Ghost in The Shell – SAC 2045: Revisitando um clássico

27/04/2020 - POSTADO POR EM Animes / Mangás

A série por si só vem um grande clássico japonês, sendo baseada no mangá cyberpunk de 1989 “Ghost in The Shell” , criado pelo mangaká Masamune Shirow e que é publicado no Brasil pela JBC. O título possui várias adaptações, sendo a mais conhecida o filme de animação homônimo lançado em 1995, além de uma continuação intitulada “Ghost in The Shell 2: Innocence (2004)”.

Recentemente também contou com uma adaptação norte-americana intitulada “A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell” (2017), protagonizada por Scarlett Johansson. O projeto foi criticado por não ter uma atriz japonesa no papel principal e recebeu críticas mistas.

No final de 2018, a Netflix anunciou mais uma adaptação para a série, intitulada “Ghost in The Shell: SAC 2045”, uma atualização para o enredo original, que levaria a história de 2029 para 2045 e feita toda em CG. Serão duas temporadas com 12 episódios cada, para lançamento em 2020. A primeira já chegou à plataforma e vamos contar aqui nossas impressões.

Uma fantasma sem atualização

Quem gosta de anime já deve ter ao menos esbarrado no título de “Ghost in The Shell”, e para aqueles que não estão familiarizados com a história, vamos a uma introdução rápida; porque mesmo com uma vasta lista de adaptações, todas elas têm algo em comum: uma inserção ao mundo distópico em que a história é ambientada.

“Ghost in The Shell” se passa em um mundo cibernético, altamente informatizado, em que podemos viver como ciborgues e acessar informações através dos cérebros modificados. É então que somos apresentados ao Esquadrão 9, liderados pela Major Makoto Kusanagi, responsável por combater crimes de vários níveis de periculosidade, além de ela mesma ser uma ciborgue completa.

“SAC 2045” também nos trás essa introdução, porém com um grande problema: ela se arrasta pela metade da temporada. São seis episódios para apresentar personagens de uma história que, em teoria, já conhecemos.

Os roteiristas desenvolvem toda uma trama preliminar para que diferentes núcleos se encontrem, como da Major e Batou com Togusa, para que no fim tudo pudesse ser resolvido com um email. O que até seria compreensível, do ponto de vista daqueles que nunca consumiram a obra e precisavam conhecer os protagonistas, mas poderiam ter encontrado uma solução mais rápida para o caso.

Imagem: Divulgação

Relevância para a história

Outro problema muito significativo está no número de episódios. A temporada possui 12 capítulos, com uma média de 30 minutos cada, porém, para a relevância da história, apenas 5 podem ser destacados.

Os demais são preenchidos com uma ênfase para a computação gráfica, junto a uma roteirização fraca, com acontecimentos que parecem ser irrelevantes para o enredo, não trazendo nenhum fio solto, apenas enchendo o tempo necessário. Isso demonstra que o estúdio tinha capacidade para desenvolvimento, mas optou por focar apenas no visual.

Imagem: Divulgação

Original vs Novidade

No fim nada se compara ao original, e essa nova adaptação não é exceção. A Netflix quis inovar, e está de parabéns pela tentativa, mas às vezes é necessário lembrar que o material base é bom por um motivo, e quando se mexe demais, você arrisca e perde, e esse foi um risco enorme. 

“SAC 2045” tentou inovar ao atualizar o ano, e não trouxe nada com isso. Também aumentou a área de atuação da história – saindo do Japão, e iniciando em Los Angeles – mas que da mesma forma não fez nenhuma real diferença. E, por fim, a computação gráfica, que limitou a animação e nos deixa assistindo cenas lentas e atrasadas.

Imagem: Divulgação

Veredito

“Ghost In The Shell: SAC 2045” tinha tudo para ser uma adaptação que traria novidades para a obra, que iria atrair novos fãs e fazer os antigos abraçá-la de forma calorosa.

Com as vozes dos atores originais da animação japonesa na dublagem ela cria um tom saudosista, mas acabou falhando em diferentes áreas, talvez por não saber respeitar aonde deveria ser atualizado e o que era preciso ser mantido.

Pontos Negativos

  • Computação Gráfica limitou a animação
  • Roteiro que deixa a trama arrastada

Pontos Positivos

  • Dublagem japonesa original
  • Protagonismo feminino

NOTA: 4