It – Capítulo Dois: 27 anos depois o passado volta para te assombrar

11/09/2019 - POSTADO POR EM Filmes

Depois do imenso sucesso da primeira parte do remake de “It: a Coisa”, baseado no livro homônimo do autor Stephen King, iremos voltar a Derry e acompanhar o Clube dos Perdedores em seu segundo confronto com o palhaço Pennywise. O novo filme prometia trazer a conclusão da história desses sete amigos, que iriam enfrentar seus maiores medos novamente e talvez pela última vez. Veja agora o que nós achamos da sequência.

Passado obscuro 

O filme mostra o reencontro entre os membros do Clube dos Perdedores 27 anos depois de sua primeira luta com a Coisa. Mike (Isaiah Mustafa) é o único entre os amigos que permaneceu na cidade e quando percebe que Pennywise (Bill Skarsgård) voltou a fazer vítimas ele entra em contato com seu antigo grupo para lhes lembrar da promessa que haviam feito na infância: de retornar à Derry se o monstro ressurgisse e dessa fez colocar um fim definitivo nele.

Assim que o grupo pisa de volta na cidade, suas lembranças da infância começam a surgir. Mike lhes informa que quanto mais longe de Derry, mais a sua memória fica nebulosa e agora os outros seis começam a lembrar como foi o primeiro confronto com a Coisa e outros acontecimentos de seu passado. Isso será a chave para a luta deles contra Pennywise, mas enquanto se preparam o palhaço maligno continua na busca de novas vítimas e muito sangue ainda vai rolar.

Foto: Divulgação

Medo paralizante

Andy Muschietti, o responsável pela direção das duas partes desse remake, é um declarado entusiasta das obras de Stephen King e isso pode ser um motivo para o sucesso dessa nova adaptação. Vemos claramente que foi uma obra feita com bastante cuidado e que quis explorar o máximo do que o material tinha a oferecer, talvez por isso essa sequência tenha quase fechado as três horas de duração (e olha que o corte inicial do diretor era de quatro!). 

Mas por essa tentativa de querer mostrar muito para o público, o filme tenha sofrido durante o seu segundo ato. Há um momento em que, depois da reunião inicial e da formação de um plano contra a Coisa, os sete amigos precisam se separar e fazer missões solo. A partir daí pode-se ver um claro padrão de construção de cena: tal personagem está sozinho em busca de algo, ele lembra de coisas do seu passado, inicia-se uma tensão e o clima fica pesado, tudo culmina em um susto final. Isso se repete com todos eles e dá pra entender que o motivo é explorar cada um dos protagonistas e proporcionar mais cenas de susto ao espectador, porém já na segunda vez se torna cansativo e o efeito de provocar medo falha.

Porém, tirando esse cenário repetitivo o restante do longa consegue ser bastante competente em criar cenas aterrorizantes, principalmente naquelas em que o próprio Pennywise está em contato direto com suas vítimas. Bill Skarsgård consegue trazer bastante imponência para o seu personagem, quando se traz o foco para ele e o modo como tenta colocar medo nos outros é muito mais assustador do que os outros momentos que se utilizam repetidamente do jump scare.

Foto: Divulgação

Vínculos de amizade

Outra questão do longa é a forma como aborda os personagens, os atores que estão vivendo as versões adultas das crianças conseguem ser carismáticos e críveis o suficiente para acreditarmos na amizade deles. A cena da reunião no restaurante chinês é uma das melhores, dá uma sensação real de reencontro de velhos amigos, as antigas piadas estão de volta e as lembranças reaparecem com cada vez mais força. 

Porém o roteiro parece não se confiar tanto nesse vínculo atual, pois temos bastante cenas com as versões infantis dos protagonistas e isso tira um pouco da força desses que estão no presente. Felizmente o último ato se permite focar nos adultos e o desfecho consegue se desenrolar da melhor forma possível.

Quanto ao desenvolvimento dos personagens, a ideia que a trama passa é que nós vimos o suficiente deles na primeira parte e já temos o conhecimento necessário de suas personalidades, então nessa sequência os seus conflitos são abordados de uma maneira mais rasa. 

Bill (James McAvoy) acaba sendo o mais trabalhado entre os sete, ele ainda sente o trauma do que aconteceu com seu irmão Georgie (Jackson Robert Scott) e isso está bem explícito no longa. Além dele temos algumas pinceladas sobre questões envolvendo Beverly (Jessica Chastain) e Richie (Bill Hader). Os demais já estão pré-estabelecidos a partir do longa anterior e não possuem muita evolução.

Foto: Divulgação

Veredito

É compreensível como sequências sempre vão ter a sombra do original pairando sobre elas, ainda mais se forem tão boas quanto “It: a Coisa”, que conquistou o público e se tornou um queridinho do gênero de terror. Toda a expectativa colocada em torno da produção pode ter sido um dos motivos que minou alguns de seu méritos. Mas não se engane, essa é uma segunda parte bastante digna do primeiro título, ela só não tem tanto êxito por causa de certos pontos.

O segundo ato repetitivo e a falta de um bom desenvolvimento para todos os seus protagonistas são coisas que fizeram o filme dar aquela tropeçada. Porém o carisma dos atores adultos ter conseguido acompanhar o das crianças, a clara demonstração de amizade entre eles, a volta aterrorizante do palhaço Pennywise e o desfecho digno da obra consegue trazer méritos o suficiente para o longa ter um saldo positivo. 

A produção consegue trazer uma boa mistura entre o pânico causado pela Coisa e os dramas pessoais que os personagens enfrentam ao retornarem ao seu passado, afinal, muito mais que uma história assustadora, “It” sempre foi sobre questões de amadurecimento, aceitação e amizade. Essas reflexões deixam ambos os filmes como um ponto fora da curva entre aqueles horrores clássicos feitos apenas para causar medo e por isso conseguem agradar uma parcela maior do que a de apenas fãs de terror.

Pontos Negativos

  • Sustos repetitivos durante o segundo ato;
  • Falta de um bom desenvolvimento para todos os personagens;
  • Falta de confiança no elenco adulto, o que gerou muitas cenas extras com o elenco infantil.

Pontos Positivos

  • Elenco adulto carismático, com uma amizade bastante crível construída entre eles;
  • Construção de boas cenas assustadoras envolvendo ataques do Pennywise;
  • Boa conclusão tanto para o destino da Coisa, como dos protagonistas.  

Nota: 8