Han Solo: Precisávamos dessa história Star Wars?

30/05/2018 - POSTADO POR e EM Filmes
Post thumbnail

“Han Solo: Uma História Star Wars” estreou nos cinemas no dia 24 de maio após uma produção conturbada. Com os diretores Phil Lord e Christopher Miller demitidos semanas antes do fim das gravações, o veterano Ron Howard foi encarregado de assumir a direção e refilmou cerca de 80% do material. O resultado pode ser visto nas bilheterias, onde o longa teve uma estreia abaixo do esperado no seu primeiro final de semana. Entretanto, o filme não chega a ser tão desastroso quanto os indícios apontavam.

Fundamentos de uma história

A trama se passa anos antes de “Star Wars IV – Uma Nova Esperança” (1977) e conta os primeiros anos de contrabandista de Han Solo (Alden Ehrenreich). Em um planeta com escassez de recursos, o jovem faz o que pode para sobreviver enquanto sonha em se tornar o melhor piloto da galáxia e fugir com sua namorada Qi’ra (Emilia Clarke). Quando suas prioridades são alteradas, o piloto se vê envolvido com vigaristas espaciais e precisa embarcar numa aventura em busca de um elemento valioso.

Ao longo da jornada, Solo conhece seu querido co-piloto Chewbacca, o sagaz Lando Calrissian (Donald Glover) e guia a Millenium Falcon. Acontece que a impressão passada pelo filme é que esses pontos precediam a ideia da história e o roteiro foi escrito ao redor de tais momentos – e não porque havia uma boa história para se contar em primeiro lugar. Tornar-se o melhor piloto é algo tão importante para Han, mas não vemos cena alguma do personagem aprendendo a se tornar um grande piloto.

Foto: Divulgação

Temos bons personagens?

“Han Solo: Uma História Star Wars” pode não ter a mesma emoção, importância e carga dramática de “Rogue One” (2016), mas segue em outra direção e tem lá seus méritos. Primeiro, Ehrenreich entrega sua própria versão do contrabandista tão querido pelos fãs e não emula o que Harrison Ford fez na trilogia clássica e em “Star Wars: O Despertar da Força” (2015), contendo alguns maneirismos e trejeitos do personagem que está no início da “carreira”.

Thandie Newton e Woody Harrelson interpretam Val e Tobias Beckett, um casal de criminosos aos quais Han se alia. Por não terem o peso de um legado em suas costas, ambos conseguem fazer um bom trabalho. Glover faz o que pode com o papel de Lando. Apesar de ser um deleite vê-lo em cena, o personagem serve apenas para nos mostrar algo da história da franquia que nós já sabemos.

O vilão de Paul Bettany, o lorde do crime Dryden Voss, pode até ser intimidador com suas cicatrizes faciais, mas no fim parece destinado a ser apenas mais um antagonista que será ignorado com o tempo. O verdadeiro destaque do filme –  talvez a melhor coisa dele – acaba sendo a personagem de Emilia Clarke. A atriz faz um trabalho decente, mas é a concepção de Qi’ra, ao transcender o papel da donzela em perigo, que chama a atenção em um filme sem muitas surpresas.

Foto: Divulgação

Trilha sonora, fotografia e ação!

As cenas de ação fazem um bom uso do CGI e a fotografia tem seus momentos mais pomposos, alternando a paleta de cores e na maioria das vezes acertando o seu tom. A trilha sonora composta por John Powell é pura aventura e fantasia, sendo até mais no espírito de Star Wars do que o trabalho de Michael Giacchino em “Rogue One”. John Williams ficaria bastante orgulhoso, apesar de Powell não ser o mestre.

Por já sabermos que personagens como Solo, Chewie e Lando sobrevivem, não há uma sensação real de perigo em muitas das cenas que deveriam passar essa sensação. A melhor sequência de ação acontece ainda no início do filme, em um sequestro a um trem de alta velocidade. Daí pra frente, o filme nunca recupera o ritmo de adrenalina.

Foto: Divulgação

Erros e acertos

A direção de Ron Howard parece estar no piloto automático, cumprindo o seu papel na hora de filmar sem nenhum estilo próprio. A química entre o elenco principal (Han, Qi’ra, Tobias, Chewie e Lando) não chega a ser palpável mas funciona, transmitindo um senso de incerteza entre os membros da equipe. A adição do dróide L3 ser uma robô revolucionária feminista é uma excelente sacada devido aos acontecimentos atuais, principalmente em Hollywood.

Os pontos que podem incomodar são justamente o roteiro desinteressante, que traz uma história com pouca novidades da franquia. A trama possui reviravoltas no terceiro ato para apimentar os minutos finais, mas algumas revelações não surtem o impacto adequado e outras, que tem potencial, são mal executadas.

Foto: Divulgação

Veredito

Operando em uma caixa de limitações, o filme de Solo não apela a nenhum público em particular, permanecendo em terreno seguro e familiar. Para se fazer um filme como esse, era preciso haver uma justificativa muito boa, mas a produção perdeu a chance de apostar, cortando suas próprias pernas ao insistir em um roteiro e uma proposta tão insípida. Quem sabe tivessem confiado no trabalho de Lord e Miller, teríamos um produto mais autêntico.

A verdade é que o inofensivo “Han Solo – Uma História Star Wars” tem seus bons e maus momentos de puro e simples entretenimento. Ninguém do elenco chega a brilhar e a diversão nunca é por inteiro. O longa não inova, mas também não faz feio. O triste é que, por ser Star Wars, merecíamos algo genuinamente bom e não apenas um “poderia ter sido pior”.

Foto: Divulgação