ver mais histórias como esta.

NOTA: