Maniac: A mente humana do modo mais complexo

07/10/2018 - POSTADO POR EM Séries
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A nova aposta da Netflix em séries é uma ficção científica anacrônica que investiga a fundo a mente humana, combinando uma estética do passado (anos 1980) com tecnologias futuristas. Estrelada por Emma Stone e Jonah Hill, a produção parecia promissora, mas a necessidade de complexidade imposta pelo roteiro prejudica a experiência. Ficou curioso? Confira o veredito a seguir!

Ingerindo as pílulas

Os dois primeiros episódios de “Maniac” são usados para apresentar seus protagonistas: o desequilibrado Owen (Jonah Hill) e a depressiva Annie (Emma Stone). Por motivos próprios ambos acabam em um experimento de um grande complexo farmacêutico, cujo objetivo é fabricar uma droga que possa acabar com os traumas humanos. Eles passam por uma série de testes que envolvem o uso de alucinógenos (as pílulas A, B e C) enquanto são induzidos ao sono.

O interessante acontece nessa etapa, as visões que os personagens tem vão revelando aos poucos os aspectos de suas vidas que os levaram até lá. Temos uma variada mistura de flashbacks e imagens fantasiosas com pequenas pistas de informações dadas anteriormente, tudo para criar a ilusão de que a série é um grande quebra-cabeças. O desafio do espectador é se manter atento para entender tudo.

Porém, depois de longos dez episódios, você percebe que se a trama fosse menos ambiciosa poderia ter criado uma história melhor. A complexidade não é o problema e sim o fato de tentarem demasiadamente passar essa imagem, o que só serve para nos bombardear com uma sucessão de cenas e diálogos desinteressantes que não parecem acrescentar muito no conjunto da obra.

Foto: Divulgação/Netflix

Confusa e intrépida Annie!

A personagem de Emma é uma das melhores coisas da série, sua atuação é excelente e a trama familiar dela é mais empática que a de seu companheiro de experimentos. Você conhece a personagem muito fechada a princípio, ela claramente tem um problema que não conseguimos entender. Mas sua personalidade decisiva e jeito como lida com as situações já nos fazem gostar dela.

A partir do momento que Annie faz seu primeiro uso das pílulas dentro do experimento,  compreendemos e aceitamos o trauma dela. A partir daí surgem as diversas tentativas de superação da personagem, ela se abre para o experimento e todas as suas cenas de confronto interno são emocionantes, nos fazendo torcer para a “cura” de seu pesar.

Foto: Divulgação/Netflix

Owen, o cara sem graça!

Jonah Hill, estou falando com você e seu inexpressivo Owen. A grande questão do personagem é o fato dele ter problemas psicológicos, porém isso é abordado arbitrariamente pela série. Nos primeiros episódios é um ponto bastante enfatizado, depois perde-se em favor das tramas que se desenrolam, por fim novamente voltam a tona. É algo que só se torna relevante quando é conveniente para o roteiro.

No final da produção a sensação passada é que Owen não conseguiu evoluir como a personagem de Emma, ele passou por situações complexas, mas as atravessou levianamente. Parte disso é culpa da atuação sem graça de Hill, que falha ao tentar dar profundidade ao protagonista, apesar do sofrimento pelo qual deveria estar atravessando, não alcançamos nenhum grau de empatia com ele.

Foto: Divulgação/Netflix

Veredito

“Maniac” tem uma premissa instigante e momentos de ótimo desenvolvimento, mas isso se perde em um turbilhão de cenas sem propósito aparente e diálogos confusos. A estética impressiona pela estranheza do encontro entre passado e modernidade e a produção foi bem filmada. Porém tudo isso é visto de modo distante pela falta de empatia com as complexidades do enredo ou mesmo com os próprios protagonistas.

A sensação final é que se a história fosse mais enxuta poderia ter passado uma mensagem mais direta sobre as pertinentes questões levantadas acerca da mente humana. O que temos aqui é uma série de nicho, ela vai agradar uma parcela bastante específica do público da Netflix. Felizmente como minissérie sua trama é fechada e uma temporada é tudo o que precisamos.

Foto: Divulgação/Netflix