Game of Thrones: The Iron Throne – Review

23/05/2019 - POSTADO POR and EM Séries
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Um dos finais mais esperados do mundo das séries finalmente se concretizou no último domingo (19/05). Após 8 anos Game of Thrones encerra sua jornada deixando um gosto amargo na boca dos fãs, que esperavam mais da conclusão desse épico e que vinham reclamando do desenvolvimento dos acontecimentos desde o início da temporada. Mesmo assim a produção deixa um grandioso legado na história das séries de TV e na cultura pop.

Foto: Divulgação

Libertando o mundo

O episódio começa onde o anterior parou, com Porto Real em ruínas após a destruição causada por Daenerys (Emilia Clarke) e Drogon, seu último dragão. Tyrion (Peter Dinklage) caminha pelo rastro deixado pelo fogo e investiga se seus irmãos conseguiram escapar ilesos. A resposta é não. Infelizmente o final sem graça de Cersei (Lena Headey) e Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) foi definitivo, mas pelo menos tivemos a chance de vislumbrar seus corpos sem vida enquanto o último dos Lannister derramava algumas lágrimas.

Jon Snow (Kit Harington) não concorda com as ações zero-misericórdia dos Imaculados, e procura sua rainha para questionar o que está acontecendo. É quando ela chega de forma espetacular montada no dragão para discursar aos seus exércitos, proclamando que tiraram uma ditadora do poder mas a luta não acabou, uma vez que seu destino é dominar libertar todos os povos do mundo. Curioso notar como seu discurso se torna cada vez mais perigoso na cena.

Tyrion, com muita mágoa no coração, assume a traição ao ter libertado seu irmão, ao passo que acusa Daenerys de ter dizimado uma cidade, o que ele é fundamentalmente contra e o leva a desistir de ser a Mão da Rainha. Em consequência, ele é preso. Quando Jon o visita, muitos questionamentos que passaram pela mente do telespectador na última semana são levantados, como a progressão de Dany como defensora dos oprimidos (enquanto queimava e crucificava os opressores). O anão faz um ultimato a Jon, alegando que a rainha não vai parar ali e por mais que eles a amem, sabem o que precisa ser feito para impedi-la.

Foto: Divulgação

O fim de uma era

Depois de uma última conversa com Daenerys, aos pés do seu tão sonhado trono de ferro – que, percebam, ela nunca chega a sentar – , Jon resolve pôr um fim definitivo às ações violentas da amada. Porém, em uma cena que deveria transbordar tristeza pela execução repleta de pesar feita pelo nortenho, o que sentimos é apenas decepção pela jornada da nossa Khaleesi ter tido um fim tão sombrio e sem nem ao menos direito à palavras finais.

Logo depois, Drogon aparece e tenta reanimar a mãe morta, em uma cena de partir o coração, para logo em seguida ignorar a pessoa responsável por seu assassinato e voltar sua fúria flamejante para o trono de ferro. Por algum motivo o dragão desenvolveu senso de política e entendeu o assento como um símbolo opressor da sociedade.

O momento em si é marcante e simbólico, representando o fim de uma era para Westeros, o verdadeiro ponto final da dinastia Targaryen. Porém, o contexto deixa uma sensação de estranhamento na ação. Em seguida temos a cena de Drogon indo embora com o corpo de Dany, provavelmente voando para Essos, pois se tivessem ficado lá tudo teria sido bem diferente para a Mãe dos Dragões e seus filhos.

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Olhar no futuro

A partir daí temos um salto temporal de algumas semanas, com os Imaculados ainda em posse de Porto Real, Tyrion e Jon como seus prisioneiros (o motivo de eles ainda estarem vivos não ficou claro) e alguns lordes importantes de Westeros se reunindo na capital para fazer uma negociação sobre o futuro. O que vemos a seguir é uma cena estranha, que propositalmente chega ser cômica e um tanto anti-climática para a conclusão da série.

Tyrion é levado à frente da reunião e faz mais um de seus discursos, dessa vez defendendo que as pessoas ali escolham o seu novo líder, pois ninguém detém o poder máximo atualmente. Destaque para a sugestão de Sam (John Bradley)  em propor um início de democracia e a chacota que ele se torna por causa disso. No final, por ser basicamente um HD Humano e portanto poder dar soluções sábias baseadas nos erros que a humanidade já cometeu (que foi tudo que ele não fez desde que virou o Corvo de Três Olhos), Bran (Isaac Hempstead Wright) é elegido para ser o novo rei com o título de Brandon, o Quebrado.

Depois de ter traído a rainha anterior, de alguma forma Tyrion ainda é nomeado Mão do Rei, contra sua própria vontade. É decidido que o meio termo mais adequado para Jon é retornar para a Patrulha da Noite, que por alguma razão ainda existe mesmo que não haja mais o Rei da Noite e o povo além da Muralha não seja mais um inimigo. A Muralha, por sinal, é mostrada intacta mesmo que tenha tido toda uma seção derrubada pelo Viserion zumbi.

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É isto?

A cena de despedida entre os Starks confirma a família como protagonista da série. Foi o fim dos Lannisters no poder, o fim do reinado (de algumas horas) Targaryen e chegou a hora dos Starks prosperarem. Temos um no comando dos Seis Reinos e uma no comando do Norte, que agora é independente. Ignoremos que assim como Sansa (Sophie Turner), os líderes de outras regiões injustiçadas podiam muito bem ter requisitado sua independência, mas preferem se submeter a um garoto que não conhecem.

Nos registros, Brienne (Gwendoline Christie) dá a Jaime um final adequadamente ambíguo: ele morreu protegendo sua rainha. Temos uma cena dedicada a Tyrion arrumando as cadeiras do Pequeno Conselho, antes que os membros entrem e as baguncem, discutindo navios, moedas e bordéis, reiniciando o ciclo governamental. Bran menciona que irá tentar localizar Drogon, o que é lamentavelmente a última menção ao animal e aos Targaryen, negando ao público uma última surpresa.

A última cena de toda a série deveria ser épica. Deveria emocionar, deveria impactar. Vemos Arya navegando em direção ao desconhecido, Sansa sendo coroada Rainha no Norte e Jon finalmente acariciando seu lobo, momentos que trazem uma certa satisfação. Mas após um final tão apressado, que falhou em desenvolver melhor as diversas tramas da saga, parece ser tarde para qualquer final digno. Não há praticamente nenhum efeito ao assistir Jon e os Selvagens se aventurando além da Muralha. É como assistir aquela que já foi a maior série da TV ir em direção ao abismo, sem que possamos fazer nada em relação a isso.