Erased: a cidade onde apenas eu não existo

31/01/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Ao final de 2017, a Netflix lançou a adaptação do mangá e anime “Erased” (“Boku Dake Ga Inai Machi”) em sua plataforma. Com 12 episódios, a série japonesa em live-action traz a história da obra original, mantendo todos seus aspectos principais, mas com a proposta de um novo desenvolvimento e desfecho para a trama.

História 

Satoru é um jovem de 29 anos que sonha em ser mangaká, mas encontra-se preso em uma vida solitária trabalhando como entregador de pizzas. Desde pequeno, ele possui um dom especial que chama de “revivências”. Este dom sobrenatural faz com que ele tenha a capacidade de voltar no tempo para consertar algum acontecimento trágico daquele momento, geralmente envolvendo a morte de alguém.

Assim, após tornar-se suspeito do assassinato de sua mãe, Satoru passa por uma “revivência”, voltando aos seus 14 anos de idade, onde se encontra no papel de evitar um acontecimento marcante de sua infância, que parece estar relacionado com a morte de sua mãe: uma série de desaparecimentos de crianças em sua cidade.

Foto: Divulgação

Sensibilidade japonesa

É inegável a sutileza e sentimento que envolvem as produções e animações no Japão. Elas têm um jeito particular de emocionar e entreter o telespectador, fazendo com que suas histórias tenham um impacto especial sobre quem as assiste.

Em “Erased” não é diferente. A obra, em sua proposta, já se mostra bastante sombria e cheia de emoção. Afinal, somos apresentados à um suposto herói, introspectivo e frustrado, e um passado envolvendo o assassinato e sequestro de diversas crianças. Além disso, a série traz questões que envolvem violência doméstica, negligência, abuso infantil e depressão. Tudo isso retratado por uma ótica sensível, tocante, capaz de conectar o telespectador às angústias de Satoru e ao sofrimento e solidão de Kayo, trazendo histórias vívidas e capazes de comover qualquer um.

Foto: Divulgação

Adaptação

A obra original, escrita e ilustrada por Kei Sanbe, faz por merecer o reconhecimento que ganhou em seu lançamento, pois se trata de uma história comovente e sensível, muito bem produzida e ilustrada. Assim, adaptá-la não é um papel fácil. Mas, Ten Shimoyama, diretor da adaptação da Netflix, parece aceitar o desafio, entregando, por fim, uma série poderosa e eficiente.

Ten não faz grandes alterações ao roteiro, optando por manter-se fiel à obra original. Sua direção é simples, mas competente. Alguns planos se destacam por fazerem um bom uso da ambientação na neve, que realça a presença dos personagens de forma idêntica ao anime. Além disso, a direção foca em reproduzir de forma fiel a sua precursora, buscando captar a essência dessa última sem perder os tons de releitura.

As relações entre os personagens, principalmente entre Satoru criança e Kayo, menina que ele busca salvar, são muito bem desenvolvidas, reflexo de atuações bastante eficientes, tanto do núcleo infantil quanto do núcleo adulto. Somos facilmente comovidos pelos personagens e seus dramas pessoais, em sentimentos que parecem legítimos.

Por fim, a adaptação da Netflix se destaca por trazer um desenvolvimento maior de alguns personagens importantes na trama, dando nuances às suas personalidades e ajudando na compreensão de suas motivações. O desfecho também ganha mais substância, fruto de uma preocupação do diretor em conectar e explicar todas as pontas soltas antes de dar resolução à história, o que desenvolve com mais tranquilidade e competência. Fato que parece confortar os fãs do anime original, que se frustraram com o final negligente e destoante do restante da obra animada.

Veredito

“Erased” é uma adaptação que lapida uma história já reproduzida e aclamada pelo público, dando novos elementos à ela, sem perder, entretanto, a essência da obra original. É eficiente no que se propõe, trazendo uma experiência visual agradável e uma história comovente, cheia de reflexões e virtudes. É uma ótima indicação para quem gosta do anime original, mas principalmente para quem não conhece as narrativas orientais ou tem problemas com a estética das animações japonesas.

É a redenção da Netflix depois do fiasco de “Death Note” (2017).

Foto: Divulgação