Everything Sucks: o retrato cômico (mas nem tanto) da adolescência

17/02/2018 - POSTADO POR EM Séries
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É nostalgia que fala, né? “Everything Sucks”, nova produção da Netflix, é um prato cheio para os “90tistas” de plantão. Situada na década de 1990, a série é uma releitura da cômica cultura adolescente criada por Ben York Jones e Michael Mohan. Daremos de cara com o primeiro beijo, o primeiro fora, a primeira paixão, a primeira aventura e diversos primeiríssimos, mas que causam uma prazerosa experiência nostálgica.

A história e seus personagens

Tudo acontece na pacata Boring, cidade pequena dos EUA, mais precisamente, no ensino médio da Boring Highschool. E seguindo o mantra de comédias norte americanas, somos apresentados a três garotos: McQuaid, o nerd interpretado por Rio Manging, Luke O’Neil, o desenrolado interpretado por Jahi Winston e por fim, Tyler, aquele clássico personagem de comédias high school tentando ser entrosado, que é interpretado por Quinn Liebling. Não dá para destacar nem odiar nenhuma atuação, todos cumprem seu papel sem irem muito além, talvez com uma exceção para Jahi Winston (Luke), que vez por outra, quebra esse sentido.

Calouros na nova escola, os jovens estão dispostos a experimentar tudo o que o ensino médio é capaz de propor, guiado por gostos pessoais e seguindo um punhado de influências hereditárias. É assim que têm a ideia de entrar na ”Escolinha de Vídeo”, e a partir daqui a história se desdobra.

Também somos apresentados a demais personagens que dão sentido ao roteiro, como a estranha e carismática, ao mesmo tempo, Kate Messner (Peyton Kennedy), ao casal de vilões (lê-se os populares da escola), Oliver (Elijah Stevenson) e Emaline (Sydney Sweeney).

O primeiro amor, seja como for!  

Romances proibidos, intrigas e sexualidade. Não dá para negar que é bem comum esses temas serem abordados em histórias de high school, porém, estamos falando de um roteiro com personagens bem ”teens”, e isso querendo ou não, é um tabu.

Aqui, o assunto é abordado de forma sutil, com uma estagnada atuação de Peyton Kennedy e mais alguns episódios na frente, com Sydney Sweeney, tramitando entre descobertas, aceitação e coragem.

Foto: Divulgação

As cores do passado

Falando em aspectos visuais, a fotografia cumpre seu dever e faz um bom trabalho, mas nada de esperar planos surpreendentes. É comum durante a trama alguns ”closes”, dando aquela sensação de sufoco para atenuar algumas situações de escolhas e resultados. A paleta de cores é bem contrastada, passeando entre cores sólidas e ao mesmo tempo bem vivas. Se você é da época, deve lembrar o quão era colorido as roupas, os quartos (lembram dos posters da sua banda preferida? Pois é!), os acessórios, enfim.

Vale um destaque para a direção de arte, pois tudo é muito bem reproduzido. Sério, você jura que a série foi realmente filmada em 1996.

Foto: Divulgação

Veredito

Por se tratar de uma história que não te joga de um lado para o outro, o roteiro dá diversos indícios do que vem pela frente. Nada é uma surpresa. Isso é ponto negativo? Talvez, mas devo assumir que isso não atrapalhou o consumo da série (em um dia). É por saber o que vem pela frente que acabamos sentindo uma proximidade com praticamente todos os personagens, pois nos vemos sendo representados em diversas situações da vida e em diferentes fases. É como se estivéssemos fazendo uma releitura de nossa caminhada até aqui, e sentindo uma constante vontade de comunica-los: ”não faz isso, vai dar m*rda!”. E quase sempre dá.

No mais, os dez episódios da primeira temporada torna ”Everything Sucks” algo legal de consumir para passar o tempo. Trata-se de uma gostosa viagem à adolescência, um fino e eficaz ensinamento sobre respeitar as escolhas do próximo e, claro, uma cômica e levemente emocional abordagem da pressão que sofremos por todos os lados quando somos adolescentes sem saber para onde ir. Ah, o último episódio deixa aquela mensagem de que vem mais coisa por aí, e o melhor, com uma possível reviravolta na história que foi contada até agora. Vale a pena conhecer.

Foto: Divulgação