Eu, Tonya: o lado bom da garota má da patinação

01/02/2018 - POSTADO POR EM Filmes
Post thumbnail

Dizem que toda história tem dois lados, até mesmo a de uma notável vilã do mundo dos esportes, como Tonya Harding. Acusada de envolvimento no incidente que fraturou a perna de sua principal adversária, Nancy Kerrigan, a patinadora viu sua promissora carreira acabar prematuramente. Com Margot Robbie como a personagem-título, uma das tramas reais mais chocantes do universo esportivo ganha um novo olhar.

História real

Divulgação

“Eu, Tonya” segue a trajetória de Tonya Harding, iniciada na patinação artística desde cedo pela mãe, conquistou títulos e ainda detém o feito de ser a primeira mulher americana a executar corretamente o salto triplo axel em uma competição, movimento considerado de alto risco no esporte. Porém tudo mudou em janeiro de 1994, quando Nancy Kerrigan foi vítima de um atentado que a impossibilitava de participar dos campeonatos nacionais e, talvez, até dos Jogos Olímpicos de Inverno.

As investigações sobre o caso revelaram que o ataque foi planejado pelo marido de Harding, Jeff Gillooly, e seu guarda-costas, Shawn Eckhardt. Tonya foi apontada como cúmplice, porém nunca foi comprovado até que ponto ia o seu envolvimento na trama.

Falso documentário

Divulgação

O longa faz o estilo documentário, com as principais pessoas envolvidas nos acontecimentos de 1994 participando de entrevistas e contando suas próprias versões. É uma maneira interessante de levar a história, mas ao mesmo tempo pode distrair o espectador. Um recurso, que é extensão deste, é a quebra da quarta parede durante o filme, assim, ao longo dele, temos vários closes no rosto de algum personagem com o seu comentário sobre a cena em questão.

Por conta desse estilo de filmagem, há um cuidado especial com os figurinos. Basta pesquisar o nome da patinadora no Google e pelas imagens pode-se perceber como a produção foi criteriosa na caracterização dos personagens. Também nota-se o excelente trabalho de maquiagem nas cenas em que os atores foram envelhecidos.

Entrando na personagem

Divulgação

Um ponto forte da cinebiografia são as atuações, a exemplo de como o filme acerta ao humanizar a figura de Tonya Harding. Margot Robbie se entrega totalmente à personagem, realizando bem as cenas de patinação, para o qual a atriz começou a se preparar meses antes. Sequências mais dramáticas também fazem parte da produção e Robbie acerta em todas elas.

Allison Janney no papel da mãe de Tonya é ainda mais brilhante, sua interpretação é consistente, conseguindo gerar raiva à sua figura, que, de acordo com a história, era violenta com a filha e a pressionava demais para ser uma campeã. Ainda assim, suas explicações não diminuem o absurdo das atitudes para com a garota.

Incertezas

Divulgação

O filme conduz bem a história da esportista, seguindo desde a conturbada infância, passando pelos problemáticos relacionamentos com a mãe e o marido, até os altos e baixos da carreira. Dessa forma, a produção traz o grande acerto de aproximar a figura de Tonya Harding do espectador, gerando empatia. Porém, no final, nos resta dúvida sobre a veracidade dos acontecimentos. É claro que quando se conta a história da vida de alguém, principalmente por meio do cinema, é necessário romantizar um pouco os eventos a fim de entreter o público, mas se essa sensação é muito forte, pode prejudicar a experiência.

Em diversos momentos, por exemplo, no decorrer do longa você pode se perguntar se todos aqueles fatos realmente aconteceram dessa maneira. Em algumas cenas, os entrevistados se contradizem sobre certos eventos, como quando Jeff, o marido de Tonya, descreve uma situação e logo depois a patinadora aparece dizendo que aquilo não foi verídico. Fica o questionamento se o diretor fez de propósito, por conta da história real ser ambígua e nunca se ter esclarecido até onde Tonya Harding tinha envolvimento no ataque; ou se é algum outro recurso cinematográfico escolhido pelo profissional. Dessa maneira cabe ao espectador julgar as ações do protagonista e decidir no que acreditar.