Entrevista: Natália Bridi aposta em novos projetos e revela suas paixões no mundo nerd

06/08/2020 - POSTADO POR EM Conteúdo

Estão prontos? Vem aí um bate-papo muito divertido e cheio de ensinamentos com Natália Bridi. Em entrevista exclusiva ao Roteiro Nerd, a jornalista e influenciadora fala sobre o preconceito no mundo nerd, novos desafios na carreira após sua saída do Omelete e ainda deu dicas de bons filmes para assistir e rever. Confira tudo agora mesmo!

* Leia também a nossa entrevista com Leon e Nilce, do Coisa de Nerd. 

Roteiro Nerd: Como começou sua carreira no jornalismo cultural / nerd?

Natália Bridi: Escolhi fazer meu TCC sobre cinema brasileiro (uma comparação entre Deus e o Diabo na Terra do Sol e o Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro) porque meu interesse no jornalismo sempre se voltou para a cultura, mas entrar nessa área não é simples. Precisei trabalhar em muita coisa que estava longe do meu universo (como a assessoria de imprensa da Associação de Gado Angus) até começar. O que ajudou foi entender que era isso que queria, estabelecer um objetivo dentro da profissão que escolhi. Assim, quando a oportunidade surgiu no Omelete, estava atenta, preparada e disposta.

R.N: Durante sua carreira, você já passou algum preconceito por ser mulher? Como podemos diminuir essa intolerância no segmento nerd?

N.B: Já, claro. Não tenho uma estratégia para diminuir a intolerância do público porque sou incapaz de entender como alguém pode se dizer “nerd” e ainda se mostrar preconceituoso. Porém, um passo simples que o próprio meio nerd pode dar é integrar a diversidade na sua produção de conteúdo. Colocar mulheres no centro da discussão e produção de todos os assuntos, assim como pessoas negras, pessoas LGBTQ+, pessoas da periferia, de diferentes regiões do Brasil. Não é só limpar a consciência e chamar na hora de falar sobre diversidade, mas colocar essa diversidade em prática. 

R.N: Nos últimos anos, tivemos o mercado nerd em grande expansão, com novos produtos, séries e, até mesmo, eventos para o nicho no Brasil. No passado, é importante lembrar que o nerd sofria preconceito, mas hoje é algo cool e divertido para sociedade. Como você avalia essas mudanças?

N.B: Não vejo como um problema a cultura nerd ter se tornado mainstream. É simplesmente consequência de mais pessoas terem acesso a esse universo. Esse apego ao passado, essa ideia de propriedade, é o que leva a comportamentos preconceituosos hoje. A produção cultural existe para nos engrandecer, expandir a nossa realidade, não limitar. 

R.N: Devido à pandemia do coronavírus, muita coisa precisou se adaptar e mudar para funcionar diante deste novo cenário. Como você imagina o funcionamento do cinema e eventos nerds daqui pra frente? 

N.B: É um momento bem difícil para afirmar ou prever qualquer coisa. Basta acompanhar toda a dança para a estreia de Tenet para ver o quanto a situação é incerta. O filme está pronto, mas não adianta apenas abrir os cinemas, o público precisa comparecer. O mesmo vale para qualquer evento presencial. 

R.N: Após sua saída do Omelete, você está apostando no seu blog autoral. O que podemos esperar de novidade e conteúdo na plataforma? Conta pra gente. 

N.B: Estou escrevendo porque é algo natural para mim e esse movimento me ajuda a colocar em prática outros projetos, mas é um conteúdo feito sem qualquer pretensão. Estou publicando textos sobre o que estou vendo e lendo e as reflexões que quero elaborar em torno disso.

R.N: E para finalizar deixe aqui sua sugestão de série ou filme leve para todo mundo ficar de boa na quarentena.

N.B: Uma coisa que tenho gostado de fazer é rever filmes que gosto muito, mas não via há muito tempo. Então revi, por exemplo, Priscilla: A Rainha do Deserto, que foi um filme super importante na minha formação, e De Volta Para o Futuro, que era um dos meus favoritos da Sessão da Tarde, e tem sido uma experiência muito legal ter uma nova percepção do que achava que já conhecia tão bem. Minha sugestão é fazer esse exercício, rever seus filmes favoritos da infância/ adolescência. No embalo você pode acabar descobrindo mais sobre você mesmo, o que mudou, o que vê diferente hoje…