Em Pedaços: Os Estágios do Luto

23/03/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Vencedor do Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro 2018, o drama alemão “Em Pedaços”, do diretor Fatih Akin, é uma história sobre luto e justiça aos olhos de uma mulher que perdeu tudo. Com a atuação premiada de Diane Kruger, o filme traz um tom melancólico e bastante emocionante, digno de uma boa obra dramática.

Família

Katja Sekerci (Kruger) é casada com o turco Nuri Sekerci (Numan Acar), com quem tem um filho chamado Rocco. O marido, depois de cumprir sua pena por tráfico de drogas, restabeleceu a vida montando um pequeno escritório em um bairro turco na Alemanha, onde uma explosão criminosa acaba tirando sua vida e a do pequeno Rocco. Diante da tragédia, Katja, lidando com o luto de perder sua família, busca justiça para o caso.

Justiça

Kruger no filme faz o papel de uma mãe e esposa que acaba de perder aqueles que ama em uma tragédia. Ela nos apresenta uma atuação cheia de impacto emocional, que sustenta todo o peso dramático durante a narrativa, sendo, portanto, o foco desta última. Podemos sentir o luto e a revolta da personagem, enquanto criamos uma empatia pela situação em que ela se encontra, onde ansiamos por retaliação junto a ela.

Mesmo sem um bom desenvolvimento prévio das relações e vínculos entre a família, a película nos apresenta curtos flashbacks na memória de Katja, que além de contextualizarem a situação, servem para reiterar o desejo por reparação presente em todo o filme, que tem enfoque, principalmente, no julgamento dos possíveis culpados.

Desse modo, o filme faz questão de criar quadros onde a personagem de Katja é colocada em evidência, enfatizando essa sensação de inquietação e afastamento da realidade. As cenas do julgamento têm um impacto em cada prova trazida e em cada depoimento dado, buscando passar ao telespectador a frieza das atitudes perpetradas, além de servir como prelúdio aos acontecimentos e motivações de Katja, que seguem em direção ao desfecho da trama.

Foto: Divulgação

O Mar

“Em Pedaços” é um drama que percorre um caminho tortuoso para chegar em seu clímax, momento em que o enredo ganha sua forma final e mostra a que veio. Apesar de um final a se refletir, a obra apresenta uma fórmula já bastante usada em outros filmes do gênero, sendo capaz de, para alguns, tornar-se previsível e um pouco redundante em seu desenvolvimento. Entretanto, isso não é de todo ruim, pois ao apegar-se a um roteiro confortável e amarrado, a direção e as atuações entram em foco, trazendo um peso e qualidade perceptíveis no produto final.

Assim, o filme, que foi o pré-indicado da Alemanha para o Oscar, é um drama denso, que se sustenta pela atuação brilhante e bastante carregada de sua protagonista, que tem seu luto e sua dor como focos da narrativa. É forte em suas cenas, triste quando convém, e nos passa um peso proporcional à história que busca contar. É o caminho que a suposta heroína percorre para encontrar-se depois de não mais sentir que pertence àquele lugar. Um história não exatamente sobre superar o luto e encontrar justiça, mas uma história sobre a autodestruição presente nas escolhas que tomamos durante os momentos de dor e sobre o questionar de nossas atitudes.

Foto: Divulgação