Entre Facas e Segredos: tem um plot no seu twist

07/06/2020 - POSTADO POR EM Filmes

“Nossa, mas você tem que assistir pelo plot twist do final!”. Quantos filmes acabamos assistindo por uma recomendação semelhante de alguém? De fato, “Entre Facas e Segredos” se encaixa nesse tipo de sugestão. 

A diferença é que o “twist” aqui não vem só na conclusão. Ele é o recurso chave para o sucesso do longa de Rian Johnson (“Star Wars: Os Últimos Jedi”), indicado a Melhor Roteiro Original do último Oscar. O filme digno das páginas de um suspense de Agatha Christie chegou na última sexta-feira (5) ao catálogo da Amazon Prime Video, e você confere nosso veredito antes de apertar o play!

Nenhum suspeito descartado 

O famoso novelista de suspenses Harlan Thrombey (Christopher Plummer)  passou de criador para protagonista de sua própria história de investigação. Morto na noite de comemoração de seus 85 anos, as pontas soltas parecem não se encaixar em seu suposto suicídio. Entra em cena Benoit Blanc (Daniel Craig), o renomado detetive.

A família de Harlan é um caso perdido. Todos dependentes do sucesso do pai, suas estruturas tremem quando o caso volta as suspeitas para cada um dos parentes. O elenco não deixa a desejar: Jamie Lee Curtis como Linda, Michal Shannon como Walt, ambos filhos do escritor, além da nora Joni (Toni Collette), da neta Meg (Katherine Langford), do neto Ransom (Chris Evans) e ainda Lakeith Stanfiel (“Corra”) como um dos investigadores. Muita gente talentosa, e todos têm tempo para brilhar.

Porém, o pilar da investigação surge por uma razão um tanto curiosa: Marta Cabrera (Ana de Armas), enfermeira e amiga de Harlan, não consegue mentir sem vomitar em seguida. Uma “habilidade” que Blanc aproveita para cozinhar os amargos ingredientes do caldeirão quente que é a família. Para o detetive, um deles é o assassino.

Foto: Divulgação

Virando o tabuleiro  

O caso de Harlan pode ser algumas pontas soltas, mas Johnson não deixa quase nenhuma em seu roteiro. Cada ponto lançado em rápidas conversas é retomado com um impacto maior para desvendar o mistério, que muda de direção a cada cena. Os famosos plot twists vêm aos montes aqui, do início ao fim, sempre impulsionando a investigação.

Somos levados pela trama como um livro de Agatha Christie ou de Conan Doyle, segurados pelos excelentes trabalhos de Craig como o astuto detetive e de Armas como seu tímido “Watson”. A enfermeira logo se torna a peça mais importante do tabuleiro a partir da metade do longa, por motivos que deixaremos em segredo pela experiência de quem ainda vai assistir.

Foto: Divulgação

Veredito

O ritmo não cansa até a conclusão da investigação. Através de um design de produção meticuloso e de uma trilha pontual, mas certeira, somos guiados para o grande desfecho digno das famosas histórias de mistério. 

Johnson faz questão de organizar, em ritmo até meio acelerado, tudo para nós com a narração de Blanc, tal qual as clássicas cenas de explicação de Sherlock Holmes. Os tons de comédia durante os diálogos entre o talentoso elenco ajuda a tirar o peso de tantos detalhes que antes pareciam confusos. 

Apesar de um fim totalmente expositivo, as voltas e voltas no entremeio satisfazem qualquer espectador entusiasta de uma boa história de suspense e de investigação.

Pontos positivos

  • Elenco recheado de talentos, bem aproveitados (destaque para Ana de Armas)
  • Roteiro dinâmico durante as várias reviravoltas da investigação

Pontos negativos

  • Conclusão expositiva e um pouco apressada

NOTA: 9,5