Precisamos falar sobre Killing Stalking

13/02/2017 - POSTADO POR EM HQs/Livros
Post thumbnail

Lançado em 2016, “Killing Stalking” é um terror psicológico escrito por Koogi. O traço é impressionante, tem personagens bem trabalhados e expressões claras. Já possui 34 capítulos lançados, mas ainda não é possível encontrar tudo traduzido, já que ele não é licenciado. É um manwha (história em quadrinho sul-coreana) BL (boy love), e relações sexuais entre homens acontecem o tempo todo na história. Por que a gente resolveu falar sobre “Killing Stalking”? Bom, você vai ter que ler até o fim.

Enredo

No primeiro capítulo, a história mostra Yoonbum, um rapaz coreano que se apaixona por Sangwoo, seu colega que o salvou de um episódio de bullying enquanto os dois estavam no exército. Depois disso, Yoonbum não consegue se esquecer de Sangwoo e, então, resolve se aproximar do rapaz como um stalker, pesquisando, perseguindo e observando tudo de longe.

Um dia, quando já havia descoberto onde Sangwoo morava, Yoonbum invade a casa do rapaz. Deita em sua cama, cheira suas roupas e, enquanto está perdido em suas fantasias, ouve um barulho. Procurando pela casa, encontra um porão e, lá dentro, uma moça machucada e algemada. Nesse momento, Yoonbum percebe que o rapaz por quem ele era apaixonado não era tão perfeito assim e apresentava comportamentos psicopatas.

Curiosidade: em vários momentos, o personagem Sangwoo está ouvindo uma música que diz “killing me softly with his song” (me matando lentamente com a sua música)… Isso realmente acontece na história, já que Bum sempre está sendo violentado e, em um dos capítulos, vemos que Sangwoo é um ótimo cantor.

Foto: Divulgação

Vamos entender?

O mangá apresenta cenas muito violentas, como membros sendo quebrados, estupros e sangue. Por isso, e também pelas cenas de sexo consensual, ele é recomendado apenas para maiores de 18 anos. Mas por que “Killing Stalking” é tão polêmico?

Bom, já entendemos que Yoonbum (no mangá, ele é chamado apenas de Bum) é apaixonado por Sangwoo. No decorrer da história, ele é feito prisioneiro e Sangwoo usa sempre a violência para manter o rapaz calmo e preso o tempo inteiro. Além disso, em alguns momentos, Sangwoo parece estar apaixonado por Bum, e ações como beijos, abraços e palavras de carinho confundem muito não só o menino sequestrado, mas também o leitor.

O ponto em que queremos chegar com esse texto é: o relacionamento dos dois não é saudável. Nem sabemos se isso é realmente um relacionamento. Mas por que falar disso em uma matéria? Bom, nossa editora Marília é fã do mangá e percebeu que, no fandom, muitas pessoas confundem o que realmente acontece e acabam romantizando o casal.

É indispensável entender que Bum, além de não estar em condições mentais perfeitas, está preso a Sangwoo por medo da violência. A relação dos dois, por mais que Sangwoo seja gentil em alguns momentos, é doentia. Não parece coerente, para quem lê, pensar nesse tipo de relação como algo bom.

Apesar de reconhecermos a qualidade de um produto, como esse mangá, precisamos estar atentos ao que está além da superfície. Ao ler “Killing Stalking”, temos que tomar um posicionamento crítico para que esteja sempre claro que esse tipo de relacionamento não é normal e não deve ser seguido como exemplo.

Foto: Divulgação